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BNCC E TECNOLOGIA PODEM IMPACTAR POSITIVAMENTE A EDUCAÇÃO


Por Paula Tomborelli

Desafios e oportunidades estão por vir no sistema educacional brasileiro. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para o ensino médio, tão discutida em debates sobre educação nos últimos anos, foi aprovada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) e homologada recentemente pelo Ministério da Educação (MEC). Esta medida deve trazer impactos positivos para o ensino e aprendizado no país, a começar pela substituição do atual modelo. E o primeiro passo foi dado.

O currículo do ‘Novo Ensino Médio’ deverá ser composto por até 60% de conteúdos previstos pela BNCC e 40% por itinerários formativos – optativos, conforme a oferta da escola e interesse do próprio aluno. Mas, o que pode mudar? A começar pela cultura educacional, estimular não somente o ensino cognitivo e intelectual, como também o desenvolvimento socioemocional, de modo que, juntas, sirvam de princípio para transmitir valores, conhecimentos e habilidades. Além disso, o principal argumento da BNCC é que o trabalho do ensino médio brasileiro não será mais aplicado em disciplinas, mas sim na resolução de problemas.

Tecnologia a favor da educação

Outra novidade prevista pela BNCC no ensino médio é que até 20% da carga horária do curso diurno poderá ser ofertada na modalidade de educação a distância, chegando a 30% no curso noturno. Este modelo está em alta no Brasil (em cursos superiores e corporativos), portanto, ter contato com os dois métodos desde cedo ajudaria os estudantes a optarem entre o presencial ou o EAD ao ingressarem na universidade. Em ambos os casos, estimular o uso de outras tecnologias seria um passo importante, pois trata-se de uma oportunidade para as escolas se adequarem a novos formatos e modernizarem seus modelos de ensino, o que proporcionaria mais igualdade na distribuição da educação.

Dentro dessas transformações sociais, um dos focos desta medida, um exemplo prático seria a inserção de temas como o trânsito nas aulas, que é a principal causa de mortes entre jovens de 15 e 29 anos no mundo – o Brasil é o quinto país com mais fatalidades no trânsito. Assim, seria possível conscientizar os jovens a terem comportamentos adequados a partir da verticalização do tema em matérias tradicionais, como física, estimulando os alunos a calcular distância entre o local de origem e o destino final; ou matemática, incluindo estatísticas sobre frotas ou números de infrações e acidentes. Já em matérias de itinerários formativos, a tecnologia seria aliada com a inclusão do simulador de direção educacional nas aulas, que estimulariam os estudantes a se comportarem com mais responsabilidade, ética e segurança, no relacionamento intersocial com o trânsito, seja como pedestre, como passageiro ou usuário de diferentes modais, como patinete, bicicleta, moto, ônibus, etc.

Afinal, educar o jovem para que ele seja um cidadão mais preparado para o mundo é fundamental. Termos essa mudança em um momento em que a tecnologia está cada vez mais acessível e inovadora, nos dá a esperança de que esse movimento pode trazer consequências positivas não somente ao futuro dos jovens, como também ao futuro do país.

O ATO JUSTO E PERFEITO DO NOVO CONDUTOR


ANTONIO CARLOS VICENTE DE OLIVEIRA
Graduado em Direito, Mediador Judicial habilitado pelo CNJ e Instrutor de Trânsito conforme Resolução nº 358/10 CONTRAN.

O exame prático de direção é último passo do processo para a primeira habilitação. Nesta fase a avaliação é vista por muitos como a mais temida e gera, sem dúvida, ansiedade mesmo nos candidatos mais bem preparados.

Por isso, desde a primeira aula, é importante que o instrutor oriente o aluno sobre tudo que o examinador do DETRAN leva em conta durante a prova. No dia do exame, é indispensável que o candidato mostre tudo que aprendeu na autoescola, na teoria, atrás do volante e, especialmente, que tem condição de manter a calma e ser responsável nas vias públicas.

É fundamental que o habilitando conheça o método do exame prático de direção veicular, conforme define o Manual dos Examinadores de Trânsito do DETRAN-SP/ 2015, para obtenção, adição ou mudança das categorias “B”, “C”, “D” e “E”, aplica-se:

“A avaliação do candidato terá por critério a pontuação negativa por falta cometida:

a. 1 (uma) falta eliminatória: reprovação;

b. 1 (uma) falta grave: 3 (três) pontos negativos;

c. 1 (uma) falta média: 2 (dois) pontos negativos;

d. 1 (uma) falta leve: 1 (um) ponto negativo.

