Regina Duarte deixa governo e vai assumir Cinemateca

Depois de menos de três meses de governo, a atriz Regina Duarte vai deixar a Secretaria de Cultura, subpasta que integra o Ministério do Turismo. Pessoas ligadas ao governo Jair Bolsonaro, como o filho Eduardo ou a deputada federal Carla Zambeli, publicaram atualizações em suas redes sociais, indicando que a Regina Duarte vai assumir a Cinemateca Brasileira, na Vila Mariana.

A Cinemateca vem enfrentando uma crise desde 2013, que se agravou nos últimos meses. Até agora, nenhuma parcela do orçamento 2020, cujo montante é da ordem de R$ 12 milhões, chegou até a unidade. A comunidade local e também pessoas ligadas ao setor audiovisual estão divulgando e pedindo apoio a um abaixo assinado virtual.

A situação do espaço cultural, que ocupa um prédio histórico no bairro e que abriga o maior acervo audiovisual da América Latina, é matéria de destaque da edição dessa semana do Jornal São Paulo Zona Sul.

Alvo de muitas críticas por parte da classe artística, que não se sentiu representada ou defendida pela atriz, ela já vinha desgastada no cargo. Recentemente, após uma entrevista ao canal de notícias CNN, em que ficou nervosa e se recusou a ouvir um depoimento da atriz Maitê Proença e de responder a perguntas dos entrevistadores, a situação ficou ainda mais delicada. Na ocasião, ela também negou que deixaria o governo federal, a menos que fosse essa a vontade do presidente.

A atriz, que também foi criticada por ficar pouco em Brasília, alega que deixou o governo por querer ficar mais em São Paulo, onde mora e tem família. Durante seu mandato, pouco se comunicou com o público ou sua categoria: não apresentou nenhum plano para a Cultura, não apresentou notas lamentando a morte de figuras expoentes da arte brasileira como o escritor Rubem Fonseca, o cantor Moraes Moreira ou o compositor Aldir Blanc.

Regina Duarte deve ser substituída pelo também ator Mario Frias, que está hoje em Brasília negociando com o presidente Jair Bolsonaro.