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Morte assistida

Vale a pena ter a vida prolongada quando alguém deseja morrer? Essa é a questão central do ótimo filme ‘Euphoria’, dirigido pela sueca Lisa Langseth, com duas das melhores atrizes de sua geração: Alicia Vikander, já premiada com Oscar de Atriz Coadjuvante e também produtora deste filme, e Eva Green.

A irmã mais velha, com câncer, após diversas cirurgias e desesperançada pelos médicos, leva a sua irmã, fotógrafa de sucesso, mas em baixa na carreira, para uma espécie de spa na Europa, onde pessoas pagam para passar seus últimos momentos da forma que desejarem antes de tomarem uma bebida que as mata.

Separadas por muito tempo, mas com memórias em comum, as moças travam diálogos poderosos que dizem muito sobre aquilo que somos ou o que julgamos ser. Isso inclui a presença iminente da morte, batendo à porta como convidada de uma vida que não é exatamente uma festa.

Personagens coadjuvantes do local, também passando seus últimos dias de existência, também ajudam a pensar melhor sobre a morte física e mental, sobre os excessos cometidos em nossa jornada e sobre o papel da arte no lidar com o direito de viver e de morrer. O excelente trabalho das atrizes e a densidade das perguntas levantadas faz valer a pena mergulhar numa atmosfera densa no conteúdo, mas tratada com admirável delicadeza e sensibilidade.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

O desafio de amar

Já faz algum tempo, difícil precisar quanto, que o cinema se tornou um local para erguer as mais variadas bandeiras, desde as políticas e sociais às de gênero. E isso não constitui mal nenhum. Pelo contrário, a arte é um local onde todos devem ter voz. A única questão que surge nesse processo é que as narrativas de amor estavam meio esquecidas.

Mais uma vez, o cinema argentino dá uma prova de vitalidade com “Um amor inesperado”. O ator Ricardo Darín (sempre ele!) e Mercedes Morán interpretam um casal demais de 20 anos de casados que, vivendo um vazio existencial com a ida do filho para estudar na Europa, decide se separar.

Sem saber muito bem o que fazer com a liberdade, cada um se envolve em diversos relacionamentos, satisfatórios por pouco tempo. Mas o que está em xeque na história é o significado do amor nos anos 2000. Em tempos de Instagram e de amplas discussões sobre o corpo e o espírito, parece haver pouco espaço para o toque do abraço e do riso.

Embora possa ser considerado conservador por alguns, a proposta do diretor Juan Vera é bastante clara. Discutir relações humanas heterossexuais na faixa dos 50 anos na arte contemporânea é quase um ato revolucionário. Na verdade, o filme fala de amor. E esse tema independe do sexo e da idade de quem está amando. Nesse sentido, a obra atinge seu objetivo de mostrar que amar e conviver são desafios permanentes e que exigem capacidade de diálogo a todo momento.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Atenção na hora de escolher seu médico

Na medicina, não basta sonhar em ser, mas, sim, em sempre ser. Esse “ser” abrange muitas virtudes: ser honesto, ser cuidadoso, ser estudioso, ser atualizado, ser atencioso, ser educado, ser pontual e ser HUMANO! Ser médico vai além de ser qualquer outra coisa. Quem é ou pratica outra coisa, mesmo com CRM, pode ser tudo, menos médico. A essência (positiva ou negativa) ninguém tira e nada muda, muito menos a profissão.

Portanto, existem bons e maus profissionais em todas as áreas. Nessa semana quis falar sobre isso, pois cabe à população saber discernir o joio do trigo. O exercício da medicina é, antes de tudo, um sacerdócio! Fez parte de um juramento! Faz parte da vida e da convicção dos que a exercem com dignidade e respeito!

Sou feliz e grata pela sorte de encontrar bons e maus exemplos no meu caminho, desde o primário até a pós-graduação, e também no esteio da família. Porém mais feliz ainda por poder escolher ao lado de quem quero sempre estar e continuar aprendendo cada vez mais sobre o dom de ser médico!