Faltas eliminatórias

a.Desobedecer à sinalização semafórica e de parada obrigatória;

b. Avançar sobre o meio-fio;

c. Não colocar o veículo na área balizada em, no máximo, 3 (três) tentativas,13 no tempo estabelecido;

d. Avançar sobre o balizamento demarcado durante o estacionamento do veículo na vaga;

e. Transitar em contramão de direção;

f. Não completar a realização de todas as etapas do exame;

g. Avançar a via preferencial;

h. Provocar acidente durante a realização do exame;

 i. Exceder a velocidade regulamentada para a via;

 j. Cometer qualquer outra infração de trânsito de natureza gravíssima.

Faltas graves

a. Desobedecer à sinalização da via ou ao agente da autoridade de trânsito;

b. Não observar as regras de ultrapassagem ou de mudança de direção;

c. Não dar preferência de passagem ao pedestre que estiver atravessando a via transversal para onde se dirige o veículo ou, ainda, quando o pedestre não haja concluído a travessia, mesmo que ocorra sinal verde para o veículo;

d. Manter a porta do veículo aberta ou semiaberta durante o percurso da prova ou parte dele;

e. Não sinalizar com antecedência a manobra pretendida ou sinalizá-la incorretamente;

f. Não usar devidamente o cinto de segurança;

g. Perder o controle da direção do veículo em movimento;

h. Cometer qualquer outra infração de trânsito de natureza grave.

Faltas médias

 a. Executar o percurso da prova, no todo ou em parte dele, sem estar com o freio de mão inteiramente livre;

b. Trafegar em velocidade inadequada para as condições adversas do local, da circulação, do veículo e do clima;

c. Interromper o funcionamento do motor, sem justa razão, após o início da prova;

d. Fazer conversão incorretamente;

e. Usar buzina sem necessidade ou em local proibido;

f. Desengrenar o veículo nos declives;

g. Colocar o veículo em movimento sem observar as cautelas necessárias;

h. Usar o pedal da embreagem antes de usar o pedal de freio nas frenagens;

i. Entrar nas curvas com a engrenagem de tração do veículo em ponto neutro;

j. Engrenar ou utilizar as marchas de maneira incorreta durante o percurso;

k. Cometer qualquer outra infração de trânsito de natureza média.

Faltas leves

a. Provocar movimentos irregulares no veículo sem motivo justificado;

b. Ajustar incorretamente o banco destinado ao condutor;

c. Não ajustar devidamente os espelhos retrovisores;

d. Apoiar o pé no pedal da embreagem com o veículo engrenado e em movimento;

e. Utilizar ou interpretar incorretamente os instrumentos do painel do veículo;

 f. Dar partida ao veículo com a engrenagem de tração ligada;

g. Tentar movimentar o veículo com a engrenagem de tração em ponto neutro;

h. Cometer qualquer outra infração de natureza leve.”

Com relação à categoria “A” (motos) e Autorização para Conduzir Ciclomotores (ACC), o exame ocorre em pista fechada, composta por obstáculos similares aos encontrados em vias públicas. Nesse local, o candidato é observado pelo examinador desde a colocação dos equipamentos de segurança até a parada final do veículo.

Nesse passo, a ritualística para obtenção da ACC e para obtenção ou adição da categoria “A”, observa-se:

“Faltas eliminatórias

a. Iniciar a prova sem estar com o capacete devidamente ajustado à cabeça ou sem viseira ou óculos de proteção;

b. Descumprir o percurso preestabelecido;

c. Abalroar um ou mais cones de balizamento;

d. Cair do veículo durante a prova;

e. Não manter equilíbrio na prancha, saindo lateralmente dela;

f. Avançar sobre o meio-fio ou a parada obrigatória;

g. Colocar o(s) pé(s) no chão com o veículo em movimento;

h. Provocar acidente durante a realização do exame;

i. Cometer qualquer outra infração de natureza gravíssima.

Faltas graves

a. Deixar de colocar um pé no chão e o outro no freio ao parar o veículo;

b. Invadir qualquer faixa durante o percurso;

c. Fazer incorretamente a sinalização ou deixar de fazê-la;

d. Fazer o percurso com o farol apagado;

e. Cometer qualquer outra infração de trânsito de natureza grave.

Faltas médias

a. Utilizar incorretamente os equipamentos;

 b. Engrenar ou utilizar marchas inadequadas durante o percurso;

c. Não recolher o pedal de partida ou o suporte do veículo antes de iniciar o percurso;

d. Interromper o funcionamento do motor sem justa razão após o início da prova;

e. Conduzir o veículo durante o exame sem segurar o guidom com as duas mãos, salvo eventualmente para indicação de manobras;

f. Cometer qualquer outra infração de trânsito de natureza média.

