Editorial: saúde mental

UBS Júlio Lizart realiza roda de conversa sobre comportamento suicida e fluxo em saúde mental

Roda de conversa discute o comportamento suicida.

Na tarde do dia 21 (terça-feira), a Unidade Básica de Saúde (UBS) Júlio Lizart, no Vale do Sol, realizou uma roda de conversa para discutir sobre comportamento suicida e o fluxo de saúde mental. Essa ação tem o objetivo de tratar novas formas de acolhimento e faz parte do Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio.

A psicóloga da unidade, Sandra Lira, falou sobre como as pessoas podem atuar em um acolhimento imediato da tentativa de suicídio, destacando principalmente a conversa e até o CVV (Centro de Valorização à Vida).

“Identificados alguns sinais de risco, o munícipe ou alguém próximo deve buscar orientações nas unidades de saúde e, em casos de crise e risco imediato para o suicídio, deve-se evitar deixar a pessoa sozinha e dificultar o acesso aos meios para concretizá-lo. E  buscar imediatamente os prontos-socorros e, posteriormente, os CAPS (Centros de Apoio Psicossocial), que contam com equipe interdisciplinar preparada para acolher essa demanda e tratá-la durante o período que se fizer necessário, pois o tempo de tratamento dependerá de cada pessoa, além do apoio familiar, social  e terapêutico que a pessoa dispõe”, orientou. 

Ela ainda complementa: “existem também serviços de escuta, como o CVV, que funciona 24 horas, basta ligar para 188”, esclarece a profissional em saúde mental. 

Fatores de Risco

Esse comportamento é uma questão de saúde pública de motivação multifatorial. É possível destacar os seguintes fatores de risco:

  • A tentativa prévia de suicídio;
  • Os transtornos mentais como o bipolar, a depressão, o alcoolismo, o abuso/dependência de outras substâncias químicas, entre outros;
  • Sentimentos de desesperança, de desespero, de desamparo e de impulsividade;
  • Eventos adversos ocorridos na infância e adolescência.

Sinais de alerta

Ainda é possível identificar alguns sinais que podem evidenciar o risco de suicídio e tentar evitá-lo:

  • A falta de esperança ou a preocupação com a própria morte;
  • Expressão de ideias ou intenções suicidas;
  • Ausência ou diminuição de autocuidado;
  • Uso abusivo de álcool/drogas;
  • Alterações nos níveis de atividade ou de humor;
  • Crescente isolamento da família/amigos;
  • Autolesão.

Setembro Amarelo

Desde 2003, todo dia 10 de setembro é comemorado o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. A data foi criada pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e inspirou a campanha Setembro Amarelo. Durante o mês, ações relacionadas à saúde mental são realizadas em todo o Brasil para alertar sobre esse problema de saúde pública e mostrar que o quadro pode ser revertido com ajuda especializada e amor.

 

Projeto de Lei visa o acesso à saúde mental e à prevenção ao suicídio entre jovens

Dr. João Naves é vereador e autor do Projeto de Lei n° 2.860/2021, aprovado na Câmara

Propositura foi aprovada na Câmara e aguarda sanção do prefeito Marcos Neves

Carapicuíba poderá ter um programa de prevenção ao suicídio e de promoção do direito ao acesso à saúde mental entre jovens e adolescentes. É o que prevê o Projeto de Lei n° 2.860/2021, aprovado essa semana na Câmara.

De autoria do vereador Dr. João Naves (PSDB), o texto, que agora segue para as mãos do prefeito Marcos Neves (PSDB), aponta que o programa, a ser desenvolvido prioritariamente no espaço escolar, teria por objetivo ampliar a conscientização sobre o tema, capacitar o cidadão e identificar sintomas entre os jovens.

Setembro Amarelo: profissionais da saúde mental são o foco da vez

Palestra no Setembro Amarelo orientou profissionais de saúde metal

 

Como parte da programação da Prefeitura de Barueri para o Setembro Amarelo, campanha de prevenção ao suicídio, o CAPS AD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas) foi palco, na terça-feira (dia 21), de uma atividade voltada especialmente aos profissionais de saúde mental – justamente aqueles da linha de frente no atendimento aos pacientes com algum tipo de sofrimento psíquico.

