“Encontrei a cidade sem crédito em lugar nenhum e com a frota de carros sucateada, tive até que dar cheque pessoal como garantia para os médicos”

8.1_bananinhaJosé Carlos Alves (PT), o Bananinha. Foi prefeito da cidade de Pirapora do Bom jesus de 2008 a 2012. Em busca da reeleição ficou em segundo lugar já que Raul Bueno teve seus votos zerados pela justiça eleitoral. Afastado da política pretende voltar em outro momento já que avalia de forma positiva sua administração que foi prejudicada pelas dívidas deixadas pelo seu antecessor. Bananinha teve todas as suas contas aprovadas pelo tribunal de Contas do Estado de São Paulo.

1 – Como encontro a prefeitura assim que assumiu?
R: A cidade estava um caos. Encontramos uma frota de carros sucateada, não tinha credito em lugar nenhum. Precisei dar cheque pessoal como garantia, para médicos fazerem o plantão diário. Não tinha medicamentos. Fomos aos poucos resgatando a credibilidade. Não foi fácil, pois assumimos uma dívida de mais de 30 milhões. A cidade estava praticamente quebrada.

2 – E no decorrer da administração houve tentativa de regularizar essa situação das dívidas?
R: Sim, conseguimos que um auditor do Ministério da previdência viesse à Pirapora a fim de analisar as contas do instituto de previdência, onde resultou numa proposta de parcelamento da dívida que regularizava a situação com o Governo Federal, no entanto apareciam novos débitos da administração anterior. A cada seis meses quando pensavamos que estava tudo certo, surgia novas dívidas, para ter uma ideia, tinham dívidas ligadas a obra de asfalto no Payol, projeto Guri e multa com a Cetesb. Isso tudo interfere na gestão. Isso trouxe atraso para a nossa cidade.

3 – Você recebeu a prefeitura quebrada, mas como você entregou a prefeitura?
R: Eu entreguei diferente de como recebi, tanto é que algumas obras que o Gregório está executando foram consequências das nossas conquistas. Para o Gregório tocar essa administração deve está sendo difícil também, porque eu renegociei as dívidas dos governos anteriores mas ele também deve estar pagando essa conta.

4 – O que o governo anterior ao seu poderia ter feito para não prejudicar a cidade de Pirapora?
R: Eles poderiam ter pago essas dívidas que deixaram. Foram 16 anos de governo que quebrou a cidade. Quando governaram poderiam ter quitado essa dívida, porem deixaram uma divida impagável para Pirapora. Um exemplo é o uniforme escolar de 2006 que eu tive que pagar em 2010 e ainda comprar o de 2010, enfim, além da cidade ficar três anos sem uniforme, eu tive que pagar a conta de 2006.

5 – Como foi a relação com a Câmara Municipal no período de seu mandato?
R: Foi boa, eles cobravam o que tinha que ser cobrado e votavam a favor de projetos importantes para cidade. Quem atrapalhou realmente foi a oposição, que não deixava trabalhar e fazia oposição sistemática discordando e tentando prejudicar tudo que era bom para a cidade.

“Toda vez que terminava de negociar um dívida aparecia outra e assim foi todo o meu mandato.”

6 – Você acha que houve uma manobra do PSDB local junto ao Governo do Estado para prejudicar o seu governo que era do PT?
R: O Governo do Estado foi muito bom para Pirapora, o que foi pedido para o governador foi atendido, se a documentação estava em ordem ele liberava. O PSDB local até tentou interferir, mas o governo do estado não aceitou. O que dificultou mesmo foram as documentações que nunca estava em dia devido as dívidas.

7 – Como você avalia hoje o atual governo, agora que você adquiriu experiência no executivo?
R: Na minha opinião o atual governo está no caminho certo. Porque ele deu andamento na organização que fizemos. Pirapora caminha para que no futuro seja uma cidade independente, porém o Gregório tem que ter paciência porque os recursos são demorados para serem liberados e isso acontece justamente no ultimo ano de governo.

8 – A maioria dos prefeitos inauguram obras no ano eleitoral. Com você não foi diferente. Por que isso acontece?
R: Você nunca consegue fazer nada no primeiro ano por causa das dividas deixadas e do orçamento planejado pelo governo anterior. Até você organizar tudo, você leva dois anos. A partir disso consegue receber recursos do Estado. Essa atual administração deve ter começado a receber os recursos somente agora. Do pedido aprovado até o deposito dos recursos são quase um ano de espera. Não se faz obra eleitoreira, é que o processo é muito burocrático mesmo.

9 – Você pretende voltar à política?
R: Sempre temos vontade de voltar, mas não agora. Ficar a frente da prefeitura ampliou o meu conhecimento e hoje me sinto mais preparado para um retorno a política. Aprendi a não confiar em qualquer pessoa que bate em suas costas, mas o meu projeto político pretendo coloca-lo em prática em outro momento.

“A população escolheu o Gregório porque não sabia a situação que eu encontrei a cidade.”

10 – Você considera que houve uma boa sucessão após o seu governo?
R: Sim, o Gregório apenas deu continuidade ao que começamos, ele fez gestão com aquelo que ajustamos. Um mandato é pouco para você fazer o que a cidade precisa, se eu tivesse sido reeleito estaria fazendo um bom governo agora, considero que o atual prefeito está usufruindo daquilo que plantamos, mas isso é bom para cidade então eu fico feliz porque eu amo Pirapora independente de quem governa.

11 – O que avalia de positivo no seu governo?
R: Onde tem recurso vai bem, é o caso da educação e saúde. Conseguimos ampliar e regularizar o atendimento da saúde e fizemos boas mudanças na educação. Na geração de renda e emprego trouxemos novas empresas para Pirapora, e isso contribuiu com o crescimento da nossa cidade. A secretaria de obras também é um orgulho, pois deixei muitas obras pela cidade.

12 – Qual outro setor da administração colheu bons resultados?
R:A promoção social com a primeira dama Benedita Alves (Benê), pois todas as pessoas que a procuravam eram atendidas independente do problema, pois ela fazia com amor.

13 – Como você avalia então o resultado que obteve nas urnas?
R: Como a população não sabia a situação da cidade eles escolheram o que acharam melhor e naquele momento o Gregorio foi o escolhido. Porém o importante é que a população não escolheu voltar ao passado, o passado deve ficar lá pois foi maléfico a cidade.

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