Faltas leves

a. Colocar o motor em funcionamento quando já engrenado;

b. Conduzir o veículo provocando movimento irregular nele sem motivo justificado;

c. Regular os espelhos retrovisores durante o percurso do exame;

d. Cometer qualquer outra infração de trânsito de natureza leve.”

Portanto, na qualidade de representante do poder público, também cabe ao examinador exercer suas funções de acordo com os princípios da ética, civilidade, urbanidade e cordialidade perante as pessoas envolvidas direta ou indiretamente nas atividades em questão.

Nesse sentido, durante o exame, o examinador deve instruir o candidato com antecedência sobre as etapas (baliza e percurso preestabelecido), registrar as faltas no boleto de avaliação no momento em que elas acontecerem; esclarecer dúvidas sobre o percurso e repetir orientações quando necessário; apenas para as categorias “B”, “C”, “D” e “E”, manter-se dentro do veículo durante todo o exame (baliza e percurso), utilizando o cinto de segurança; acionar os pedais de freio e embreagem (duplo comando) exclusivamente em caso de erros dos condutores que colocam em risco a segurança dos participantes do exame. Se houver uma falta eliminatória ou atingir mais de três pontos, o examinador terá que assumir a condução do veículo nos casos em que o candidato não apresente condições de continuar no controle.

Segundo o Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo, o tempo máximo para realizar a baliza varia em cada categoria, para “B” (carros e veículos comerciais leves) é até cinco minutos, para categoria “C” (caminhão) e “D” (micro-ônibus, ônibus) seis minutos e para “E” (ônibus articulados, biarticulados) nove minutos. A avaliação é dividida basicamente em duas fases, estacionamento e deslocamento em via pública.

Dessa maneira, importa dizer que um dos maiores desafios para quem deseja passar na segunda prova do DETRAN, certamente, é a temida baliza. Ao estacionar corretamente, surge o primeiro sinal que pode determinar se o candidato irá passar ou não.

Em suma, no dia da prova, o candidato precisa executar o ato justo e perfeito do novo condutor, demonstrando a habilidade ensinada pelo instrutor durante as 20 (vinte) aulas, ao entrar no carro fechar a porta, regular o banco (assento e encosto) na posição adequada, posicionar todos os retrovisores corretamente, colocar o cinto de segurança, antes de ligar o veículo observar o painel, em todo percurso respeitar a sinalização e sempre usar a seta para ser aprovado.

FOCO NA AVALIAÇÃO DE IMÓVEIS

ANTONIO CARLOS VICENTE DE OLIVEIRA- Perito Avaliador de Imóveis CNAI-COFECI nº 7.225 – CRECI-SP nº 69.455-F

Referindo-se a avaliar um ou mais imóveis, para saber o valor mais próximo do justo,ocorre logo à ideia de consultar um corretor inscrito no Conselho Regional de Corretores de Imóveis. É evidente que o profissional atuante e conhecedor do mercado imobiliário é o corretor de imóveis.

Nesse seguimento, inclusive os engenheiros, quando fazem avaliações, sempre buscam as informações com corretores, imobiliárias e em seus anúncios de imóveis à venda. Ainda que as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas expressem atenção obrigatória no fornecimento de produtos ou serviços, definindo “avaliação de bens” e “laudo de avaliação” como trabalhos realizados por “engenheiros de avaliações”, diferente tem sido o entendimento do poder judiciário, por meio de diversas decisões, reiteradas e uniformes, no sentido de que é, sem dúvida, atribuição profissional dos corretores de imóveis a elaboração de avaliações de mercado.

Dessa maneira, com o foco na avaliação de imóveis e não contrariando as diretrizes emanadas da normalização das avaliações pela ABNT, o Conselho Federal de Corretores de Imóveis escolheu a denominação de Parecer Técnico de Avaliação Mercadológica para o trabalho avaliatório elaborado pelo corretor de imóveis, e por intermédio do qual expressa sua opinião em relação ao valor de mercado de um imóvel, de forma fundamentada, metódica e revestida de legalidade. Assim, o regramento da ABNT aplica-se somente aos laudos de avaliação, deixando de regulamentar a emissão de pareceres técnicos, apesar de mencioná-los.

A aptidão do corretor em avaliar imóveis, “opinar” por escrito ou verbal, é assegurada pelo artigo 3º e seu parágrafo único da Lei nº 6.530, de 12 de maio de 1978, observe:

“Art 3º Compete ao corretor de imóveis exercer a intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis, podendo, ainda, opinar quanto à comercialização imobiliária.

Parágrafo único. As atribuições constantes deste artigo poderão ser exercidas, também, por pessoa jurídica inscrita nos termos desta lei”.

