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Por que se fala tanto do ataque virtual WannaCry?

Em 12 de maio de 2017, o nome WannaCry entrou em circulação na mídia mundial, como resultado da infecção de mais de 250 mil computadores de praticamente todos os países do mundo por um conjunto de programas maliciosos. Pertencendo à categoria chamada ransomware, o código contido neles faz com que o computador infectado passe literalmente a demandar um resgate em dinheiro para que sejam devolvidos os arquivos contidos na máquina, que ficam trancados com um cadeado virtual cuja chave somente o autor do ataque possui.

Esse tipo de ofensiva não é uma novidade, e seu uso potencial é conhecido há décadas. No entanto, a popularização de computadores pessoais e empresariais, o aumento da complexidade da interligação entre sistemas globais por meio da Internet, e a disponibilidade de novos meios de pagamento virtuais que independem de transações bancárias (nesse caso se destacando a bitcoin), são todos elementos que se alinharam para que a eficiência desse ataque possuísse uma escala nunca antes observada.

Para entendermos por qual motivo esse acontecimento é importante, precisamos levar em conta que além das perdas pessoais de indivíduos, foram afetadas empresas que prestam serviços em escala mundial, como a Telefónica, o serviço de entregas FedEx e as linhas aéreas LATAM. Caso isso não fosse o suficiente, dezenas de milhares de computadores e máquinas de hospitais da Grã-Bretanha foram afetados, gerando a necessidade de ações de emergência por parte do governo para que a situação não afetasse pacientes em estado crítico.

A comunidade de segurança mundial tem há muitos anos informado a governos que esse tipo de ação se torna cada vez mais viável, e enquanto ainda foram registrados poucos casos de ataques que conseguiram afetar a infraestrutura crítica dos países, não existe nenhum tipo de garantia de que isso não seria possível. Um ataque melhor orquestrado poderia derrubar o suprimento de energia elétrica de uma ou mais partes de uma nação, possivelmente de múltiplas. Sistemas de saneamento, provimento de água potável, comunicação policial e militar, entre tantos outros, se impedidos de funcionar mesmo que por um curto período de tempo, podem causar prejuízos incalculáveis.

Se olharmos para a origem do WannaCry, conseguimos identificar que as partes vitais de seu código são provenientes de armas virtuais criadas pela National Security Agency (NSA) dos Estados Unidos, a mesma responsável pelo sistema de espionagem global que mantem os cidadãos do mundo sob constante vigilância. Nesse caso, a NSA guardava essas entre tantas outras armas para poder invadir computadores de alvos por eles considerados estratégicos, mas um grande número delas foi roubado por um grupo de origem desconhecida, que as publicou na Internet para os olhos de todos. Grosseiramente comparando, é como se roubassem caixas de granadas do exército estadunidense e colocassem na rua para que qualquer interessado pudesse usar.

Enquanto governos direcionam impostos para a criação de armas virtuais, a iniciativa privada em junção com o setor acadêmico acabam por ter de resolver o problema gerados. A primeira variante do WannaCry teve seu progresso desacelerado pelo pesquisador Marcus Hutchins, que descobriu uma maneira de “avisar” para o programa para que ele não se ativasse, impedindo sua proliferação. Rapidamente surgiram variantes que ignoravam esse comando, mas pesquisadores da University College London adaptaram o sistema que desenvolvem, conhecido como PayBreak, para que funcione destravando o cadeado virtual mesmo sem a chave em posse do autor do ataque.

A recomendação para computadores domésticos é sempre a mesma: nunca deixe de manter seus programas atualizados, preferindo sempre investir em um Sistema Operacional original ao invés de pirata, para poder fazer a atualização dele sem dificuldades e de modo contínuo. Já para as empresas, se torna progressivamente mais crítico adotar posturas sérias e sistemáticas a respeito da manutenção de sua segurança. Não basta ter um setor de TI, isso é algo da década passada. É preciso estabelecer políticas firmes de atualização e manutenção dos sistemas, que sejam seguidas com rigor. Caso contrário, os prejuízos para essa categoria apenas crescerão, e os únicos a ganhar com isso são os criminosos virtuais.

Mark W. Datysgeld é Bacharel e mestre em Relações Internacionais pelo Programa de Pós-Graduação San Tiago Dantas (UNESP, UNICAMP, PUC-SP), especialista em Governança da Internet e nos impactos da Revolução Digital na formação de normas. É membro do grupo de estudos NEAI e coordenador do curso Governance Primer, iniciativa gratuita de ensino de tecnologia na América Latina, atualmente em expansão para outras regiões e já executado em 3 países.

“Ataque Criminoso Mundial é a Comprovação da Insegurança na Internet”

Autores do Artigo

Luiz Augusto Filizzola D’Urso*

Luiz Flávio Filizzola D’Urso**

Desde a última sexta-feira (12/05), o planeta assiste alarmado um ataque mundial cibercriminoso, com a utilização de um vírus de “resgate”, o chamado “ransomware”, que fez mais de 200 mil vítimas, espalhadas em ao menos 150 países no mundo (segundo o diretor do Serviço Europeu de Polícia – Europol, Rob Wainright), tendo se disseminado, em grande parte, por meio de e-mails infectados pelo vírus “WannaCry”.

