Morte assistida

Vale a pena ter a vida prolongada quando alguém deseja morrer? Essa é a questão central do ótimo filme ‘Euphoria’, dirigido pela sueca Lisa Langseth, com duas das melhores atrizes de sua geração: Alicia Vikander, já premiada com Oscar de Atriz Coadjuvante e também produtora deste filme, e Eva Green.

A irmã mais velha, com câncer, após diversas cirurgias e desesperançada pelos médicos, leva a sua irmã, fotógrafa de sucesso, mas em baixa na carreira, para uma espécie de spa na Europa, onde pessoas pagam para passar seus últimos momentos da forma que desejarem antes de tomarem uma bebida que as mata.

Separadas por muito tempo, mas com memórias em comum, as moças travam diálogos poderosos que dizem muito sobre aquilo que somos ou o que julgamos ser. Isso inclui a presença iminente da morte, batendo à porta como convidada de uma vida que não é exatamente uma festa.

Personagens coadjuvantes do local, também passando seus últimos dias de existência, também ajudam a pensar melhor sobre a morte física e mental, sobre os excessos cometidos em nossa jornada e sobre o papel da arte no lidar com o direito de viver e de morrer. O excelente trabalho das atrizes e a densidade das perguntas levantadas faz valer a pena mergulhar numa atmosfera densa no conteúdo, mas tratada com admirável delicadeza e sensibilidade.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

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