Então o COFECI, visando o aprimoramento e a qualidade dos PTAM’s emitidos pelos corretores de imóveis, editou uma importante Resolução, dispondo sobre o conteúdo mínimo e a forma de apresentação desses trabalhos, e criou o Cadastro Nacional de Avaliadores Imobiliários.

Desse modo,se houver a necessidade da utilização do selo certificador do COFECI, o profissional da corretagem precisa ter o registro no CNAI, conforme dispõe o artigo 8° e seu parágrafo único da Resolução 1.066/2007, conforme segue:

“Art. 8º – Todo corretor de imóveis inscrito no Cadastro Nacional de Avaliadores Imobiliários tem direito à utilização do selo certificador, fornecido pelo Conselho Regional da jurisdição, para afixação em cada Parecer Técnico de Avaliação Mercadológica de sua emissão.

Parágrafo único – O selo certificador terá numeração individual e sequenciada, com mecanismo que permita autenticação e certificação de código de segurança.”

A inscrição no CNAI do COFECI é restrita aqueles que, além de sua formação de corretores de imóveis, participaram  de um curso de avaliação de imóveis em escolas autorizadas pelo Conselho Federal de Corretores de Imóveis, cujo conteúdo é focado especificamente na aplicação do método comparativo de dados de mercado, aliado à experiência e conhecimento desses profissionais.

Em suma, para o corretor de imóveis, a atividade de avaliação de imóveis e a inscrição no CNAI representa sua inserção num novo nicho de mercado e outra fonte de renda. Portanto, para o seu cliente, a segurança de ter uma avaliação correta, bem elaborada e representativa do real valor de mercado do imóvel, além da facilidade de encontrar, no Cadastro Nacional de Avaliadores Imobiliários do COFECI, uma relação de profissionais capacitados a realizarem essas avaliações.

 






Boas notícias para Carapicuíba

Foi com essa frase incisiva que durante o ato de lançamento da programação do aniversário de Carapicuíba, realizado dia 7 deste mês, o prefeito Marcos Neves convidava cada um dos dez deputados presentes ao evento.

“Venha fazer uso da palavra e anunciar boas notícias para Carapicuíba” dizia o prefeito convidando, nominalmente, cada deputado. Neste ato, somados os valores das emendas destinadas ao município pelos parlamentares presente, a cidade receberá investimentos de mais de R$ 10 milhões de reais para obras de infraestrutura, segurança no trânsito e saúde.

Outra notícia importante revelada pelo prefeito, deputados e o vice-governador Marcio França, também presente ao evento, foi a inauguração da primeira Policlínica de Carapicuíba, dia 24 deste mês, no parque Santa Tereza.

Neste florescer de acontecimentos e boas notícias, vale destacar dois fatos relevantes que concretizam compromissos de campanha do prefeito Marcos Neves. Primeiro: em 2016, durante a campanha eleitoral, com o intuito de enfraquecer sua candidatura, os adversários diziam que Carapicuíba não podia perder seu único deputado.

Com habilidade, Marcos Neves se defendia dizendo que, com a sua eleição para prefeito, Carapicuíba teria não apenas um, mas dezenas de deputados que investiriam na cidade. Essa projeção está sendo cumprida diante de inúmeros parlamentares que estão disponibilizando recursos financeiros para a cidade.

Segundo fato: a destinação do prédio construído com recursos federais para abrigar a unidade de pronto atendimento à saúde, abandonado há vários anos no parque Santa Tereza. Depois de um ano de avaliações e planejamento, o prefeito Marcos Neves decidiu implantar no local a primeira Policlínica de Carapicuíba, que contará com 18 especialidades médicas e equipamentos modernos para realizar diversos exames.

Que venham mais “boas notícias”! Carapicuíba e a população merecem.

 

Luiz Gonzaga de Oliveira é secretário de Desenvolvimento Econômico, Social e Trabalho de Carapicuíba.






1968 e o intolerável sofrimento humano

No conjunto das experiências históricas concretas, na década de 1960, destaca-se com nitidez a percepção e a rejeição social ao sofrimento humano. Duas Guerras Mundiais aterrorizaram o mundo, na primeira metade do século XX, com a matança programada de grupos sociais e a destruição material sem precedentes na história. Esta cruel combinação atingiu o ápice na emblemática associação proporcionada pelas bombas atômicas e o seu lançamento pelos norte-americanos sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, em 1945. O cenário de dor e de sofrimento completava-se com o morticínio nos campos de batalha e o extermínio massivo e sistemático de ciganos, deficientes físicos, doentes mentais, homossexuais, judeus, militantes anarquistas, comunistas e socialistas nos campos de concentração e de trabalho forçado.

