Sobre articulação do tornozelo

É comum atletas de elite terem que fazer a substituição das articulações do joelho ou quadril por próteses devido ao desgaste. Em 2013, o ex-tenista Gustavo Kuerten fez uma cirurgia para colocar uma prótese no quadril. No mesmo ano, a ANVISA autorizou a comercialização das próteses de tornozelo no Brasil.

A substituição total do tornozelo já está disponível há mais de 30 anos, mas os projetos iniciais foram fracassados. Na década de 70, as substituições de tornozelo foram apontadas como promissoras, mas raramente foram realizadas devido à sua elevada taxa de insucesso na década de 80. Recentemente, as substituições de tornozelo voltaram definitivamente.

Segundo a Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (AAOS), os primeiros projetos de substituição de tornozelo tinham apenas dois componentes e cimento ósseo era necessário para mantê-los na posição correta. Projetos mais recentes não necessitam de cimento, em vez disso, o osso cresce na prótese do tornozelo, semelhante às do joelho e do quadril.

Quais as indicações para fazer a prótese do tornozelo?
Casos graves de artrite e artrose, de origens traumáticas, reumatológica ou até mesmo degenerativas com dor e evolução avançadas sem melhora com os tratamentos convencionais e conservadores. A outra opção cirúrgica é a fusão do tornozelo (artrodese), com a qual perde-se os movimentos.

A vantagem da substituição do tornozelo pela prótese é que permite manter a mobilidade e o movimento articular no tornozelo. A desvantagem é que nem todo paciente é um candidato apropriado para a substituição do tornozelo.  Colocar a prótese não é a opção ideal para pacientes com tornozelos severamente deformados ou instáveis. Discuta as opções com seu médico.

Para o atleta, a vantagem da substituição sobre a fusão é a preservação do movimento do tornozelo. No entanto, uma substituição do tornozelo não deve, de forma alguma, ser comparada a uma substituição do joelho, que é uma das operações mais bem-sucedidas em cirurgia ortopédica.

As próteses para esta operação passaram por uma grande evolução ao longo dos anos. Alguns implantes mais antigos foram retirados do mercado pelo FDA, devido à preocupação de afrouxamento dos implantes. Os implantes mais novos não têm os defeitos dos produtos anteriores. No entanto as preocupações sobre a longevidade destes implantes ainda existem, e não há estudos a longo prazo para demonstrar a longevidade do procedimento. Portanto, as atividades esportivas após uma cirurgia como a de substituição do tornozelo estão liberadas, de preferência as sem impacto – como a natação, hidroginástica, pilates e bicicleta – pois ainda não há como fazer o prognóstico de durabilidade das mesmas.

Ana Paula Simões é Professora Instrutora da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e Mestre em Medicina, Ortopedia e Traumatologia e Especialista em Medicina e Cirurgia do Pé e Tornozelo pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. É Membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia; da Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé, da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte; e da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte.

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