O cirurgião é o mais clínico dos médicos, pois tem que diagnosticar e, se não der certo clinicamente, agimos e operamos. Somos aquele que precisa ter o discernimento de avaliar com precisão a real indicação de um evento cirúrgico e só indicá-lo quando tivermos certeza. E ainda usar os materiais que são imprescindíveis e necessários para nos auxiliar, no caso das próteses, na fixação e correção dos ossos, até mesmo sua substituição.

A trajetória como especialista em ortopedia e traumatologia deve ser, sempre foi e sempre será pautada na avaliação multidisciplinar e na indicação de um procedimento cirúrgico como última alternativa, após todas as etapas de um tratamento.

Portanto, leitor, questione caso receba indicação cirúrgica em uma primeira avaliação. Obviamente, existem os casos agudos e traumáticos que merecem intervenção imediata, mas mesmo assim questione.

Infelizmente, muitos pacientes procuram os especialistas após já terem sidos operados e apresentando “cicatrizes” irreversíveis, de difícil resolução. Por isso, mais uma vez cabe ao paciente discutir com seu médico de confiança qual o melhor tratamento, o tipo das próteses e materiais ortopédicos, e a real necessidade do uso.

Enfatizo que os métodos cirúrgicos de tratamento são importantes, sim, e necessários, desde que sejam corretamente indicados, e que o sejam somente pelas circunstâncias clínicas que os envolvem.

Desejo que os bons, aqueles que têm aquele antigo juramento em seu alicerce, consigam se sobressair e se diferenciar, e que realmente os honestos permaneçam.

Atenção nas escolhas!

Ana Paula Simões é Professora Instrutora da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e Mestre em Medicina, Ortopedia e Traumatologia e Especialista em Medicina e Cirurgia do Pé e Tornozelo pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. É Membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia; da Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé, da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte; e da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte.

Saiba por que as articulações estalam

As articulações podem fazer uma variedade de sons: estouro, estalo, crepitações, moagem, e às vezes parecem desencaixar. Já sentiu isso? Ocorre frequentemente de perguntarem no consultório o que significa. As que estalam mais comumente são as dos dedos, joelhos, tornozelos, costas e pescoço. Existem diferentes razões pelas quais essas articulações fazem esses barulhos. Aqui descreveremos as três causas mais comuns:

1 – Escapando gases/vácuo: Os cientistas explicam que temos nas articulações o líquido sinovial que age como um lubrificante. O fluido articular contém o gás oxigênio, nitrogênio e  o dióxido de carbono. Quando você estala ou dobra uma articulação, você estica a cápsula articular. O gás é liberado rapidamente já que forma bolhas com esse movimento. A fim de quebrar a mesma bolha de novo, tentamos estalar seguidamente e não conseguimos pois você tem que esperar até que os gases retornem ao líquido sinovial.

2 –  Movimento das articulações, tendões e ligamentos: quando uma articulação se move (como uma dobradiça),  algumas vezes muda o curso de algum tendão ou ligamento dependendo da angulação. Você pode ouvir um estalo quando o tendão retorna à sua posição original. Além disso, seus ligamentos podem apertar quando você mover suas articulações. Isso normalmente ocorre em seu joelho ou no tornozelo, e pode fazer um estalo.

3 – As superfícies ásperas: articulações artríticas fazem sons causados ​​pela perda de cartilagem lisa e devido a rugosidade da superfície articular começa a crepitar. Conhecemos esse processo como condropatia e, em alguns casos, o não tratamento podem evoluir para um desgaste articular severo gerando dor.

Os estalos são prejudiciais?
Se você estiver sentindo dor quando suas articulações estalam, então você deve procurar um profissional de saúde. Em termos de articulação os estalos por mais altos ou frequentes que sejam não tendem a ser ou desenvolver sinal de danos graves. Mas sabemos que todo excesso por mais que não seja doloroso pode eventualmente causar algum dano ao tecido mole da articulação devido a repetição do movimento pela articulação, mas não temos comprovação.