O “ransomware” é um tipo de vírus que se aproveita de uma vulnerabilidade do sistema Windows (já corrigida, para quem atualizou o sistema, em 14 de março, segundo a Microsoft) e que sequestra, através da criptografia, os arquivos digitais salvos no computador da vítima, ou em sua rede, impedindo a vítima de acessá-los. O valor do “resgate” para a devolução ao acesso aos arquivos deve ser pago em “bitcoins” (moeda digital que dificulta o rastreamento da transação), cobrando-se em torno de US$ 300, por máquina.

No Brasil, o Tribunal de Justiça de São Paulo, também sofreu ataques virtuais naquela data, seus funcionários foram orientados a desligar os computadores e o seu site ficou fora do ar. Também tiraram sites do ar e/ou desligaram seus computadores: o Ministério Público de São Paulo, a Petrobras, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Tribunais de Justiça em todo o país, o Itamaraty e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para se ter uma ideia dos riscos deste crime, naquele dia 12/05, somente no Reino Unido, pelo menos 16 hospitais públicos foram alvos destes ataques, que se utilizaram de “ransomware” gerando dificuldades ou impedindo o acesso aos prontuários dos pacientes, atrapalhando a logística das ambulâncias e de outros socorros, colocando, assim, diversas vidas em risco.

Pesquisa realizada pela Trend Micro, empresa de segurança na internet, mostra que o crime de sequestro de dados/informações, com a utilização do “ransomware” não é novidade no mundo do cibercrime, uma vez que, nesta análise, do ano de 2016, de 300 empresas brasileiras, 51% delas já tinham sido vítimas do “ransomware”, sendo esse, o crime digital mais cometido no ano de 2016.

Os especialistas já indicavam desde 2015, ano das primeiras aparições deste crime, que, nos anos seguintes, esse tipo de ataque seria uma tendência na internet e bateria recordes, e depois do ataque em massa ocorrido, ficou patente que pouco ou nada foi possível fazer para evitar essa previsão.

Ao analisar todos os cibercrimes, no ano de 2016, o Brasil foi o quarto país que mais sofreu com estas atividades criminosas, que causaram um prejuízo de R$ 32 bilhões, segundo o relatório “Norton Cyber Security Insights”, enquanto que, no mundo, o valor do prejuízo foi de quase R$ 400 bilhões.

Pela lei brasileira, o cibercriminoso que pratica esta conduta, utilizando-se do vírus “ransomware” e pedindo o “resgate”, responde pelo crime de extorsão, previsto no art. 158 do Código Penal, com pena prevista de reclusão de 4 a 10 anos, e multa.

No caso do crime de extorsão com a utilização do “ransomware”, existe o constrangimento mediante grave ameaça (da não recuperação dos dados), com o intuito de obtenção de vantagem econômica indevida, ou seja, o pagamento do “resgate”. Vale ressaltar que tal imputação independe do efetivo pagamento, já que é um crime formal, ou seja, não é necessária a produção do resultado para a sua consumação.

Portanto, para quem não acreditava na possibilidade de ocorrer um ataque virtual desta magnitude, fica o alerta de que não há segurança absoluta na internet, sendo necessário manter os sistemas operacionais, backups e antivírus sempre atualizados, a fim de minimizar os efeitos desta verdadeira guerra virtual.

 

* Luiz Augusto Filizzola D’Urso – Advogado Criminalista, Pós-Graduado pela Universidade de Castilla-La Mancha (Espanha), Pós-Graduando pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (Portugal), Membro Efetivo da Comissão Especial de Direito Digital e Compliance da OAB/SP, Webdesigner, Auditor no Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) da Federação Paulista de Futebol (FPF) e integra o escritório de advocacia D’Urso e Borges Advogados Associados.

 

** Luiz Flávio Filizzola D’Urso – Advogado Criminalista, Conselheiro Estadual da OAB/SP, Pós-Graduado pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (Portugal), com Especialização pela Universidade de Castilla-La Mancha (Espanha), membro da Comunidade de Juristas de Língua Portuguesa (CJLP) e integra o escritório de advocacia D’Urso e Borges Advogados Associados.

17 de Maio: Dia de luta internacional contra a homofobia e seus traumas

Afinal, qual a razão de tantas discussões para homoafetividade? A atração física, estética ou emocional pelo mesmo gênero gera uma série de desacordos e severas críticas, especialmente para os que não compreendem os processos relacionados. Na verdade, de modo algum será possível compreender porque a homoafetividade por mais que seja discutida,  analisada e debatida do meu ponto de vista, é algo e cunho tão íntimo e pessoal que nem a ciência, nem a religião, e nem as ilações humanas jamais poderão produzir uma conclusão final sobre a questão.

Ao longo da história da humanidade, os aspectos individuais da homossexualidade foram admirados, tolerados ou condenados de acordo com as normas sexuais vigentes nas diversas culturas e épocas em que ocorreram.  Quando admirados esses aspectos eram entendidos como uma maneira de melhorar a sociedade; quando condenados, eram considerados um pecado ou algum tipo de doença, sendo em alguns casos, proibidos por lei. Desde meados do século XX a homossexualidade tem sido gradualmente desclassificada como doença e descriminalizada em quase todos os países desenvolvidos, a maioria do mundo ocidental. Entretanto, o estatuto jurídico das relações homoafetivas ainda varia muito de país para país.

