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O PROGRESSO DO CONSÓRCIO

O consórcio surgiu no Brasil na década de 60, por intermédio de instalação da indústria automobilística, decorrente a falta de oferta de crédito direto ao consumidor. Diante disso, os funcionários do Banco do Brasil tiveram a brilhante ideia de formar um grupo de amigos, com a finalidade de constituir um fundo suficiente para aquisição de automóveis para todos aqueles que participassem da arrecadação dos recursos.

Então, de maneira inovadora à época, eles se uniram e cada um contribuiu com uma parcela do valor do carro que, somadas, permitiriam a sua aquisição. Porém, o primeiro veículo foi submetido a um sorteio entre os membros do grupo, sendo a solução simples e pacífica para definir o contemplado com o prêmio.

Desse modo, o consórcio começou a ser utilizado como o mecanismo de concessão de crédito isento de juros, que tem por finalidade a aquisição de bens e serviços. Assim, o consórcio passou a ser importante meio para a aquisição de um bem e, naturalmente, teve sua origem ligada diretamente à indústria automobilística, e durante muito tempo foi o automóvel seu único produto.

Visto como o passo perfeito, em menos de dez anos de sua criação, o consórcio despertou o interesse do Poder Público que, por volta de 1967, criou a ABAC – Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios com foco nos três grupos de administradoras existentes naquela ocasião: “as independentes, as ligadas às concessionárias e as ligadas aos fabricantes”. Diante do evidente crescimento exponencial, o consórcio também despertou o interesse da “Argentina, Uruguai, Paraguai, Peru, México e Venezuela”.  

Referente à regulamentação do consórcio, em 08 de outubro de 2008, acontecia o que podemos definir como o marco legal do sistema de consórcios, foi editada a Lei 11.795, que passou a vigorar em fevereiro de 2009, tratando única e exclusivamente sobre seu o funcionamento. Nesse sentido, o inciso XX do artigo 22 da Constituição Federal de 1988, definiu a União como detentora da prerrogativa de legislar sobre os sistemas de consórcios e sorteios.

Com isso, faz-se necessário destacar o poder atribuído ao Banco Central do Brasil para fiscalizar e regulamentar as operações de consórcios, conforme define a Lei 8.177, de 1 de março de 1991. No território nacional, o progresso do consócio viabiliza a aquisição de gama altamente diversificada de bens móveis, imóveis e serviços, que vai desde bens de produção, passando por caminhões, implementos agrícolas e rodoviários, ônibus, tratores, colheitadeiras, embarcações, aeronaves, computadores, antenas parabólicas, pneus, motocicletas, passando pelos eletroeletrônicos, kits de casa pré-fabricada, imóveis, construção e reformas, até serviços de quaisquer naturezas.

Vale destacar o interesse das administradoras de consórcios em fazer parcerias com os Corretores de Imóveis na comercialização de seus produtos, mas o principal objetivo é conquistar o maior número de clientes que já são atendidos por estes profissionais do mercado imobiliário. Atualmente, após aquisição da carta de crédito, milhares de pessoas foram contempladas e puderam realizar o sonho da casa própria por meio do consórcio.

Portanto, mesmo que indiretamente, é incontestável que os Corretores de Imóveis há muitos anos contribuem para ampliar o uso do consórcio na intermediação imobiliária.

 

