Diásporas, novo trabalho da Cia Elevador de Teatro Panorâmico, dirigido por Marcelo Lazzaratto, estreia dia 11 de maio no Sesc Pompeia.

Foto: Joao Caldas Fº

Com 45 atores em cena, música ao vivo e dramaturgia de Cássio Pires, “Diásporas”lança um olhar sobre os deslocamentos populacionais criando três povos fictícios pertencentes às culturas do Mar, da Montanha e do Deserto

Concebido e dirigido por Marcelo Lazzaratto, DIÁSPORAS foi criado a partir do pensamento sobre os movimentos migratórios da história mundial, que nesse mundo globalizado sacodem as estruturas, ressignificam geografias e territórios, trazem para a agenda dos governantes e empresários dos conglomerados financeiros, para os intelectuais de diversas disciplinas, para os artistas e cidadãos de todo o mundo o complexo debate entre identidade e alteridade.

Porém, a maior preocupação da Companhia foi não representar ou falar em nome de nenhum povo específico ou de alguma diáspora que aconteceu historicamente. “As questões de cada cultura são muito delicadas e complexas, dependentes de um conhecimento de causa que jamais teríamos a pretensão de abarcar.Nosso objetivo inicial foi olhar para um tempo passado, onde a interação direta com a natureza estruturava maneiras de pensar e agir dos agrupamentos humanos, criando três culturas fictícias que pertencem ao Mar à Montanha e ao Deserto” explica o diretor.

Lazzaratto convidou duas jovens companhias para fazerem parte do elenco e somar os 45 integrantes que o projeto pede. São elas aCia. Histriônica de Teatro e Os Barulhentos, que trataram das questões dos imigrantes e refugiados em seus trabalhos mais recentes. O elenco ainda conta com ex-integrantes da Cia. Elevador que fizeram parte do coletivo nesses 17 anos de história. O cenário e o figurino são assinados por Chico Spinosa e a música executada ao vivo pelos atores é composta por Greg Slivar, que também está em cena para executar a trilha juntos com os atores.

A encenação – O Mar, a Montanha e o Deserto
O espetáculo Diásporas contará com 45 atores e o compositor da trilha. Esse número vem da necessidade de colocar na cena grandes coletivos que se movimentam livremente.

Toda a equipe de criação, atores, músicos, figurinista, cenógrafo, maquiador, iluminador e diretor conceberam 3 povos, – 3 culturas – com 15 atores cada, que se movimentam pelo espaço cênico em Campo de Visão revelando estas culturas através de ritmos, musicalidade, simbologias, padrões de movimento, língua, gestualidade.

“Diásporas pretende ser um espetáculo em que elementos fundadores dessas três culturas nasçam da relação com ambientes geográficos distintos e contundentes: temos uma cultura que nasce na Montanha, uma outra no Mar e ainda outra no Deserto. O Vento, elemento símbolo da polinização e dispersão e pertencente indistintamente em cada uma dessas regiões geográficas é o conceito que rege toda a encenação”, conta Marcelo Lazzaratto.

O espetáculo se estrutura em três atos:

Ato I – Mito de origem – nascimento e instauração de cada uma das três culturas.

Ato II – Cataclismos e/ou guerras promovem a saída de cada cultura de seu ambiente de origem, iniciando o processo diaspórico.

Ato III – Encontro entre os indivíduos das culturas em um local não pertencente a eles: tensão e alteridade.

Movimentos populacionais poderão ser vistos na cena, tendo o Campo de Visão como estruturador dessas ações e, aos poucos, através de dinâmicas regidas pela encenação e dramaturgia, esses “povos” se encontrarão e passarão a interagir tencionando relações e assimilando características.

“Se historicamente as diásporas acontecem motivadas por algo negativo àquela sociedade, não necessariamente a conclusão do seu movimento será negativa. A dispersão, inúmeras vezes, proporciona intersecção de culturas, miscigenação, diversidade cultural e convívio com as diferenças… e a esses aspectos a encenação está atenta e disposta a revelar”, completa o diretor.

Sinopse
Diásporas apresenta três histórias sobre três povos fictícios. Em uma aldeia montanhesa, uma suspeita sobre a real existência de um de seus habitantes abre uma série de acontecimentos que alterará para sempre o modo de vida do pequeno povoado. Em uma ilha, uma tribo liderada por mulheres se vê às vésperas de ser deslocada para um continente. Por fim, em um território desértico, duas dissidências de um mesmo povo travam uma guerra de longa data, repleta de consequências. Ao aproximar as três histórias, os deslocamentos de seus personagens nos lançam interrogações sobre os movimentos migratórios.