Por exemplo, Portugal, Espanha, Países Baixos, Bélgica, África do Sul, Canadá, Noruega, Suécia, Islândia. Argentina e, recentemente Estados Unidos aprovaram leis que permitem o casamento homoafetivo, com o status idêntico ao casamento civil heteroafetivo. O caso mais suis generis é o da Argentina, pois essa é uma República Confessional Católica Romana (Constituição Federal, artigo 2°), e isso não a impediu de aprovar uma lei laica sobre casamento homoafetivo. Noruega (Constituição, artigo 4°) e Islândia (Constituição, artigo 62) embora sejam confessionalmente Luteranos, estão entre as alas da cristandade mais moderadas, sendo que a Igreja Luterana têm muitos posicionamentos sobre o assunto, mas nenhum deles coercitivo. A Igreja Católica, por outro lado, tem seu posicionamento firme: reprova o casamento homoafetivo.

Cerca de 12% de católicos do planeta estão no Brasil. Isso significa 65% de sua população total de católicos de rito latino, além de 29% de protestantes e evangélicos (sendo protestantes tradicionais, tais como presbiterianos, anglicanos, luteranos, batistas etc; mais os chamados evangélicos em milhares de denominações).

Com esse perfil religioso, o Brasil é o Estado laico mais religioso do planeta. Raramente uma pessoa se diz sem religião. Algumas frequentam várias ao mesmo tempo e o sincretismo é forte na cultura brasileira, com exceção de alguns grupos que mantêm-se separados de todos os demais, como as Testemunhas de Jeová, que no Brasil chegam a quase um milhão, o terceiro país no mundo  com mais pessoas desse grupo específico.

O resultado disso é direto sobre a legislação. No Brasil, é permitido o registro em cartório da união civil homoafetiva, que é equiparada ao casamento heteronormativo, mas ipsis literis, não existe lei que permita o casamento homoafetivo propriamente expresso. Desde 1995, tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 1.151, da deputada Marta Suplicy. Esse projeto tem por intenção regularizar o casamento homoafetivo, dando-lhe status de união civil plena, alterando legislações conflitantes. Já se vão quase 12 anos e o Projeto está parado na  Câmara, sem nenhuma discussão, principalmente pela forte oposição dos Deputados Federais ligados aos setores religiosos, que são maioria.

O Código Civil Brasileiro de 2002, ou seja, já do século XXI é explícito ao declarar que o “O casamento se realiza no momento em que o homem e a mulher manifestam, perante o juiz, a sua vontade de estabelecer vínculo conjugal, e o juiz os declara casados” (artigo 1.514), o mesmo entendimento repete- se no artigo 1.517, sobre a idade mínima para homem e mulher casarem-se, no artigo 1.565 sobre as obrigações legais que assumem homem e mulher ao se casarem. O Código Civil Português fala sobre o casamento como sendo “o contrato celebrado entre duas pessoas de sexo diferente que pretendem constituir família” (artigo 1.577), sem fazer especificação do que é “sexo diferente”, como faz o Código brasileiro: homem e mulher. Esse Código português vigente, vale ressaltar, foi elaborado durante o regime salazarista e não era tão taxativo quanto aos nubentes. A lei 9 de 2009, por fim, atualizou o Código,  de  modo  que o  mesmo  artigo  hoje diz que o casamento é “o contrato celebrado entre duas  pessoas que pretendem constituir família”.

Estamos falando de milhões de jovens e adultos que apenas desejam ter o direito a viver sem medo  de serem assassinados, que não só querem se unirem legalmente, pois são violados em seus sentimentos e afetos, assim como pessoas heteroafetivas têm e usufruem esse direito. A vida de tais não é um jogo de negociações políticas ou comerciais, mas pessoas que têm as mesmas necessidades humanas que todos os demais têm. Contudo, a persistente violação dos Direitos Humanos de populações homoafetivas estão criando definitivamente, a criminalização velada de um modo de vida que não causa dano algum, nem no nível micro, nem macrossocial. Antes, são pessoas com  intelecto,  disposição,  energias  como  todas as demais pessoas e que têm um potencial mal explorado por puro preconceito.

Não podemos falar que há ignorância por parte das pessoas porque a ignorância é o desconhecimento sobre um assunto. O preconceito, antes, é fruto do medo ou do ódio. Medo de que paradigmas sejam transpostos. Ódio por se perceber que a exploração violenta, socioeconômica tende a se esgotar ao passo que as populações homoafetivas recebem o merecido e necessário respeito e garantização de novos direitos, como o casamento civil, o direito à adoção, entre outros.

Renan Antônio da Silva: Antropólogo e Pesquisador. É doutorando do Programa de Pós-Graduação em Educação Escolar da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, UNESP – Araraquara. Realizou estágio doutoral com bolsa CAPES/PDSE junto ao Centro em Investigação Social (CIS/ISCTE-IUL), em Lisboa/Portugal, na linha temática Gênero, Sexualidades e interseccionalidade (2015-2016).E-mail: lepp@rc.unesp.br

Jogos Paralímpicos no Brasil

Paulo Roberto Brancatti é professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Unesp de Presidente Prudente.

Após alguns meses da realização dos Jogos Paralímpicos do Brasil em setembro de 2016, e com a colocação do Brasil em 8ª. Lugar na classificação geral, a pergunta que nos cabe agora é sobre qual o legado esses Jogos deixam para o país. A conquista de várias medalhas em diversas modalidades desportivas reforça o trabalho que vem sendo realizados em vários locais do Brasil, onde Entidades, Clubes, Associações, Prefeituras e Universidades lutam para manter viva a esperança de revelação de atletas Paralímpicos, lutando com muitas dificuldades, principalmente financeira, para manter acesa a esperança de muitas pessoas com deficiências terem oportunidades e direitos numa prática desportiva.