Portanto estalar desde que não tenha dor não é prejudicial, mas se isso for de alguma forma um vício ou válvula de escape para alguma tensão ou preocupação, devemos nos atentar sim a outras causas e procurar um especialista assim como se a sua articulação doer e inchar juntamente com os barulhos.

Ana Paula Simões é Professora Instrutora da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e Mestre em Medicina, Ortopedia e Traumatologia e Especialista em Medicina e Cirurgia do Pé e Tornozelo pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. É Membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia; da Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé, da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte; e da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte.

Descanso para os cansados

Em suas pregações Jesus convida todos que estão cansados e oprimidos a achegarem-se a Ele, para tomarem sobre si o Seu jugo e aprender com Ele, dizendo: Eu te louvo, Pai, Senhor dos céus e da terra, porque escondeste estas coisas dos sábios e cultos, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, pois assim foi do teu agrado. Todas as coisas me foram entregues por meu Pai. Ninguém conhece o Filho a não ser o Pai, e ninguém conhece o Pai a não ser o Filho e aqueles a quem o Filho o quiser revelar. Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu darei descanso a vocês. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve. (Mateus 11:25-30)

Esse convite enseja entender Jesus e sua mensagem inovadora que atualizou a lei e os profetas ao ensinar que tudo pode ser resumido na prática do amor        – amando a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo – e na imortalidade da alma, contextualizando, assim, uma perspectiva de esperança futura.

Procurar entender as lições de Jesus – sobretudo seus atos, os quais guardaram plena convergência com suas falas -, enseja uma nova expectativa existencial, pois há a superação da angústia decorrente da limitada noção de vida futura. Aquele que analisa os fatos do cotidiano sob o ponto de vista espiritual – e não meramente material – tem uma visão mais ampla, tal qual aquela pessoa que sobe uma montanha – e pode vislumbrar outros horizontes – em relação àquele que ficou fixo ao seu pé.

Procurar entender Jesus possibilita o fortalecimento da fé, que deve ser raciocinada e não simplesmente um sentimento inato, e alivia os sofrimentos da matéria porque, além de trazer consolação aos corações, gera confiança na justiça divina.

Procurar entender Jesus, tanto no aspecto moral como espiritual, ajudará no enfrentamento das vicissitudes da vida material que, aliás, nos trazem valiosos ensinamentos, bem como fortalecerá nosso espírito, porque fará de nós pessoas melhores e, portanto, mais próximas de Deus.

Enfim, aceitar o convite e procurar entender Jesus implica no fortalecimento e no entendimento da fé – reconhecida como a mãe de todas as virtudes – e, como consequência, oferece esperança no futuro e a caridade, pois encontraremos paz, sobretudo, de espírito e seremos capazes de transformar nossas vidas ao elevarmos nossos corações.

Paulo Eduardo de Barros Fonseca é vice-presidente do Conselho Curador da Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, mantenedora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Contra preconceitos

Há filmes que merecem ser revistos pelo poder que têm de revisitar uma época e, mesmo assim, permanecerem atuais sob diversos aspectos. É justamente o caso de ‘Jumpin ‘Jack Flash’ (‘Salve-Me Quem Puder’, no Brasil). Trata-se de uma curiosa mescla de comédia com espionagem de 1986 com dois destaques históricos: estrelado por Whoopi Goldberg, num de seus primeiros papeis de destaque, e dirigido por Penny Marshall, falecida em dezembro último, que realizou, entre outros sucessos, ‘Quero ser Grande’.

A obra é pioneira por apresentar o universo da computação em primeiro plano. A personagem de Whoppi trabalha num banco e usa os computadores para transmitir imensas somas de dinheiro entre instituições de todo o mundo. Irreverente, não segue as rígidas normas da empresa e tem sua comunicação invadida por um agente americano preso no Leste Europeu.