ANTONIO CARLOS VICENTE DE OLIVEIRA 
CRECISP nº 69.455-F / CNAI-COFECI nº 7.225

Parceiro Porto Seguro Consórcio cód. nº 041632

Aventuras de um juiz aposentado

João Baptista Herkenhoff
Quando, depois de aposentado como juiz, também como professor me aposentei, fui tomado por uma crise de identidade.
O vazio manifestou-se forte quando tive de preencher a ficha de entrada num hotel.
Que profissão vou colocar aqui? Pensei alto.
Se estava aposentado na magistratura e no magistério, nem como juiz, nem como professor poderia me definir. 
“Ser ou não ser”, eis a questão.  Shakespeare, pela boca de Hamlet, percebeu a tragédia humana antes de Freud.
Ah, sim. Já sei. E escrevi na ficha do hotel, resolutamente: Professor itinerante.
Não que já fosse um verdadeiro professor itinerante. Estava mal e mal começando a jornada. Entretanto, essa autodefinição marcou no meu espírito uma mudança radical e fixei ali um itinerário de vida pós-aposentadoria.
Fiel a este projeto, tenho andado por aí a semear ideias. Não importa muito o valor real dessas ideias. Relevante é que a semeadura seja feita com alegria, espírito reto e boa vontade.
As pessoas idosas não têm o direito de guardar para si a experiência que a vida proporcionou. Segundo o filósofo inglês Alfred Whitehead, a experiência não é para guardar. É preciso que alguma coisa façamos com ela.
A aposentadoria pode não implicar em encerramento de atividades, mas apenas na redução de compromissos exigentes. São múltiplas as novas experiências possíveis. Que cada um encontre seu caminho. Que a sociedade não cometa o desatino de desprezar a sabedoria dos mais velhos.
De minha parte, falando aqui e ali, em congressos, seminários e cursos, vou sorvendo a aposentadoria. Sigo o conselho de Guimarães Rosa: “Viver é perigoso. A aventura é obrigatória”.
João Baptista Herkenhoff é Juiz de Direito aposentado (ES), palestrante e escritor. E-mail: jbpherkenhoff@gmail.com
 
É livre a divulgação deste artigo, por qualquer meio ou veículo, inclusive através da transmissão de pessoa para pessoa.

O ignorado aniversário da morte de Saramago

Marco Aurélio Abrão Conte[1]

 

“Medo da morte não consigo ter

Mas outros, mais humanos e banais

Medos que a gente tem, mesmo sem crer

Como o medo que eu tenho de morrer

Só por querer viver um pouco mais.”

 

Manuela de Freitas, a partir de declarações de José Saramago

 

Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:

Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste.

Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.

Duas vezes no ano pensam em ti.

Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,

E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti.”

 

Álvaro de Campos

 

Que Fernando Pessoa profetizasse, através de seu heterônimo engenheiro, a escassa e intermitente memória a que são reduzidos os mortos, não é de  espantar, dada sua aguda percepção da alma e do comportamento humanos. Também não é espantoso, conquanto a intertextualidade seja genial, que José Saramago (1922-2010), propondo-se a revisitar o mito pessoano, em 1984, com o romance O ano da morte de Ricardo Reis, fizesse com que seu protagonista ouvisse do autor de Mensagem, recém-falecido na diegese  ambientada em 1936, que, imediatamente após a morte, o homem outra vez atravessaria emblemáticos nove meses, nos quais deveria habituar-se a “ter estado e já não estar” – definição de morte dada pelo Nobel de literatura.

No dia 18 de junho passado, o aniversário de morte de José de Sousa Saramago, talvez sufocado pelos caóticos acontecimentos na esfera política, foi simplesmente ignorado pelos veículos midiáticos brasileiros. Mesmo em Portugal, país onde o escritor passou setenta anos de sua vida antes de se mudar para a ilha canária de Lanzarote, poucos foram os jornais que relembraram o autor falecido há sete anos. Ao que parece, apenas a Porto Editora, que publica a obra do escritor em seu país de origem, e a fundação que leva seu nome, presidida por sua viúva, a jornalista espanhola Pilar del Río, promoveram eventos em homenagem ao romancista: na Casa dos Bicos, em Lisboa, sede da Fundação José Saramago, foi apresentado o concerto-teatral Levantei-me do Chão, Lado B, inspirado no primeiro sucesso do escritor; e, na Feira do Livro de Lisboa, no espaço da editora – que, na mesma semana, lançou Claraboia, romance escrito em 1953 que permaneceu inédito até a morte do escritor –, o autor e sua obra foram homenageados.