O investimento no esporte Paralímpico no Brasil é bem aquém do investimento no esporte olímpico, haja vista o papel da mídia na cobertura dos jogos olímpicos em detrimento da cobertura nos jogos Paralímpicos. E além do mais, percebem-se uma série de informações errôneas no que se refere às modalidades desportivas e suas devidas classificações funcionais previstas pelo Comitê Paralímpico Internacional. E comentários desnecessários em relação às pessoas com deficiências, e certa diminuição como atleta. Os mesmos não devem ser descriminados e nem desvalorizado com palavras pejorativas como as que são comuns no imaginário social, e sim, como sujeitos inseridos numa realidade de prática desportiva e que tem interesses em progredir na vida como atleta e lutar pelo convívio no meio social.

O esporte Paralímpico vem crescendo no Brasil em quase todas as modalidades desportivas. É claro que algumas são mais tranquilas de se trabalhar como o vôlei sentado, o futebol de sete, o futebol de cinco e a natação. No entanto, outras modalidades como o atletismo, basquete sobre rodas, tênis de mesa e de tênis para cadeirantes, goalball, tiro esportivo e tiro com arco e rúgbi em cadeira de rodas, requerem materiais próprios as modalidade como cadeira de rodas esportivas, bancos para realização dos arremessos e lançamentos no atletismo, próteses, órteses, raquetes, vendas (acessórios) para os olhos, o que demanda custos financeiros para aquisição desses equipamentos adaptados. Nesse sentido, o papel do patrocinador, sendo publico ou privado, é fundamental para a formação de novos atletas e também para incrementar a formação de profissionais específicos para trabalharem na área do esporte Paralímpico, como técnicos, preparadores físicos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, médios, nutricionistas, assistentes sociais, psicólogos e outros.

Na cidade de Presidente Prudente, através da Associação de Desporto Adaptado (ADAPP) em parceira com a Prefeitura Municipal através da SEMEPP, UNESP e USINA ALTO ALEGRE, vimos realizando esse trabalho há 17 anos, com os esportes do basquete em cadeira de rodas, atletismo e natação para pessoas com deficiências, bocha adaptada e encontram-semais dificuldades do que facilidades, com mais força de vontade do que investimentos próprios e, em fim, com muita determinação e coragem para manter viva a esperança dos esportes Paralímpicos crescerem na Cidade e Região.

Violência e Mediocridade

O inferno são outros, diria Sartre. Mas, mais para a realidade, o inferno também pode ser nós mesmos. Pois somos também capazes de causar violência. Ou nem tanto, pois “inferno” é o termo cristão para a pena capital eterna. Ou seja, o ser humano, via de regra, não chega a ser infernal na verdade. De modo geral, realmente nós somos bastante medíocres em nossa maldade – e em nossa bondade, igualmente.

 

Teóricos como Hobbes e Rousseau defendem que, sem os freios das leis e da polícia, o ser humano se mostra muito violento podendo, inclusive, criar uma “guerra de todos contra todos”. Porém, uma vez que haja contrato social, Estado, direitos e deveres instituídos, forças armadas etc., então essa agressividade física é reprimida e, assim, as pessoas conseguem conviver sem ficar procurando, o tempo todo, pelo matar ou morrer.

 

No caso brasileiro, que é um caso que se repete em todos os países emergentes e, ainda, em todas as regiões com muito desigualdade social e econômica mesmo dentro dos países ricos, há ainda um “estado de natureza”, isto é, há ainda muito daquilo que o filósofo Hobbes chamou de guerra de todos contra todos.

 

A pobreza e a falta de desenvolvimento educacional estimulam o potencial que o ser humano tem para a violência física, para a brutalidade. Por isso, mesmo sendo o Brasil um Estado com normas e princípios legítimos, por ser ainda uma sociedade com grande desigualdade econômica e com carência explícita em sua educação básica pública, o nosso país continua sendo palco de crimes bárbaros, estes diuturnamente explorados pela mídia sensacionalista.

 

No entanto, de outro lado, mesmo hoje já há uma Brasil que está dando certo. Já hoje grande contingente de nossa população tem acesso ao ensino superior e à profissionalização. Saindo, desse modo, do círculo vicioso da violência mais explícita.

 

Esses brasileiros, a grande maioria de classe média, brancos e cristãos, vivem nos centros visíveis do país, vivem nos bairros mais limpos de suas cidades, trabalham e estudam em situações já com um mínimo de dignidade humana. Porém, tais brasileiros, apesar de sua localização geográfica privilegiada e de sua posição social e simbólica mais elitista, sofrem constantemente aterrorizados pela possibilidade de que os outros brasileiros, aqueles mais pobres, iletrados e marginalizados, possam gerar contra eles um retorno à violência mais elementar e animalesca.

 

Ou seja, um primeiro ponto é esse: o fato de que já há um Brasil que vive, mais ou menos, o Estado de direito que freia as violências mais sangrentas. Porém, mesmo estes brasileiros de sorte não conseguem escapar do medo de serem violentados por seus concidadãos, historicamente, violentados. Eis, aqui, mais uma representação do citado círculo vicioso.

 

Diante disso, o segundo ponto, especificamente acerca das relações entre os próprios brasileiros de classe média, a violência via de regra deixa de ser prática brutal e toma corpo na forma de violência simbólica. Ou seja, dentro do Brasil que já tem escola, que já tem alguma lei, alguma igualdade, a segurança física das pessoas fica muito mais garantida atualmente, se compararmos com a situação do Brasil de décadas atrás.

