Indústria elabora pauta para reuniões com o ministro da Economia

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Defesa do setor no contexto da reforma tributária, competitividade,
Refis e medidas necessárias à retomada do crescimento exige união dos
empresários e das suas entidades de classe.

  Rafael Cervone, vice-presidente da Federação e Centro das Indústrias
do Estado de São Paulo (FIESP/CIESP), anunciou hoje (1/07) um
cronograma de trabalho com o ministro Paulo Guedes, da Economia, e a
equipe da pasta, para equalizar a defasagem de competitividade da
indústria nacional. Ele deu a informação em reunião virtual com
industriais de Barueri, Carapicuíba, Jandira, Itapevi, Pirapora do Bom
Jesus, Osasco, Santana de Parnaíba, Araçariguama, Cotia, Embu, São
Roque, Taboão da Serra e Vargem Grande Paulista.

  Essa questão do Custo Brasil é prioritária, afirmou Cervone,
argumentando que “produzir e operar no País supera em R﹩ 1,5 trilhão
por ano, o equivalente a cerca de 22% do nosso PIB, a média das
nações da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento
Econômico)”. É o que demonstra estudo realizado pelo Boston Consulting
Group, do qual participaram diversas entidades de classe.

  Cervone, que é candidato à presidência do CIESP nas eleições da
próxima segunda-feira (5/07), também apresentou aos empresários a
plataforma de trabalho da Chapa 2, pela qual concorre, intitulada 5G:
Gente; Gestão; Governança com Responsabilidade Social e Ambiental
(ESG);Globalização; e Gosto intitulada de 5G, numa analogia com a nova
tecnologia que revolucionará o ambiente de negócios. Salientando que a
pandemia acelerou o processo de transformações da economia e do
surgimento de soluções disruptivas, acentuou que “nossa entidade tem a
missão de apoiar as empresas nesse processo, contribuindo para o
aumento da produtividade e competitividade do setor”.

  Defesa da indústria

  O empresário Fábio Starace Fonseca, de Osasco, comentando o
estabelecimento do cronograma de trabalho com o Ministério da Economia,
perguntou sobre as perspectivas de que a interação com o poder
público reverta-se, em termos práticos, no aumento da competitividade
da indústria. Cervone respondeu que já tem sido realizado trabalho
forte nesse sentido, que será ampliado e incansável. “Estamos
demonstrando às autoridades, com dados concretos, que nosso setor não
pode pagar um terço dos impostos no País, representando hoje apenas
10,8% do PIB”.

  Um dos estudos já entregues demonstra que só os países que elevaram
a participação da indústria no PIB acima de 20% conseguiram aumentar
o patamar de renda da população. “Precisamos e vamos fazer muita
pressão no Congresso Nacional para reverter o aumento do Imposto de
Renda recém-anunciado, bem como para evitar que a nova Contribuição
Social sobre Movimentação de Bens e Serviços (CBS) seja de 12%. Já
encaminhados aos presidentes da Câmara e do Senado, assim como ao
Ministério da Economia, um detalhado trabalho, mostrando que o ponto de
equilíbrio é de 8,3%”, disse Cervone. E destacou: “Também estamos
demonstrando a todos que cada 1% de carga tributária reduz em 0,5% a
produtividade industrial”.

  Cervone lembrou que um exemplo de resultados práticos da mobilização
das entidades de classe foi a vitória, que teve forte participação da
FIESP e do CIESP, na retirada do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins,
uma longa batalha. “Do mesmo modo, ficamos felizes ao receber a
informação do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), em live
que realizamos com ele na quarta-feira (30/06), de que o projeto do novo
Refiz, de autoria dele, abrange o período pré-pandêmico, no qual a
economia brasileira já enfrentava forte retração”.

  Quando presidiu o Sinditêxtil-SP (Sindicato das Indústrias de
Fiação e Tecelagem do Estado de São Paulo), relatou Cervone, o setor
conseguiu reduzir a alíquota do ICMS de 12% para 7%. “Com isso, a
receita total desse imposto no setor cresceu 8%. Mostramos isso ao
governo paulista à época, provando que carga tributária menor aumenta
a produção e a base arrecadatória, conforme estamos discutindo neste
exato momento com autoridades do Executivo e do Congresso Nacional”,
revelou, informando sobre outra frente atual de luta: “Apresentamos
denúncia na Receita Federal e no Ministério da Economia sobre a
sonegação que ocorre hoje com empresas informais utilizadoras de
maquininhas de cobrança, que não passam pelo sistema bancário.
Trata-se de uso da tecnologia a favor do crime”.

  Força e representatividade setorial

  O empresário Sérgio Marchesi, de Osasco, observou ser importante a
presença frequente do presidente do CIESP nas ações e eventos da
entidade em todo o Estado, para ampliar cada vez mais a força da
representatividade. Nesse sentido, Cervone lembrou ter sido conselheiro
e diretor da Regional de Santa Bárbara d´Oeste, sua cidade, sentindo
na prática essa necessidade. Por isso, frisou, “faremos reuniões
itinerantes sistemáticas. A entidade foi muito eficiente até aqui, mas
precisamos construir juntos um novo modelo adequado às transformações
do Brasil e do mundo, o que somente será possível com o fortalecimento
das regionais e participação de todos”.

  Cervone reiterou o significado da força institucional e de
representatividade da indústria, ao responder questão sobre logística
apontada pelo empresário Moacyr Felix, de Barueri, que fez referência
à anunciada expansão da Rodovia Castello Branco. “Isso será
importante para a indústria da região e do Estado, mas ainda
precisamos avançar bastante nos transportes e fretes, que têm peso
relevante nos nossos custos”, ponderou o dirigente, dando um exemplo do
setor têxtil e de confecção: “Hoje, é mais barato trazer para São
Paulo um fardo de algodão do Egito do que da Bahia”.

  Considerando todos os desafios a serem enfrentados pela indústria,
neste momento decisivo de reformas tributária e administrativa,
votação do Refis, redução do Custo Brasil e políticas eficientes
para a retomada econômica, Cervone enfatizou o significado da unidade
da indústria, fortalecendo sua representatividade e força de
negociação com o poder público.

  Tal sinergia está presente na composição feita, a pedido das bases
empresariais, para as eleições de segunda-feira (5/07): a Chapa 2 do
CIESP tem Rafael Cervone como presidente e Josué Gomes, primeiro-vice.
Na chapa única da FIESP, as posições invertem-se. Está garantida,
assim, a união e coesão das entidades na defesa do setor.

  Cervone ressaltou, também, que a Chapa 2 do CIESP tem
representatividade nos 42 departamentos regionais. Conta com número
expressivo de mulheres e jovens empreendedores e 52% dos seus membros
não têm qualquer participação na atual gestão, num processo
equilibrado de renovação. Dentre todos os integrantes, 78% são do
Interior. Há, ainda, a presença de empresários de todos os segmentos
e portes de indústrias.