Segundo Harold Bloom, Saramago foi um dos mais importantes escritores da literatura universal do século XX. Conquanto tenha sido um escritor tardio, publicou, aos 25 anos de idade, o romance Terra do Pecado – assim chamado por razões comerciais, haja vista que o título por ele escolhido era A viúva –, o qual rejeitou até os últimos anos de sua vida, quando foi convencido por Zeferino Coelho, da Editorial Caminho, então responsável pela publicação de sua obra, a relançar o livro. Neste, que nem de longe lembra a marcante prosa saramaguiana a que fomos apresentados na década de 1980, já estavam presentes, mesmo que de forma embrionária, alguns dos maiores temas de sua posterior produção: a incoerência das religiões e a força da mulher, retratados pelo Dr. Viegas e pela empregada doméstica Benedita. “Felizmente”, como escreveu, o jovem não obteve sucesso e passou quase vinte anos sem nada publicar, dedicando-se às mais diversas profissões, como a de serralheiro mecânico e a de funcionário público numa agência de seguros, até tornar-se conhecido na sociedade lisboeta por sua atuação na Editorial Estúdios Cor e nos vários jornais para os quais  escreveu. No prefácio da reedição da obra, o autor diz que não sentia ter algo relevante para escrever e, portanto, resistiu à vaidade de publicar apenas pelo prazer da publicação.

A partir de 1966, o autor publica os livros que seriam responsáveis por sedimentar seu estilo literário, mesmo que a literatura fosse então um trabalho secundário em sua vida: poemas, crônicas, traduções e artigos jornalísticos. Em 1975, no entanto, ao ver-se desempregado – consequência da contrarrevolução de novembro – e desamparado pelo Partido Comunista Português, para o qual sempre militou, decide dedicar-se exclusivamente à escrita e publica, dois anos depois, Manual de pintura e caligrafia, chamado em seu subtítulo de ensaio de romance, no qual o protagonista H., pintor insatisfeito com os rumos de sua produção e de sua vida, decide investir na carreira de escritor. Talvez o mais autobiográfico dos livros do autor – ressalte-se que é nesta obra que Saramago afirma que “tudo é autobiografia” –, o romance evidencia uma escrita madura, decidida, irônica e sensível, revelando que, sim, José teria algo a dizer a partir de então.

E disse! Das mais diversas e criativas formas. Em 1980, auxiliado pelas vozes alentejanas, o escritor vaza Levantado do Chão no revolucionário estilo que o tornaria célebre. Subvertendo a pontuação, transpondo traços da oralidade à prosa romanesca e impondo ao leitor uma simbiose entre o discurso direto e indireto, o livro fora imediatamente aclamado em seu país, criando uma expectativa em torno do que seria  daquele escritor, que iniciava uma carreira num momento da vida em que, como disse Gabriel Garcia Márquez, seu dileto amigo, “a maioria dos escritores já estão a deixar de escrever”. Dois anos mais tarde, com Memorial do Convento, o autor consolida seu estilo e influência na literatura, traçando um retrato do reinado de D. João V corroído por sua ácida ironia, dando voz aos que, historicamente, não a tiveram, tentando evitar que a grandeza do feito, o Palácio Nacional de Mafra, ofuscasse a vital importância dos que o construíram .

José Saramago, veemente crítico da União Europeia, usa de sua Jangada de Pedra para estimular a reflexão acerca do que representariam os dois ibéricos países no conjunto de uma Europa historicamente conduzida por interesses econômicos das nações mais potentes. Ao propor que Portugal e Espanha descolem-se geograficamente do velho continente e estacionem entre o Brasil e a África – não coincidentemente, dois territórios já conhecidos e explorados pelos portugueses – o autor evidencia a necessidade de comunicação entre a Península Ibérica e os países de que mais se aproxima culturalmente, como os da América Latina.

O polêmico escritor, propõe, ainda, a revisitação histórica de mitos portugueses – como os de Dom Sebastião e Camões, na peça Que farei com este livro?, e o de Fernando Pessoa no romance de 1984 –, de episódios históricos responsáveis pela formação da contemporaneidade portuguesa – como a própria formação do país, em História do Cerco de Lisboa, em que, narrando a retomada da cidade das mãos mouras, reflete acerca da importância da Igreja Católica e de seus Cruzados na sociedade portuguesa; a Revolução dos Cravos – tão presente no chamado por Horácio Costa de período formativo de sua obra – em A Noite, peça de 1979 – e de pilares culturais da sociedade ocidental – como o controverso OEvangelho segundo Jesus Cristo, cuja retirada do Prêmio Literário Europeu, vinda do então subsecretário de cultura Sousa Lara, leva José e Pilar a mudarem-se para as Ilhas Canárias; e o incendiário Caim, último romance publicado em vida pelo escritor, no qual chega a afirmar violentamente, abdicando das sutilezas de sua conhecida ironia, que “deus é um filho da puta”.