 

As pessoas da classe média brasileira, então, fisicamente, já não vivem mais dentro de algum tipo de guerra total. Pois a moralidade subjetiva e as forças armadas públicas hoje conseguem coibir a maior parte dos impulsos de dominação prática, de enfrentamento corporal e de briga explícita.

 

Porém, como dito no início desta reflexão, a violência não é necessariamente infernal, não se dá sempre em grande medida ou em forma explícita. Posto isso, salientamos, a partir daqui, uma certa doença social de ricos. Um certo comportamento agressivo próprio das classes e das pessoas menos exploradas.

 

Usemos, para fins de ilustração, a situação ordinária de um ambiente empresarial. Dentro de um espaço profissional que envolva diversas pessoas, hierarquia, interesses conflitantes, ordens etc., mesmo não havendo a agressão maior, contundente, ou a direta tentativa de assassinatos, há por sua vez e cotidianamente outras práticas mais sofisticadas de violência.

 

Certo autoritarismo de chefes, nesse ambiente de trabalho, certa perseguição de colegas, as provocações morais, a compaixão omitida, a linguagem corporal que também pode gritar ódio e desprezo, as fofocas de todo dia, os preconceitos mais clichês… Tudo isso, a princípio, não passa da mera condição humana, inevitavelmente imperfeita e conflituosa. Porém, a rotina dessas práticas, apesar de na maioria das vezes se tratar de investidas medíocres e infantis, pode sufocar a liberdade das pessoas e levar a psicopatologias graves.

 

Esse exemplo simplório tenta narrar a maldade que se faz também de modo discreto. E, aqui, não procuramos dizer qual agressão é mais degradante: um tapa ou uma difamação. Não parece importante, agora, levantar uma hipótese quantitativa acerca desse problema. O que queremos é salientar que fora a violência mais explícita, a qual todos tememos, há ainda a violência simbólica que, mesmo em situações econômicas e jurídicas estáveis, pode demostrar ainda que de modo medíocre a dinamicidade dos conflitos humanos.

 

Enfim, concordamos com Sartre e com Hobbes: as relações humanas podem ser infernais e bélicas. Porém, ponderamos aqui que, na maior parte das vezes, pelo menos nas relações que se dão entre a massa brasileira que hoje já chegou à classe média, as agressões são discursivas e infantis, porém continuam existindo e têm potencial destrutivo. E quando essa violência vinda de ricos medíocres encontra um alvo mais sensível, então o bullying que parecia uma simples brincadeira ou a fofoca que era apenas um desabafo podem levar pessoas a doenças graves e até ao suicídio.

 

Desse modo, a grande e rara violência das guerras e a pequena violência cotidiana podem ter um encontro: o assassinato. A diferença, que tentamos salientar nessa reflexão, é que a agressão física é explícita, direta e brutal. Já a agressão moral, apesar de parecer inofensiva e poder vir de pessoas meramente imaturas, é sofistica e, indiretamente, pode gerar a mesma consequência social inaceitável, a morte de inocentes. Ambas as formas de violência, enfim, infernal ou medíocre, devem ser combatidas durante a construção de uma sociedade mais fraterna e livre para todos.

 

 

Wellington Anselmo Martins, mestre em Comunicação (Unesp), graduado em Filosofia (USC).

Cientistas e mães

Vanderlan da Silva Bolzani, professora titular do Instituto de Química da Unesp de Araraquara, vice-presidente da Fundunesp e da SBPC
Helena Bonciani Nader, presidente da SBPC e professora titular da Unifesp

Temos hoje um quadro bastante claro de como evoluiu nos últimos anos a participação das mulheres no espaço da universidade no Brasil. No plano geral, os dados mostram resultados positivos, inclusive na comparação com outros países. Anos consecutivos em que mulheres têm se igualado ou superado os homens no número de ingressantes nos cursos de graduação reduziram de forma significativa a desigualdade de gênero nesse patamar. A presença em projetos e grupos de pesquisa aumentou, da mesma forma, sinalizando que nos próximos anos teremos também aqui uma participação mais expressiva de mulheres.

A desigualdade aparece, entretanto, quando fechamos o foco em áreas específicas desse quadro. Os cargos de direção nas universidades, nos institutos de pesquisa, academias internacionais, nacionais e estaduais de ciência, associações científicas e órgãos de administração continuam, em sua grande maioria, sendo ocupados por homens. Quando se avança em direção ao topo da carreira de professor e pesquisador, um processo de seleção “natural” reduz progressivamente o número de mulheres nos níveis médio e alto. Isso se reflete, por exemplo, no número de mulheres que obtêm as bolsas de produtividade nível 1A concedidas pelo CNPq. Elas somam apenas 24% do total. Na área conhecida como STEM (da sigla em inglês para Science, Technology, Engineering and Mathematics) mantém-se a marcante diferença, com expressivo predomínio masculino. Assim como o número de mulheres exercendo a atividade profissional nessas áreas está distante da igualdade.

O tema é objeto de muitas análises em busca de ações que possam mudar tal realidade, presente não somente no Brasil, mas também em sociedades de economia avançada. Uma mudança cujo valor além de humanitário é econômico, já que nenhuma sociedade moderna e sustentável deveria prescindir da contribuição de integrantes que representam metade do corpo social.

