Dilemas do mercado de arte

Para alguns, os artistas se colocam em dois grupos: o dos inseridos no mercado de arte e o dos intelectualizados não-inseridos. Os do primeiro grupo estariam voltados apenas em ter sucesso comercial. Qualquer pesquisa estaria voltada para o lucro – e, naturalmente, essa riqueza resulta em poder.

A pesquisa estética desse grupo estaria voltada para gerar produtos belos, ou seja, facilmente consumíveis, dando ao artista visibilidade e nome no mercado. Feito esse nome, a qualidade ficaria em segundo plano, pois o consumidor estaria adquirindo a assinatura e não a imagem que visualiza no quadro.

A partir do momento que esses artistas deixariam pesquisas individuais de lado em nome do mercado, sacrificariam sua arte e se “venderiam” enquanto artistas. Se fizessem sucesso enquanto oposição ao mercado, seria somente enquanto tivessem uma certa “autorização” do sistema para se manter ativos e produtivos.

Esse raciocínio joga o criador, para ser autêntico, numa romântica marginalidade, ou seja, ele só poderá ter qualidade se estiver à parte do sistema, o que significa mergulhar num sofrimento sem fim. Será que necessariamente precisa ser assim, ou seja, a qualidade e o sucesso estariam necessariamente ligadas à superficialidade? Para pensar..

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Oscar D’Ambrosio, Doutor em Educação, Arte e História da Cultura e Mestre em Artes Visuais, atua na Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp.

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