A paz não representou o fim das causas e de supostas e alegadas necessidades de sofrimento humano. Na década de 1960, o sofrimento humano tornara-se intolerável. No ano 1968, ele foi rechaçado com clareza, vigor e criatividade em diferentes partes do globo. De um lado, a tecnologia dos meios de comunicação e de transporte aproximaram países e pessoas. As visões do sofrimento humano foram conhecidas, registradas, reproduzidas e difundidas com maior escala, rapidez, intensidade e carga dramática. De outro lado, repórteres, cinegrafistas, fotógrafos, jornalistas, escritores, artistas, poetas, cantores, turistas, radialistas e publicitários varreram o mundo e alimentaram a opinião pública com imagens, alegorias, trabalhos artísticos, gestos, atitudes, frases, observações, comentários e testemunhos de situações sociais inaceitáveis, algumas,inimagináveis.

A intolerância ao sofrimento humano e a sua percepção em escala mundial deram impulso a sentimentos humanos universais, fortalecidos pelo senso de injustiça, o desejo de sua superação e a defesa de valores e atos humanitários. A Declaração Universal dos Direitos Humanos tornara evidente esta angústia no seio da Organização das Nações Unidas, já em 1948. Em escala regional, imagens e relatos da guerra no Vietnã, da pobreza na África, da discriminação racial nos EUA, da opressão às liberdades intelectuais no bloco soviético, do desemprego e dos danos à saúde nas sociedades industriais, da repressão e da tortura sob regimes ditatoriais na América Latina, surgiam como afronta. Em escala mundial, as constantes ameaças à paz e o risco da guerra nuclear, a explosão demográfica e a poluição do meio ambiente eram resultados incontestáveis da Guerra Fria e da interdependência econômica internacional.

A intolerância ao sofrimento humano e a sua percepção em escala mundial sugeriam uma erosão do futuro. A sua retomada requeria que o mundo fosse mais humanitário. E não só, tratava-se de alcançar este ideal aqui e agora, sem contar ou esperar pela iniciativa de empresários, de homens de negócios e de governos, entregues aos seus interesses lucrativos, particulares e de poder. Em pouco tempo elevou-se a temperatura política da condenação aos padrões de sociabilidade e aos valores da sociedade industrial e de suas estruturas políticas. Trabalhadores urbanos lesados em suas condições de vida e bem estar manifestaram-se em passeatas, greves e ocupações de fábricas. Estudantes lesados em seus sonhos, comportamentos e no acesso ao mercado de trabalho reuniram-se em assembleias, festivais culturais e ocuparam escolas, universidades e as ruas.

Condenada nos corações e mentes, a sociedade industrial exibia sinais de fadiga e de esgotamento. Os impactos sobre o meio ambiente, as consequências na vida urbana, na saúde humana e nas espécies silvestres, tornavam-se evidentes. Emergiam vínculos entre interesses econômicos e violações de direitos humanos, desenvolvimento industrial no hemisfério norte e subdesenvolvimento no hemisfério sul, ostentação e arrogância dos ricos, miséria e sofrimento dos pobres.

Em 1968, conscientes de seus interesses e necessidades imediatas e futuras, senhores do dinheiro, do poder e da cultura, avaliaram as perspectivas do mundo. O relatório Limites do crescimento apontava riscos e potencialidades de reprodução social da economia industrial. Por razões distintas daquelas que debatemos hoje, constatava-se a inviabilidade e a insustentabilidade, sem mudanças drásticas no padrão de crescimento econômico mundial. Este deveria ser “congelado”, logo, de impossível realização, ou arcaríamos com o ônus de seus limites estruturais. Vivemos, nos últimos cinquenta anos, sob os altos custos sociais e ambientais desta perseverança. O lançamento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), pela ONU, em 2015, atesta o prolongamento histórico dos sofrimentos humanos, da dor e da angústia que acarretam em todo o planeta.

 

Paulo Henrique Martinez, professor no Departamento de História da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp de Assis.






Lembra do Menino Maluquinho?

Lembra do menino Maluquinho? Criado por Ziraldo em 1980, o livro é um marco com mais de 2,5 milhões de exemplares vendidos. Mas o que ele te a nos ensinar hoje? A ultima frase traz uma chave: “E foi aí que todo mundo descobriu que ele não tinha sido um menino maluquinho. Ele tinha sido um menino feliz”.

Parece que a sociedade perdeu essa capacidade de preservar a felicidade mental. É claro que problema não faltam nas nossas mentes, casas, famílias, país e mundo, mas, acima de tudo, há a ausência de encantamento no cotidiano. E cada um de nós pode retomar essa fantasia.

A proposta pode parecer ingênua – e certamente é em diversos aspectos, mas busca apontar para um dos grandes fascínios do personagem de Ziraldo, a capacidade de inventar. O polêmico filme ‘A vida é bela’, por exemplo, de Roberto Begnni, tangencia a questão de uma outra forma, é claro.