Alguns fatores surgem com maior frequência nas análises. Um dos mais destacados é o peso da tradição social e cultural que forma meninas e meninos de forma desigual. Enquanto eles são estimulados a se interessarem por ciência e pela ascensão profissional, elas são levadas a associar seu papel feminino com atividades de cuidadora da família e de ensino. Mas esse padrão cultural pode ser alterado, como vem sendo, aos poucos, por políticas públicas e programas de apoio e estímulo à criatividade e ao conhecimento para ambos.

Se considerarmos a linha do tempo, a situação atual registra um avanço qualitativo nas práticas e na visão que a sociedade incorporou frente a necessidade de oportunidades iguais para homens e mulheres.

É nesse contexto que hoje se torna importante ampliar o debate sobre como a universidade deveria se estruturar para atuar mais efetivamente nesse processo de evolução. Que respostas podemos encontrar para questões como a descontinuidade da carreira acadêmica das mulheres em razão da maternidade em todo o mundo? Desafio que se impõe de maneira marcante em alguns países, onde jovens promissoras e talentosas são levadas a abrir mão de seu desenvolvimento profissional.

Quase no final da segunda década do século XXI, desejamos que o dia das mães simbolize também uma consonância de toda a sociedade por uma nova mentalidade em torno da questão de gênero. Uma mentalidade que leve a novas ações que incentivem as jovens a exercerem, sem conflitos, suas identidades de cientistas e de mães. Que mulheres cientistas de reconhecido talento não se sintam alijadas do reconhecimento natural no topo de suas carreiras, tendo sempre o mérito como base em qualquer competição.

A POTÊNCIA NACIONAL

A cidade de Osasco é detentora do 2º maior PIB (Produto Interno Bruto) do estado e encerrou o ano de 2016 como o 8º maior PIB do País, atrás apenas da Capital e a posição ultrapassa outras grandes metrópoles como Campinas, Guarulhos e outras importantes capitais do Brasil. A região é constituída por muitos shoppings, Osasco Plaza Shopping, Super Shopping Osasco, Shopping Pátio Osasco e Poli Shopping Osasco, também a cidade possui o 6° maior shopping do Brasil, o Shopping União de Osasco.

Além disso, na década de 50, o Banco Bradesco construiu sua sede e atualmente é considerada a maior e mais valiosa marca da América Latina. Com isso, outras empresas estão sediadas na cidade, incluindo o SBT, RedeTV!, Avon Cosméticos, Unibanco, Pão de Açúcar, Walmart, Carrefour, Sam’s Club e Makro. E o setor comercial osasquense destaca-se na região Oeste da Grande São Paulo, com mais de 4 mil estabelecimentos instalados nos ramos de atacado e varejo.

Vale ressaltar que, o setor o imobiliário sempre contribuiu para este progresso porque os Corretores de Imóveis e as inúmeras imobiliárias proporcionam excelentes opções por meio de intermediação na compra, venda, permuta, locação e avaliação de imóvel, sendo comum o interesse de pessoas e grandes empresas com foco na real expansão do município, é importante observar a preferência do Mercado Livre, bem como segue:

“A cidade de Osasco foi escolhida como região ideal para a sede depois que a empresa fez uma pesquisa com os funcionários. Ela cruzou dados sobre a casa de cada pessoa e descobriu que Osasco era uma região acessível para todos. Há muitos que moram em Barueri, Santana de Parnaíba, Carapicuíba e em São Paulo. Enquanto antes o deslocamento médio era 33 quilômetros, agora a média é de 17 quilômetros, afirmou Helisson Lemos, presidente da empresa no Brasil. A companhia incentiva o uso de meios de transporte alternativos. A sede também fica perto de uma estação de trem e há uma van que faz o trajeto entre o transporte público e o escritório.” (http://exame.abril.com.br/negocios/por-dentro-da-nova-cidade-do-mercado-livre/)

Em suma, com várias referências positivas é fácil aceitar que Osasco é a potência nacional, criada como um bairro da capital paulista no final do século XIX, tornou-se município emancipado por plebiscito em 1962 e após 55 anos possui relevante atividade econômica nos setores industrial, comercial e de serviços, sendo a 6ª mais populosa cidade do estado de São Paulo, segundo estimativa populacional calculado pelo IBGE para 2016.

 

ANTONIO CARLOS VICENTE DE OLIVEIRA
Perito Avaliador de Imóveis
CNAI-COFECI nº 7.225
CRECI-SP nº 69.455-F

Use a crise para se capacitar e rever condutas

Por Kie Kume*

Milhões de trabalhadores às voltas com o desemprego, milhares de empresas endividadas e muitas quase decretando falência, estados quebrados e agitados por protestos de servidores, o governo federal enfrentando queda de arrecadação e sem dinheiro para investimentos. Esse é o retrato da recessão, com duras consequências para a maioria dos brasileiros. Mas, se podemos afirmar que a crise tem um lado positivo, este é o que força as pessoas, as empresas e o próprio governo a profundas mudanças.

 O governo precisa sanear suas contas e não gastar mais do que arrecada. As empresas precisam reavaliar seus negócios e adequar seus produtos às reais necessidades dos clientes. E cada um de nós deve mudar hábitos, evitar endividamentos e aproveitar a crise para melhorar a própria capacitação. O valor de cada indivíduo é cada vez mais medido com base em sua competência. “Apenas aqueles que são capazes de sobreviver em tempos difíceis é que têm condições de se tornar líderes na próxima era” (quando o crescimento econômico voltar), afirma o autor e líder espiritual japonês, Ryuho Okawa, que acaba de lançar em português “As Leis da Invencibilidade” (IRH Press do Brasil), mostrando caminhos para sairmos fortalecidos de uma recessão.