Ele deseja voltar e a funcionária americana é sua ponte de contato com o mundo ocidental, em mensagens em código e senhas criadas a partir da música “’Jumpin’ Jack Flash” dos Rolling Stones. Começa então uma trama de espionagem bem urdida que aponta para questões inovadoras nos meados dos anos 1980 que se mantêm atuais.

Duas delas são cruciais: a valorização da funcionária enquanto negra e enquanto mulher. Essas discussões são tratadas diretamente, sem rodeios, pois a competência dela se sobrepõe ao desejo do chefe de homogeneizar o atendimento, tratando pessoas como máquinas. Muita atualidade nesta atuação memorável de Whoppi!

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

O vício da bebida

O vício da bebida já foi tratado de diversas maneiras no cinema, mas poucas têm o efeito derrisório do filme irlandês “Glassland”. Dirigido por Gerard Barrett, conta interpretações marcantes de Toni Colette e Jack Reynor, respectivamente como uma mãe imersa no álcool e seu filho numa cruzada para resgatá-la do naufrágio.

O diálogo entre os dois no qual ela explica como mergulhou no vício é exemplar. Após o nascimento de um terceiro filho com necessidades especiais, o marido a abandonou e ela rejeitou a criança. Isolada, a única alegria momentânea que alega ter encontrado estava nos copos sucessivos.

Confessa não gostar do sabor, mas do efeito efusivo e relaxante que lhe dão um respiro numa vida cotidiana da qual deseja escapar. Mas esse caminho a mata gota a gota, e o filho, taxista como o pai, começa a trabalhar cada vez mais horas nas mais diversas situações para conseguir dinheiro para interná-la numa clínica de reabilitação.

 Uma decisão do diretor merece especial relevância. Ele opta por não colocar trilha sonora ao longo da narrativa, o que dá às cenas um clima realista louvável, já que nossa vida cotidiana não tem música de fundo. Destaca-se ainda a cena em que o filho mostra mãe mostra a cena que ele gravar com ela totalmente descontrolada pela falta de bebida na casa. Em seu discurso, ele reforça que não é aquela mãe com a qual ele gostaria de conviver. O momento é tocante e de grande força dramatúrgica e vivencial       

 Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Abuso sexual de jovens

Abuso sexual de jovens é um tema muito sério e ainda pouco divulgado e discutido abertamente. A situação se agrava quando pensamos em adolescentes atores. E, mais ainda, quando o universo retratado é o de Holywood, a meta e a Meca do cinema mundial.

O documentário ‘An Open Secret’ (‘Um segredo aberto’), dirigido por Amy Berg, lança luzes sobre o tema. Ilumina áreas sombrias de um assunto que poucos desejam enfocar. Para isso, reúne depoimentos de adolescentes que foram molestados por agentes e empresários.

Acompanha essas pessoas não só colhendo depoimentos do que aconteceu no passado, mas, principalmente, apontando como essas pessoas estão hoje e como o abuso transformou as suas vidas. E os relatos não são leves, pois envolvem, depressão, tentativa de suicídio e envolvimento com drogas e com álcool.

O mais assustador é que alguns dos condenados enfocados no documentário continuam com suas atividades normalmente. Mesmo com o nome maculado pela justiça, parece existir um lobby poderoso para que as histórias não venham à tona, pois escândalos na área prejudicam investimentos e a visão que se tem de Hollywood como ‘terra dos sonhos’.

Nesse sentido, um dos pontos altos do filme, com renda integralmente revertida para entidade que cuida do tema, está em desmascarar as respostas comuns dos abusadores sexuais, na linha de que houve consentimento das crianças por exemplo. O abuso tem que ser condenado e os responsáveis punidos para gerar uma espiral virtuosa de denúncias fundamentadas que levem a condenações amparadas, é claro, em fatos, evidências e na lei vigente.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Demasiadamente humanos

Os espanhóis Javier Bardem e Penélope Cruz e o argentino Ricardo Darín formam uma tríade de respeito dentro do cinema de fala hispânica. Dirigidos pelo cineasta iraniano Asghar Farhadi, oferecem, em “Todos já sabem”, um drama de suspense que gira em torno do sequestro de uma adolescente de 16 anos durante uma festa de casamento.

