Fios, linhas, rendas, fibras: exposição EntreMeadas apresenta produção de artesãs de diferentes regiões do estado de São Paulo

Crédito: Mariana Chama

Cerca de 60 obras inéditas de artesãs de todo o estado de São Paulo compõem a exposição EntreMeadas, que será inaugurada em 15 de outubro, às 19h30, no Sesc Vila Mariana, com intervenção do coletivo Rendeiras da Aldeia (Carapicuíba). 

Idealizada pelo Sesc São Paulo, com curadoria da crítica e historiadora do design Adélia Borges, a mostra dá destaque ao artesanato brasileiro feito por mulheres e valoriza o patrimônio cultural ao reunir o trabalho de artesãs e coletivos de 14 cidades paulistas, para as quais o artesanato é um meio de expressão, de afirmação de identidade e de geração de renda. 

Com riqueza de trançados, cores e formas, a exposição apresenta obras artesanais e suas raízes, desde o material escolhido, a comunidade de origem e a artesã criadora. O trabalho de curadoria também se destaca pelo recorte geográfico. Durante o processo de pesquisa, Adélia Borges mapeou uma rica diversidade artesanal no estado, que tem como resultado uma mostra com obras feitas na capital paulista e oriundas das cidades de Carapicuíba, Atibaia, Olímpia, Cananeia, Bertioga, São Bento do Sapucaí, Miracatu, Bauru, Américo Brasiliense, Guapiara, Eldorado, Tremembé, Bertioga e Osasco. 

Produzidos em diferentes técnicas, aprendidas e transmitidas pela oralidade, os trabalhos revelam a complexidade do trançar, tecer, costurar ou bordar. Para que o público possa explorar as texturas e os materiais usados na produção dessas obras, algumas delas poderão ser manipuladas. 

As peças também suscitam uma interpretação do artesanato como frente de resistência cultural e de empoderamento, o que reforça o lugar das artesãs enquanto autoras de suas histórias. “O protagonismo das mulheres fica em evidência nessa montagem, na qual episódios de suas histórias de vida se entrelaçam às suas próprias produções artísticas”, afirma Priscila Lourenção, da equipe de programação do Sesc Vila Mariana. 

Também com o intuito de favorecer a aproximação junto ao universo do artesanato e com as artesãs expositoras, durante o período da mostra haverá uma programação integrada, que contará com bate-papos, oficinas e cursos. 

Artesanato e transformação social – Ao reunir e expor esse acervo, a mostra EntreMeadas também possibilita que associações, comunidades e artesãs tenham seu trabalho (re)conhecido pelo caráter de transformação social que imprimem em suas localidades. Um exemplo é o coletivo Mulheres Artesãs da Enseada da Baleia (Cananeia), que trabalha com a reutilização de redes de pesca de camarão. Há também obras dos quilombos Ivaporunduva e Sapatu (Eldorado) e Banarte (Miracatu), que usam as fibras das bananeiras como matéria-prima para suas criações – isto possibilita o aproveitamento integral da planta e evita o desperdício. 

Há grupos que utilizam os trabalhos têxteis como suporte para a aproximação e comunicação. O Piradas no Ponto, por exemplo, reúne-se mensalmente no Parque Trianon, na Avenida Paulista, no que define como um “uso poético do espaço público”. Seus bordados contam narrativas e em vários casos problematizam situações para reflexão e discussão, como os desastres ambientais de Mariana e Brumadinho. 

Rendeiras de Aldeia, iniciativa criada a partir de um curso de alfabetização em Carapicuíba, possibilita que mulheres usem suas memórias e técnicas manuais para a geração de renda. Destaque para Wilma de Fátima da Silva, uma das rendeiras que levou a Renascença (bordado feito em círculos que irradia por tecidos) para o grupo e ganhou o prêmio de Mestre da Renda Renascença pelo Ministério da Cultura. O grupo, inclusive, apresenta-se na abertura da exposição EntreMeadas com a intervenção Cantos de Trabalho do Fiar, Tecer, Coser, Bordar e Rendar. Os cantos de trabalho fazem parte da tradição de comunidades de muitos lugares e seu repertório musical é movido pela gestualidade e ritmo do trabalho. 

Adélia Borges, que assina a curadoria da mostra, tem uma relação estreita com o artesanato: aprendeu a bordar com o grupo mineiro Matizes Dumont e realizou exposições e palestras, no Brasil e mundo, sobre a linha tênue entre o design e o artesanato. Em seu currículo acumula 40 exposições e 16 livros, entre eles Design + Artesanato: O Caminho Brasileiro (2011), no qual traça um panorama da revitalização recente do objeto artesanal brasileiro. 

Programação completa em: sescsp.org.br/vilamariana 

_Exposição EntreMeadas – Livre | Grátis Abertura: 15 de outubro de 2019, terça, às 19h30 Visitação: 16 de outubro de 2019 a 9 de fevereiro de 2020 Terças a sextas, das 10h às 21h30 Sábados, das 10h às 20h30; domingos e feriados, das 10h às 18h30 Local: Térreo (Torre A) Agendamento de grupos: agendamento@vilamariana.sescsp.org.br 

_Cantos de Trabalho do Fiar, Tecer, Coser, Bordar e Rendar Com as Rendeiras da Aldeia – Dia 15 de outubro, às 20h Local: Praça de Eventos Livre | Grátis 

Sesc Vila Mariana | Informações 

Horário de funcionamento da Unidade: Terça a sexta, das 7h às 21h30; sábado, das 9h às 21h; e domingo e feriado, das 9h às 18h30 

Central de Atendimento: Terça a sexta, das 9h às 20h30; sábado, domingo e feriado, das 10h às 18h30 

Estacionamento: R$ 5,50 a primeira hora + R$ 2,00 a hora adicional (Credencial Plena: trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes). R$ 12 a primeira hora + R$ 3,00 a hora adicional (outros). 111 vagas. O estacionamento conta com bicicletário gratuito. 10 vagas.

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