O psiquiatra Ronaldo Kobaiashy ministrou palestra para um grupo formado por terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, psicólogos, farmacêuticos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e cuidadores sociais que trabalham em três serviços da Prefeitura: o do próprio CAPS AD, a Unidade de Acolhimento e o Consultório de Rua.

“Precisamos cuidar para procurar prevenir o suicídio, como todo mundo já sabe, mas também temos de cuidar da ‘pósvenção’, isto é, o atendimento aos familiares impactados pelo suicídio de um parente e também o atendimento dos profissionais que atenderam o suicida”, destacou Kobaiashy.

O médico ressaltou ainda a importância do atendimento em equipe, sobretudo para os casos de pacientes com histórico de querer pôr fim à própria vida. “Muitas vezes o profissional se sente onipotente e acha que pode curar sozinho, mas é fundamental ter o auxílio da equipe, é um trabalho em conjunto”, recomendou.

Kobaiashy chama a atenção para a grande dimensão do problema do suicídio nos dias atuais. Segundo ele, dados divulgados em 2012 indicavam que, de uma maneira geral, a incidência de todas as doenças do mundo diminuiu nos últimos anos, menos a do suicídio.

Pacientes com quadros de depressão, dependência de substâncias químicas, transtornos de personalidade e bipolares são os com as maiores queixas em relação ao suicídio. O psiquiatra lembra também que existem altos índices de suicídios em idosos, geralmente com doenças muito graves, como câncer, por exemplo.

Aprendendo com a experiência

A coordenadora técnica do CAPS AD, Kathya Bertolini, disse que o convite ao psiquiatra Ronaldo Kobaiashy para a palestra se deu para que os profissionais aproveitem sua rica experiência clínica de mais de 20 anos à frente do serviço de atendimento de pessoas envolvidas com alcoolismo e drogas.

Para a terapeuta ocupacional Rosangela Lodi Queiroz, a capacidade clínica de Ronaldo Kobaiashy é “espetacular”. Ela disse que aproveitou muito da palestra do médico.

“Ele traz um conhecimento muito importante, que é o olhar humano e o acolhimento ao paciente. Mas precisamos nós, profissionais, olhar para nós primeiro e depois proporcionar o atendimento ao outro”, resumiu Rosangela.

Palestra desmistifica suicídio e mostra importância da atenção integrada na saúde mental

Atividade realizada na Câmara de Osasco faz parte do “Setembro Amarelo”

“E fora dos stories, você está bem?”. O meme popularizado nas redes sociais neste mês, procurando mostrar como as aparências enganam e um sorriso pode esconder dificuldades em lidar com depressão e outros transtornos mentais, poderia ser um resumo da palestra acontecida na Câmara Municipal de Osasco nesta sexta-feira (10).

Organizada pela vereadora Elsa Oliveira (Podemos) a palestra “Vamos falar sobre a saúde mental?” foi realizada pela psicóloga Sílvia Rezende e por Rosana Terrabuio, Supervisora de Atenção Integrada da Prefeitura de Osasco, como parte das atividades do “Setembro Amarelo”, mês dedicado aos cuidados com a saúde mental e prevenção ao suicídio.

Rosana enfatizou a necessidade de desmistificar o suicídio. “A gente conta para todo mundo que tem pressão alta, mas não conta que está com depressão”, comparou ela. Utilizando uma pesquisa realizada nos EUA, Rosana negou que divulgar ou noticiar casos de suicídio aumentariam essas ocorrências.

“Ao contrário, quanto mais falarmos abertamente sobre esses riscos, redes de apoio e prevenção, faremos com que a sociedade fique mais apta a perceber pessoas que estejam precisando de apoio e que elas saibam que é possível buscar tratamento para esse tipo de transtorno”, completou.

Idealizadora do encontro, a vereadora Elsa Oliveira (Podemos) pegou carona na fala da especialista da Prefeitura: “A pandemia agravou os casos de saúde mental. Perdemos muita gente querida. Falar sobre isso é importante”. Ela lembrou que 96% dos 13 mil suicídios anuais no Brasil estão relacionados a transtornos mentais como depressão, ansiedade e bipolaridade.