O desaparecimento da jovem é a maneira como o diretor critica a hipocrisia reinante em uma família de classe média alta, com seus podres internos, falhas trágicas, mas também qualidades morais e demonstrações sinceras de afeto. Um dos grandes méritos do filme, talvez o principal, seja justamente, evitar o maniqueísmo. Não há santos ou demônios, mas seres humanos com suas idiossincrasias, mas também com sentimentos nobres.

Pensando apenas nos três atores citados, cada um traz para a cena um conflito. Bardem representa o homem apaixonado pela garoa que conheceu na infância, hoje casada e no exterior, com quem descobre que teve uma filha. E é capaz de tudo por essa jovem. Penélope, por sua vez, se revela uma mãe devotada, mas plena em ambiguidades afetivas cm os dois principais amores de sua vida.

Darín, como é característico em suas interpretações, transita entre a dor de ser um empresário falido e dependente da bebida e um homem apaixonado que aceitou uma criança que não era sua, vendo nela uma espécie de redenção. Somente por essas, e outras nuances, o filme é um convite para uma reflexão sobre tudo aquilo que nos torna humanos, demasiadamente humanos.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Aura ambiental

Sujeitos às necessidades materiais e aos seus instintos, a humanidade tem experimentado dias difíceis. São reiterados os atos de violência, os atentados contra a moral e a ética, os desastres da natureza e guerras que ceifam vidas, enfim, situações que afetam a psicosfera, ou seja, o campo de emanações eletromagnéticas que envolvem os seres humanos. 

Quando vivenciamos uma forte emoção, choque ou perturbação, emitimos vibrações densas que formam núcleos de força negativa, repletos de resíduos escuros. A física quântica diz o aparente comportamento estável da matéria foi substituído por ondas e pacotes de energia; portanto, as formas mentais que criamos são ativas e agem intensamente ao redor do seu criador. Cabe dizer: o pensamento tem força!

Daí a importância de que sempre, em qualquer situação, os pensamentos procurem refletir emoções de esperança, fraternidade e alegria, formando uma aura ambiental individual e coletiva de amor.

Joanna de Ângelis diz que “o teu pensamento é fonte de vida que não podemos descurar”. Manter a energia individual positiva ajuda a criar um comportamento vibratório coletivo mais harmônico, bem com abre oportunidades para nos aproximarmos dos sentimentos superiores emanados pela espiritualidade amiga.

Como o planeta passa por profundas transformações no campo espiritual: “Seja luz, por mais que a vida lhe traga desgostos. Seja caridoso, por mais que a vida lhe traga pessoas ingratas. Seja Humilde, por mais que a vida lhe traga provações ingratas. Seja amor, por mais ódio que tentem colocar em seu coração. Pois nada, nem ninguém, merece que você mude sua essência. Não devolva na mesma moeda a energia que recebe, transmute-a dentro de si.”.

Devemos zelar pelo nosso ambiente mental tornando saudável e harmônico o ambiente material. Não nos deixemos contaminar pelo pessimismo, pela tristeza, enfim, por vibrações negativas. Devemos estar atentos para o nosso próprio estado emocional.

Lembremos sempre do ensinamento de Jesus no sentido de que é preciso Orar, para estarmos mais próximo de Deus, e Vigiar, para que os pensamentos e, consequentemente, os atos não entrem em contradição com a oração.

Enfim, como sempre, é preciso que cada qual faça a sua parte!

Paulo Eduardo de Barros Fonseca é vice-presidente do Conselho Curador da Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, mantenedora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.