 Temos de estar conscientes de que devemos suportar a dor das atuais privações e nos preparar para descartar antigos procedimentos que nos conduziram à situação atual. O economista e cientista político austríaco Joseph Schumpeter (1883-1950), conhecido como o “profeta da inovação”, fala em “destruição criativa”, um período de destruição que permitirá construir um novo futuro. É hora de revermos nossas condutas, nossas capacidades, nosso empreendedorismo, nossos negócios. Nos negócios, de modo especial, “os empreendedores

precisam desenvolver um agudo senso das tendências futuras”, diz Okawa.

 Muitas das reflexões contidas em “As Leis da Invencibilidade” foram feitas por Okawa considerando a realidade japonesa da virada para o século 21. Mas se aplicam quase à risca à realidade brasileira atual. “Muitos dos negócios que estiveram sob proteção governamental serão forçados a falir. Isso inclui não somente pequenas firmas, mas também grandes corporações. Com isso, haverá desemprego em larga escala.”

 As coisas ficaram mais difíceis, mas o lado positivo é que o valor de cada indivíduo será avaliado com base em sua competência. As pessoas começarão a descobrir o valor de investir em si mesmas e, assim, passarão a dar maior importância ao desenvolvimento de suas capacidades, diz o autor japonês. Na crise, “a forma mais eficaz de investimento é investir em si mesmo; o autoinvestimento produz o melhor retorno. A economia vai acabar se recuperando. Então, você deve investir em algo que lhe traga lucro quando isso ocorrer.”

 O que você gasta em uma especialização pode trazer mais retorno do que os juros que receberia pela mesma quantia depositada num banco. Em épocas de recessão, se você gastar dinheiro, é melhor usá-lo para aprimorar os conhecimentos ou para aprender algo novo que possa desenvolver seu potencial. E se você tem uma família, também pode cortar gastos supérfluos e investir na educação dos filhos. Será, além da importância de uma boa educação para a vida pessoal deles, um investimento extremamente lucrativo.

 É comum, nesse tempo de dificuldades, que sejamos forçados a trabalhar em funções muito distintas da profissão em que nos especializamos. É o caso de muitos engenheiros recrutados para trabalhar em vendas de máquinas e equipamentos, de nutricionistas voltados à distribuição e comercialização de produtos alimentares, de advogados, jornalistas, publicitários administradores e tantos outros profissionais atuando em serviços que pouco ou nada têm a ver com suas áreas. O segredo é não desanimar, certos de que, mesmo não sendo nadadores, temos que usar todas as nossas forças, físicas e espirituais, para alcançar a outra margem do rio. Mas, sem desespero e conscientes de que com equilíbrio nos recuperaremos. Não há crise que dure para sempre.

 As crises ensinam que as pessoas nunca devem se acomodar. É no sofrimento que podemos moldar nosso caráter, como o ferreiro molda o ferro e fabrica belas ferramentas depois de levá-lo ao fogo. A vida é uma sequência contínua de batalhas e nossa meta é continuar vencendo todas as vezes que enfrentamos grandes desafios. Caso você tenha sido demitido de um emprego, defina um plano de ação junto com sua família, se aconselhe com amigos e vá à luta. É fundamental não ficar parado. Nunca desanime. Sofrer faz parte de nossa caminhada.

 * Kie Kume é gerente da editora IRH Press do Brasil, que publica em português as obras de Ryuho Okawa.

Um dos autores mais prestigiados no Japão, Okawa tem mais de 2.100 livros publicados, ultrapassando 100 milhões de cópias vendidas, em 28 idiomas.

O papel do gestor moderno na liderança da geração Y

Por Juliana Macedo – gerente de Recursos Humanos e Comunicação Interna da Total Lubrificantes do Brasil

Nos últimos anos, o capital humano tem sido cada vez mais valorizado pelas organizações mundo afora. Este novo comportamento, no entanto, vem provocando mudanças bastante significativas na maneira como nos relacionamos no ambiente corporativo. O reflexo desta transformação é visto nos esforços das empresas em lidar com seus jovens talentos.

Embora o embate entre as diversas gerações seja constante e saudável, atualmente, muitos dos colaboradores pertencem à Geração Y. Nascidos a partir de 1980, esses indivíduos apresentam características que exigem atenção diferenciada de seus gestores.

Nem sempre sintonizados com a cultura das empresas desde o princípio, ávidos por uma ascensão acelerada na carreira e preparados para dizer o que pensam, esses profissionais chegam hoje ao mercado de trabalho com expectativas a curto prazo – algo que exige novas práticas dos RHs das empresas.

Antes de tudo, acredito que seja importante identificar o perfil desses jovens. Sempre conectados, eles são especialistas em lidar com a tecnologia e usar as mídias sociais para estreitar a vida profissional com a pessoal. Estão ainda em busca de atualização profissional constante e gostam de participar, opinar nas decisões – algo que pode ser benéfico em determinado ponto, já que se trata de um colaborador participativo. Por outro lado, pode também resultar em desconfortos naqueles momentos em que as resoluções hierárquicas são predominantes.

Por isso, penso que um dos caminhos do gestor da geração Y é desenvolver habilidade para estimular a criatividade desses colaboradores, além de conceder maior liberdade de trabalho, estipulando, no entanto, metas claras e objetivas – e de preferência, combinadas com o próprio funcionário. Isso porque esses jovens gostam de ser estimulados e desafiados. 