De modo a enfrentar a situação, Rosana recomenda políticas que vão além do tratamento psiquiátrico: “Fazer com que essas pessoas busquem psicoterapia, façam atividade física e evitem o abuso de substâncias como o álcool e outras drogas é fundamental”, avalia. Outro aspecto é o educacional, preparar pais e professores para lidar com essas pessoas.

Um dos projetos citados por Rosana, realizado pela Prefeitura de Osasco, visa prevenir o suicídio entre jovens por meio do engajamento em dinâmicas sociais, jogos e ferramentas virtuais. Na opinião dela, a mídia pode exercer um importante papel na prevenção do suicídio e do desenvolvimento de transtornos mentais.

“Precisamos desmistificar o suicídio: acontece com qualquer pessoa, em qualquer idade. Mostrar a essas pessoas que elas têm oportunidade de buscar ajuda profissional e enfatizar o apoio de familiares e amigos. “Redes sociais como Facebook, Instagram e Google já indicam auxílio a quem digita ‘automutilação’ ou ‘suicídio’ na busca”, comentou ela.

Silvia Rezende, psicóloga e pedagoga, sublinhou o aumento dos casos entre pessoas da terceira idade: “Suicídio não pode mais ser tabu e precisamos falar sobre isso. A prevenção começa em casa e nas famílias”, enfatizou.

Conforme Sílvia, pelo menos 90% dos casos de suicídio seriam evitáveis com ajuda adequada. “Cada ocorrência dessas impacta pelo menos cinco pessoas no entorno, com desdobramentos psíquicos, sociais e econômicos nessas famílias”, enumerou a psicóloga.

Por fim, Sílvia também defendeu uma política integrada de saúde para lidar com os problemas de saúde mental: “A depressão é um problema com facetas bioquímica, psicológica, social, biológica e que pode ser agravada por outros fatores como estresse, problemas econômicos, afetivos e outros”.

Ansiedade é a principal queixa nos consultórios psiquiátricos

Complexo que abriga as três unidades do CAPS oferece total assistência à saúde mental

A exposição ao estresse prolongado causado, também, pelo medo da contaminação da Covid-19, tem sido o principal responsável pelos transtornos de ansiedade. No dia do Psiquiatra (celebrado dia 13 de agosto), a Secretaria de Saúde, por meio da Diretoria Técnica de Saúde Mental, alerta sobre a importância do acompanhamento desse profissional em tempos de pandemia.

“Os casos mais frequentes no consultório psiquiátrico, disparadamente, são os transtornos de ansiedade. Principalmente neste momento que estamos vivendo. A sensação de ameaça do vírus tem feito desencadear muitos transtornos emocionais”, explica o médico psiquiatra Lúcio dos Santos Scaramuzzi, que atende na Unidade Básica de Saúde Vince Nemeth, do Jardim Audir.

O médico afirma que a assistência psiquiátrica dada a pacientes que apresentam sintomas significativos de ansiedade é essencial, não só para o acompanhamento medicamentoso, mas em medidas de aconselhamento.

“O aconselhamento é importante no sentido de tranquilizar o paciente. Primeiro com objetivo de estimular uma convivência familiar harmoniosa. Devido ao confinamento, por causa da ameaça do vírus, muito do que se tem trazido ao consultório é o desgaste nas relações entre as famílias. Segundo, manter o sujeito produtivo, com a sua profissão ou nas suas atividades”, aponta.

Esses transtornos são combatidos com medicamentos e psicoterapia. Associar o tratamento com outras ações, como atividade física, ioga, terapia ocupacional, meditação é importante, assim como orientar o sujeito a buscar aquilo que lhe dá prazer. 

Sintomas de ansiedade

Os principais indícios do transtorno de ansiedade estão relacionados à chamada reação de luta ou fuga, causada por uma sensação de temor, mesmo quando não está claro o fato da ameaça. Entre os sintomas físicos estão taquicardia, dores no peito, falta de ar, tremores e aceleração no ritmo respiratório.