Mas existe em comum a preservação do sorriso no rosto e do coração, a capacidade de manter o deslumbramento da infância para sempre dentro de nós e a convicção de que crescer e ter dificuldades são questões que, sim, podem nos impedir de voar. A capacidade de ser felizes, mesmo quando tudo parece conspirar contra, nos salva, como aponta Ziraldo.

Oscar D’Ambrosio é Doutor em Educação, Arte e História da Cultura e Mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, onde atua na Assessoria de Comunicação e Imprensa. 






Realidade dos Direitos Humanos

O Brasil chega ao século XXI com realidades sociais que são vistas como meras abstrações. As ficções jurídicas são tidas como verdades sólidas e reais. Enquanto isso, ao passo que se luta por um equilíbrio social, com relações menos conflituosas, encontramos um cenário caótico na cidade São Paulo, a mais rica da América do Sul, uma das maiores do planeta. Na mesma região sul da cidade, encontramos o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) variando entre 0,944 – Moema, comparável à Noruega (primeiro país no ranking global) e 0,651 – Engenheiro Marsilac, similar ao Iraque (121° colocado); dados esses aferidos em 2010. Porém, de Moema a Marsilac, são cerca de 50km de distância; da Noruega ao Gabão são pouco mais de 6.800km.

Nesse contexto abissal, encontramos ainda a dificuldade em se compreender quê pessoas são amparadas pelos Direitos Humanos, que atribuem humanidade aos direitos, ao invés de serem direitos para seres humanos. Essa aparente ironia expõe uma realidade muito dispare na qual alguns pouquíssimos são tidos e tratados como sujeitos de direitos, que possuem e usam os direitos que asseguram o desenvolvimento e qualidade humanas e a casta das multidões: alheios, esquecidos e alienados dos mesmos direitos. Tais serão os que receberão a mera percepção de serem personagens de direitos: são figurantes nas relações sociais e no sistema econômico e dinâmica atuais, o ter estará à frente do ser, resultando em multidões de sub-humanos.

Mas falamos até esse ponto daqueles que a própria Constituição Federal (1988) trata como sendo humanos. Segundo seu artigo 5°, inciso I diz com clareza: “homens e mulheres são iguais […]”. Há os que defendem que o documento legal foi elaborado na ampla concepção de que ao se referir aos homens e mulheres, englobar-se-iam todas as pessoas. Não obstante, o documento que, em teoria, serviu como uma inspiração para a mesma, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, fala sempre em seres humanos e pessoa, jamais sobre homem ou mulher. O que não foi captado pelos constituintes em 1988 é atualmente uma causa de severas disputas, violências físicas, simbólicas e morte de pessoas que não estão enquadradas.

Na verdade, a pluriculturalidade brasileira é tão extensa quanto seu território e, no embate entre os interesses da indústria da cultura, das culturas de massa e da cultura popular, cabendo-nos questionar por quê motivos o Brasil segue tão apensado aos padrões arcaicos, que tiveram seu tempo e contexto, mas que não encontram mais espaço na sociedade pós-moderna. Aliás, precisamos buscar uma definição do que é cultura ou do que são as culturas que definem a identidade do povo brasileiro e de suas inúmeras populações.

Considerando o que é exposto pela teoria psicanalítica de Jung, o que poderíamos esperar de pessoas que exaltam pessoas historicamente conhecidas pelas suas práticas de abusos e violência contra pessoas durante os anos de colônia que o Brasil viveu? Na verdade, o pensamento social brasileiro está adaptado à violência, assim como estamos adaptados ao respirar, alimentar e hidratar do dia a dia. Essas necessidades inerentes ao ser humano se entrelaçam hoje com as perturbantes taxas de violência criminosa.  Os arquétipos a que Jung fez referência são basicamente as estruturas inatas que servirão de matrizes na expressão e desenvolvimento da psique humana. Mesmo sendo sistemas dinâmicos e autônomos, em alguns casos, são considerados como sistemas separados da personalidade. Assim, embora não se possa perceber precisamente a origem de certos comportamentos, pode-se perceber pelo comportamento a existência dos arquétipos. Ou seja, um país que é fundado sobre um sistema de dominação violento, transmitirá, ainda que inconscientemente esse tipo de comportamento às suas gerações.