Sobre a C i a. Elevador

A Cia. Elevador de Teatro Panorâmico é um núcleo permanente de investigação em linguagem teatral criada em 2000, propondo a junção da verticalidade da pesquisa com a horizontalidade de sua abrangência ao público. Ao longo de sua trajetória de pesquisa estética, trouxe à cena peças que dialogam com questões inerentes ao homem contemporâneo, tais como a procura de si mesmo, a desconstrução de realidades e fragmentação da memória, o limiar entre arte e realidade, entre cotidiano e criação. Em 2010, em comemoração aos 10 anos, a Cia. pesquisou o universo shakespeariano e montou uma comédia em que a crença na relação entre o Homem e a Natureza e o convívio com as diferenças se torna uma possibilidade real. Esta pesquisa recebeu indicação ao Prêmio Shell 2010. Em 2012, trouxe a público a versão da tragédia grega “Ifigênia em Áulis”, de Eurípides. Em “Ifigênia”, foi discutida a relação coletivo-indivíduo na sociedade atual, através do sistema improvisacional em que todos os atores sabem o texto completo, texto criado especialmente para o espetáculo pelo dramaturgo Cássio Pires, e recriam o mito no momento presente do espetáculo, que nunca será igual ao dia anterior. Em 2013, a Cia começou a pesquisar um pressuposto estético, surgido do Campo de Visão, que Marcelo Lazzaratto intitulou de “Corpo-Paisagem”, ou seja, o ator, ele mesmo uma cena, ao mesmo tempo figura e fundo; o ator enquanto um corpo-paisagem por onde passam todos os “personagens e seus lugares”, em suma. Para isso, buscaram uma dramaturgia que refletisse essencialmente esse pressuposto e escolheram “O Jardim das Cerejeiras”, de Anton Tchekhov, que estreou em março de 2014. O Último espetáculo montado pela Cia., “Sala dos Professores”, contou com dramaturgia inédita de Leonardo Cortez, estreou no início de 2016, e foi indicado aos Prêmios APCA e SHELL como Melhor Texto, e Aplauso Brasil como Melhor Elenco.

 

Espetáculos da  Cia: A Maratona Mundial de Dança, de Alexandre Mate /Uma Peça por Outra, de Jean Tardieu /A Ilha Desconhecida, adaptação para crianças de “O Conto da Ilha/ Desconhecida”, de José Saramago / Loucura, adaptação livre de diversos textos da literatura mundial / A Hora Em Que Não Sabíamos Nada Uns Dos Outros, de Peter Handke / Amor de Improviso, textos diversos da literatura / Peça de Elevador, de Cássio Pires / Ponto Zero, uma retrospectiva dos jovens das gerações de 50 até hoje / Eu Estava Em Minha Casa E Esperava Que A Chuva Chegasse, de Jean-Luc Lagarce / Do Jeito Que Você Gosta, de William Shakespeare / Ifigênia, de Cássio Pires / Jardim das Cerejeiras, Anton Tchekhov / Sala dos Professores, de Leonardo Cortez.

Sobre as C i a s. P a r c e i r a s

O projeto será realizado em parceria com duas companhias de teatro, Cia. Histriônica de Teatro e Os Barulhentos. Essas companhias foram convidadas porque recentemente desenvolveram trabalhos que tocavam na questão do imigrante e dos refugiados. A Cia. Histriônica de Teatro estreou uma adaptação livre de O Cortiço, de Aluísio Azevedo, com direção de Marcelo Lazzaratto e Gracia Navarro e, em 2014, fizeram com essa peça uma turnê por quatro cidades portuguesas, além de participações em festivais brasileiros. Os Barulhentos estrearam“Aqui estamos com milhares de cães vindos do mar” (2015), com direção artística de Rodrigo Spina, que reuniu peças curtas de Matei Visniec, sob o tema dos refugiados de guerra. Unindo forma e conteúdo, com essas parcerias, colocamos em cena três Cias., com culturas e linguagens próprias, se interseccionando, para, então, criarem juntas três culturas ficcionais que realizarão movimentos diaspóricos.

Ficha Técnica

Integrantes do Núcleo Artístico
Marcelo Lazzaratto – Diretor Artístico
Marina Vieira
Pedro Haddad
Rodrigo Spina
Wallyson Mota

Demais integrantes do projeto
Dramaturgo
Cássio Pires

Cenógrafo e figurinista
Chico Spinosa

Diretor musical
Gregory Slivar

Atores convidados
Carolina Fabri
Dirceu de Carvalho
Tathiana Bott
Rita Gullo
Carol Caetano
Maria Laura Nogueira
Thais Rossi
Alexandre Caetano
Monica Lovato
Michelle Gonçalves
Bernardo Fonseca Machado

Grupos convidados
Os Barulhentos
Cia. Histriônica de Teatro

Produção
Anayan Moretto

Direção Geral
Marcelo Lazzaratto

Serviço:

Diásporas
De 11 de maio a 4 de junho de 2017. Quinta a s
ábado, às 20h. Domingo, às 18h.

Teatro

Capacidade: 700 lugares

Duração: 2h50 (com intervalo)

Ingressos: R$12,00 (credencial plena/trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes), R$20,00 (pessoas com +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino) e  R$40,00 (inteira).

Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 16 anos.

 

Sesc Pompeia Rua Clélia, 93.
Não temos estacionamento. Para informações sobre outras programações, acesse o portal sescsp.org.br/pompeia

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