Tratamento

Em Barueri, a saúde mental se concentra, principalmente, nas três unidades do CAPS (Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil, Adulto e Álcool e Drogas). A assistência se estende às Unidades Básicas de Saúde (UBSs) também. O atendimento psiquiátrico se manteve por meio de teleatendimento e visitas domiciliares para os casos mais graves, além das consultas individualizadas.

“Na pandemia, nos adaptamos com estratégias a fim de assegurar que o paciente não ficasse desassistido, bem como garantir o vínculo estabelecido entre o serviço e o paciente”, declara a diretora de Saúde Mental, Rita de Cássia Bittencourt Stella.

Além do complexo que abriga os três CAPS, o atendimento com a especialidade de Psiquiatria  acontece nas UBSs Drª Katia Kohler, no Engenho Novo;  Hermelino Liberato Filho, no Jardim Belval; Amaro José de Souza, no Jardim Mutinga; Vince Nemeth, no Jardim Audir; e na Edini Cavalcante Consoli, no Jardim Tupan.

No Dia dos Avós, HMB explica como manter a saúde mental dos idosos

80% dos pacientes da hemodiálise são idosos

Na hemodiálise, alternativas práticas como estimular a leitura e a pintura ajudam a diminuir sentimentos de ansiedade e depressão

Nesta segunda-feira (26/7) é celebrado o Dia dos Avós e o Hospital Municipal de Barueri Dr. Francisco Moran (HMB) aproveita a data para reforçar a importância dos cuidados com a saúde mental dos idosos, especialmente no cenário de pandemia. 

Assim que a Covid-19 foi identificada, a recomendação das autoridades de saúde foi que as pessoas idosas, ou seja, com mais de 60 anos, deveriam ficar em completo isolamento social, afinal, é o público mais vitimado pela doença de forma grave e até faltal. E diante de poucas explicações e tantos fatores ainda desconhecidos, os idosos foram as primeiras pessoas a sofrerem com esse distanciamento social.

Apesar de necessária, essa medida trouxe consequências para a saúde mental. “Cerca de 45% dos nossos pacientes da hemodiálise são idosos e pudemos identificar, logo no início da pandemia, muitos desses pacientes com sentimentos de tristeza, desânimo, falta de energia, pensamento negativo, falta de esperança, angústia, alteração de sono e apetite, falta de perspectiva, além de agravamento de quadro depressivo”, explica Dariane Batista, psicóloga responsável pelo setor. 

Apesar de esses sentimentos serem esperados diante do impacto gerado pelo distanciamento social, a assistência especializada é essencial para avaliar a evolução do quadro. “Todos os pacientes da hemodiálise fazem acompanhamento psicológico de acordo com a necessidade apresentada. Alguns casos precisam de consultas mais de uma vez na semana, e outros, apenas a cada quinze dias. Esse acompanhamento permite elaborar o melhor recurso terapêutico para o paciente. É possível identificar se há necessidade de encaminhamento para o psiquiatra ou se o desenvolvimento de atividades prazerosas serão suficientes para amenizar esses sentimentos. 

Algumas alternativas para manter ou resgatar a saúde mental são tarefas que ocupem o tempo livre dos idosos e também tenham alguma finalidade, por exemplo, praticar exercícios físicos, ter uma alimentação balanceada, exercitar a leitura e a pintura e até mesmo plantar. “É importante buscar maneiras que façam o idoso se sentir útil em casa, como montar uma horta e deixá-lo responsável por cuidar diariamente dela. Além de incentivar o exercício da espiritualidade, já que alguns estudos apontam que quem tem pensamento positivo reage melhor às adversidades da vida, e hoje em dia há missas ou encontros on-line e cultos nas rádios”, comenta a psicóloga. 

Vale lembrar que, na prática, todos os parentes podem contribuir para a saúde mental das pessoas mais velhas da família. É sempre importante reforçar os motivos necessários para o distanciamento, acolher os sentimentos de medo e angústia e observar quando é preciso pedir ajuda de um profissional.  “Precisamos compreender que esse isolamento social não precisa ser isolamento emocional. Os idosos podem receber contato humano por meio de telefonemas ou vídeo chamadas para reconhecer o acolhimento familiar, além de se sentir assistido e amado pela família”, finaliza Dariane.