Portanto, não é algo incomum que pessoas não ajustadas à linearidade ou homogenia sejam estrategicamente extirpadas do corpo social. Não fazem parte daquele sistema por não estarem ajustadas ao senso comum.
Dado o fato de que há uma relação quase simbiótica do Direito e todas as suas áreas com a filosofia Kantiana, não é algo incomum que mesmo os Direitos Humanos sejam seletivos quanto a que humanos ele pode atender. As questões morais se sobrepõem às relevantes proposições éticas e a consequência disso é termos, ao invés do Imperativo Categórico de Kant, o atual imperativo categorizante, que classifica e separa as pessoas segundo padrões normativos específicos e excludentes. Como são pessoas que não se enquadram na possibilidade do lobby político e econômico, sofrem as constantes violações de direitos, se é que algum dia tiveram acesso a tais. A ideologia da violência, sempre presente, desde a infância com suas imposições condicionantes, cerceiam a liberdade, exterminam a fraternidade e exaltam que só há igualdade para os iguais porque onde há diferentes, não é possível admitir os não iguais.
Consolida-se, portanto, a nossa sustentação de que os chamados Direitos Humanos atenderão apenas os que estiverem conformados às concepções sociais do que é considerado plausível ou não.

Renan Antônio da Silva: É doutorando do Programa de Pós-Graduação em Educação Escolar da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, UNESP – Araraquara. Realizou estágio doutoral com bolsa CAPES/PDSE junto ao Centro em Investigação Social (CIS/ISCTE-IUL), em Lisboa/Portugal, na linha temática Gênero, Sexualidades e interseccionalidade (2015-2016), sob processo de número 99999.006746/2015-02. É mestre em Desenvolvimento Regional, na linha temática Políticas Públicas (2014). É Cientista Social (2012), com ênfase em pesquisas antropológicas.






Como tirar suas ideias do papel e empreender ?

Muita gente quer empreender e tem várias ideias, mas inventa uma série de desculpas para não colocá-las em prática. Por que isso acontece? Quando se trata de abrir um negócio, tirar os planos do papel nem sempre é uma tarefa fácil, mas, se feito da maneira correta, pode render boas experiências.
Fazer as ideias acontecerem requer diversas considerações, porém quero elencar aqui as que considero mais importantes:
– Avalie se você tem a solução de um problema: Se o produto ou serviço que você está disposto a oferecer não resolve algum problema, ninguém compra. Empresas mundialmente reconhecidas já lançaram produtos com boas propostas, mas que não foram sucesso de vendas simplesmente porque não eram necessários para ninguém. Em casos assim, as pessoas podem até achar sua ideia legal, mas não aderem a ela. O primeiro passo, então, é encontrar uma ideia que resolva um problema e transformá-la em oportunidade.
– Divida suas ideias em partes menores: Muitas vezes, as pessoas querem fazer coisas demais. Suponhamos que alguém queira começar um negócio que produz comida para cachorro: essa ideia pode ser útil para muita gente. Mas, nessa situação, não adianta começar com dez sabores diferentes. A princípio, produzir um ou dois e trabalhar para aperfeiçoá-los é o ideal. O mesmo se aplica a diversos outros produtos e serviços.
– Faça uma pesquisa de mercado: Antes de colocar qualquer coisa no mercado, é importante conversar com seus potenciais consumidores e entender se eles realmente precisam desse negócio, se têm sugestões. Assim você refina o seu produto antes mesmo de começar a fazer e erra menos, pois já tem uma noção do que o seu consumidor precisa de verdade.
– Crie um plano de execução: Para que as coisas aconteçam de verdade, é importante encontrar pessoas que te ajudem e para as quais você possa delegar tarefas. Criar um protótipo mínimo e levantar um índice de satisfação de um grupo por meio de pesquisa são, a princípio, ações fundamentais.
– Gere tração com o público-alvo: Isso tem a ver com “empurrar” o seu produto, pensar em estratégias para vendê-lo. A maioria das empresas, especialmente as startups, não morre por falta de boas ideias, mas por falta de vendas.
Ideias, por melhores que sejam, não rendem bons resultados sem uma boa execução. Se você quer estar à frente de um empreendimento de sucesso, prepare-se para dar o primeiro passo.

Christian Barbosa é o maior especialista no Brasil em administração de tempo e produtividade e CEO da Triad PS