Ao lidar com esta nova geração é preciso desenvolver uma comunicação interna eficiente e estritamente transparente. No dia a dia da companhia é necessário compartilhar ações, oferecer status das demandas, elaborar sugestões e pontuar ideias em equipe, sempre com a participação coletiva. É preciso que os líderes entendam que todos têm uma lição para nos passar e, por isso, devem estar sempre aptos a ouvir.  

A maior valorização profissional proporciona às pessoas um sentimento de exclusividade e satisfação com a empresa que trabalha. Essa é uma busca constante da Geração Y. Isso faz com que eles vistam a camisa da companhia e façam tudo por ela. Talvez essa seja uma das principais mudanças culturais que estes jovens costumam trazer para a gestão moderna das organizações.

Neste sentido, o mercado de trabalho está se modificando para reter seus talentos. Os planos de carreias das empresas, com foco nos anseios desses profissionais e, também, na flexibilização dos horários de trabalho, são provas disso.

Juliana Macedo é gerente de Recursos Humanos e Comunicação Interna da Total Lubrificantes do Brasil – quarta maior companhia de petróleo e gás do mundo. Com 15 anos de experiência em Recursos Humanos, Processos Operacionais e Planejamento Estratégico, a executiva é formada em Administração de Empresas e pós-graduada em Recursos Humanos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP).

Sobre a Total

A Total é uma das maiores companhias globais de energia e está posicionada entre as principais empresas privadas de óleo e gás do mundo, sendo a segunda maior operadora em energia solar. Presente em mais de 130 países, a Total possui 100 mil colaboradores e atua de forma integrada desde a descoberta de novos recursos até a comercialização de produtos e serviços para os consumidores. Saiba mais sobre o nosso compromisso com uma energia melhor em:

www.br.total.com
www.facebook.com/totaldobrasil

Como lidar com as grandes transformações da vida moderna

Luciana Campos (*)

Convido você para uma viagem no tempo. Volte 10 anos e reflita sobre as seguintes questões: com que frequência você assistia a um vídeo? Como se comunicava com seus amigos? Quem publicava reportagens e notícias? Como era o acesso à Internet? E agora, nos dias atuais, você percebe alguma mudança?

Muitas, não é mesmo? As coisas se transformaram em pouco tempo e continuam mudando a uma velocidade impressionante. Hoje somos bombardeados por informações, fotos, vídeos, entre outras coisas. Mas quem está criando todos esses conteúdos? São profissionais ou aquele aluno sentado no fundo da sala de aula? Os criadores de conteúdos digitais podem estar em qualquer lugar e irão transformar a forma de se comunicar e pouco tempo. E com a educação não será diferente.

YouTubers, instagrammers e snapchaters estão ganhando fama, uma notoriedade que antes era exclusiva das celebridades. São pessoas anônimas, que, por meio da Internet, compartilham ideias e oferecem informações, não têm medo de se expor e são grandes influenciadores de opiniões. Criadores de conteúdos profissionais ou não, estão cada vez mais presentes em nossas vidas, formando uma imensa teia entre quem cria e quem “consome” esses conteúdos.

Transportando para a sala de aula, é importante refletir: seu aluno tem espaço para ser um criador de conteúdo? Como a geração que está adaptada a curtir, compartilhar e publicar pode gostar de copiar textos no caderno?

Esse é o novo perfil de alunos em nossas salas de aula. E isso é ruim? Não! Isso é incrível, esses novos alunos têm sede de conhecimento e querem disseminar o que sabem. E aí entra o papel do novo professor, que deve incentivar a criação de conteúdos digitais dentro da sua sala de aula. Mas como fazer isso? Aí vão algumas dicas:

*Não limite seus alunos a atividades de cópia.

* Incentive o uso das redes sociais para compartilhar atividades e conteúdos.

* Solicite atividades ou tarefas que envolvam a criação de vídeo e/ou uso de fotos.

* Indique videoaulas para que os alunos possam estudar em casa.

* Incentive as pesquisas. Não tenha respostas prontas!

*Conheça as tendências, saiba o que os alunos estão “curtindo” no momento.

*Estimule atividades em grupos, que permitam a troca de ideias.

*Crie grupos nos canais de comunicação, para que possam tirar dúvidas e debater assuntos importantes.

*Não fique preso em apresentações em PowerPoint, explore os recursos digitais – os jovens são multimídia e você também pode ser!

* Jamais proíba o uso de tecnologias na sala de aula. Uma boa tática é limitar o uso. Tirar fotografias do quadro negro ou filmar aulas e apresentações, pode. Bater papo nas redes sociais, não pode.

*Seja você também um criador de conteúdo digital, produza vídeos, fotos e textos.

Já dizia o provérbio americano: “Se não pode derrotá-los, junte-se a eles”. Que tal usar seu conhecimento atrelado às dicas e transformar a criação de conteúdo em uma nova experiência também para seus alunos. Hoje a aprendizagem se torna muito mais significativa quando os alunos curtem os conteúdos, compartilham o que aprenderam e publicam suas ideias!

 

(*) Luciana Campos Souza é Orientadora Educacional da Planneta, empresa do grupo Vitae Brasil (www.vitaebrasil.com.br); formada em Pedagogia pela Universidade Paulista – UNIP, com grande experiência em trabalhos relacionados à Educação e Tecnologia. Contato: luciana.campos@vitaebrasil.com.br.