Intolerância nega a Democracia

Joao Baptista Herkenhoff
Não concordo com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte o vosso direito de dizê-la. (Voltaire).
François Marie Arouet, mais conhecido como Voltaire, foi um filósofo humanista francês, um dos maiores vultos do Movimento Iluminista. Amante da polêmica, algumas de suas frases, propositadamente radicais, como a que abre este texto, tornaram-se célebres.
A advertência de Voltaire é bastante oportuna no Brasil de hoje, que apresenta o quadro a seguir descrito.
Partidários de uma determinada corrente de pensamento supõem deter a verdade. Quem diverge está errado.
Os seguidores da corrente contrária também acreditam que são titulares do bom caminho, motivo pelo qual etiquetam como réprobos os divergentes.
Através da internet formam-se grupos de pressão virtual. Isto é democrático.
Quando a divergência mantém-se no debate verbal – eu sei, você não sabe – está em bom tamanho, sem maiores consequências.
Pior é a situação que ultrapassa a tertúlia da discussão civilizada.
O oponente é inimigo da Pátria, um traidor, um abutre, deve ser silenciado por bem ou por mal.
Algumas vezes, dentro de uma mesma família, ou entre vizinhos, ou entre frequentadores de uma mesma igreja, explode a ira, que não é nada santa.
Nesse clima de intolerância, está fazendo falta, na atualidade, um líder como Tancredo Neves, capaz de colocar lado a lado dois inimigos históricos, ou duas facções extremas, para celebrarem o abraço da paz.
Tancredo foi o principal protagonista da passagem da ditadura para a Democracia, no Brasil contemporâneo.
Mas, se não temos Tancredo, estamos perdidos?
Creio que não. Existe a opinião pública que pode pressionar e exigir o entendimento.
A opinião pública somos todos nós.
Podemos juntar nossas vozes, de norte a sul do território brasileiro, para expressar em pequenas reuniões (de bairros, de grupos profissionais) e através da coluna de cartas dos leitores dos jornais ou de cartas endereçadas a parlamentares, que não queremos um Brasil fratricida, mas sim um Brasil fraterno.
A fraternidade não exige a identidade de pensamento, mas sim a compreensão e o respeito entre as pessoas.
Divergência democrática é uma coisa. Fúria quase homicida, furor sem limites é outra.
A liberdade de expressar o pensamento, sem censura, sem perseguição, foi uma conquista do povo, após a longa ditadura que se abateu sobre o pais, a partir de 1964.
Deveremos celebrar a liberdade reconquistada, sem desvio de rota, ou seja, podemos opinar sem amarras mas devemos reconhecer no outro, no oposto, a mesma franquia.
João Baptista Herkenhoff, magistrado aposentado (ES) e professor.






A POLIVALÊNCIA DO CORRETOR DE IMÓVEIS

A considerável redução da quantidade de Corretores de Imóveis nos plantões de lançamentos, aguardando clientes para negociar uma proposta e servir um café, no momento é comum. Nesse sentido, com foco no empreendedorismo, a categoria tem o conhecimento que está superado à possibilidade de alguma empresa do seguimento imobiliário limitar suas atividades.

Desse modo, segundo o artigo 3º e seu parágrafo único da Lei nº 6.530, de 12 de maio de 1978, como podemos refletir:

“Art 3º Compete ao Corretor de Imóveis exercer a intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis, podendo, ainda, opinar quanto à comercialização imobiliária.

Parágrafo único. As atribuições constantes deste artigo poderão ser exercidas, também, por pessoa jurídica inscrita nos termos desta lei.”

Dessa maneira, a profissão possui amplo campo para atuação, os inscritos no CRECI podem trabalhar por conta própria ou prestar serviço em imobiliária, construtora, empresa de loteamento, banco, órgão público e judiciário. Na realidade, diante deste mercado cada vez mais competitivo, a polivalência do corretor de imóveis impulsiona o profissional da corretagem a se especializar em mais de uma das áreas disponíveis da intermediação imobiliária, podendo atuar na compra, venda, permuta, locação, administração de condomínio, avaliação e consórcio.

Cuida-se de analisar o artigo 728 da Lei nº  10.406, de 10 de janeiro de 2002, a saber:

“Art. 728. Se o negócio se concluir com a intermediação de mais de um corretor, a remuneração será paga a todos em partes iguais, salvo ajuste em contrário.”

É importante considerar a preocupação da entidade que disponibiliza inúmeros cursos e palestras aos inscritos, com o proposito de auxiliar no desenvolvimento da categoria conforme dispõe a Resolução do COFECI n.º 326/92, em especial o disposto no artigo 2º:

“Art. 2°- Os deveres do Corretor de Imóveis compreendem, além da defesa do interesse que lhe é confiado, o zelo do prestígio de sua classe e o aperfeiçoamento da técnica das transações imobiliárias.”

Portanto, como empreender faz parte do dia a dia do Corretor de Imóveis, o interessado em aprimorar o conhecimento pode participar dos eventos oferecidos gratuitamente pelo Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de São Paulo, disponíveis em sua Sede, Delegacias, TV CRECI e canais através das Redes Sociais pela internet.


ANTONIO CARLOS VICENTE DE OLIVEIRA
Perito Avaliador de Imóveis
CNAI-COFECI nº 7.225
CRECI-SP nº 69.455-F