A genialidade de Saramago evidenciou em sua literatura a total fragilidade da condição humana no mundo: a civilização desmantelada, na qual o homem usa da razão para prejudicar seus semelhantes, em Ensaio sobre a Cegueira, poderosa e insólita alegoria da vida contemporânea; o eminente fracasso da democracia – segundo o autor, apenas formal e não substancial – da qual as nações ocidentais se orgulham, em Ensaio sobre a lucidez; a naturalidade da morte, em As intermitências de morte, romance de 2008 em que o autor trata, com invejável bom humor, do fim da vida; a inutilidade da existência, revelada pelo destino do histórico Salomão, morto para que suas patas servissem de porta-guarda-chuvas, em A viagem do elefante; a identidade perdida, alegorizada em O homem duplicado… É imensurável a contribuição do escritor português para a literatura e a reflexão humana.

Desde sua morte, há sete anos, a responsável pela divulgação de sua obra e suas bandeiras sociais – em especial a defesa da Declaração dos Direitos Humanos, foco de seu discurso em Estocolmo quando da recepção do Prêmio Nobel – é Pilar del Río, com quem o escritor dividiu os últimos vinte e três anos de sua vida e por quem nutria – basta que olhemos as dedicatórias de seus livros – verdadeira devoção, tanto é que, ateu convicto e descrente de toda e qualquer metafísica, no documentário José e Pilar, do realizador português Miguel Gonçalves Mendes, ao falar de sua morte, Saramago diz que suas cinzas ficariam sob uma pedra no jardim de sua casa em Lanzarote e diz ter pedido à esposa que, sempre que sentisse sua falta, lhe levasse uma pequena flor, “para que eu saiba que não me esqueceram”. Pilar, “que não deixou que eu morresse”, “minha casa”, “meu pilar”, é o catalisador de um raríssimo momento em que o escritor admite para si uma continuidade pós-morte: saber de algo, mesmo depois de “já não estar”. No mesmo filme, quando da filmagem da inauguração de sua fundação, José Saramago diz ter respondido, ao ser perguntado a respeito das ações que esperava por parte dela, Pilar, após sua morte: “continuar-me”, ao que a jornalista vem cumprindo – passou a publicar a obra do autor pela Porto Editora para que, segundo disse, tivesse mais alcance e melhor tratamento; discursou em diversas e importantes ocasiões a respeito dos temas por ele tratados em seus romances; e dedica-se exclusivamente à fundação da qual é presidenta – termo que ambos defenderam.

Saramago, mesmo depois de morto, permanece atual num ocidente cada vez mais desumanizado. Sua obra, pungente e vigorosa, pode/deve ser lida como um preciso retrato de uma sociedade guiada por escusos interesses de devassas instituições políticas, religiosas e, sobretudo, econômicas – faz-se possível, por exemplo, analisar a postura da imprensa no impedimento de Dilma Rousseff à luz da peça A Noite, a atual condição política brasileira sob as reflexões de Ensaio sobre a lucidez, ou o drama dos refugiados sírios a partir do Ensaio sobre a cegueira. Pena é que, culturalmente, as mídias, e consequentemente seus consumidores, habituaram-se a relembrar célebres mortos apenas quando de suas datas mais esteticamente agradáveis: como se dará em 2020, ano em que sua morte completará os redondos 10 anos, ou em 2022, centenário de seu nascimento. Álvaro de Campos tinha razão. Os homens, em sua maioria, perderam-na. José Saramago foi um grito de alerta em relação a esta perda, mesmo que hoje seja ouvido apenas aniversariamente pelas grandes multidões. Serve de consolo, no entanto, que a produção saramaguiana, esta sim, siga imortal e aja como uma tentativa de resgate das consciências humanas num momento em que elas são cada vez mais necessárias.

 

“Um dia desaparece o Sol… e acabou. E o Universo nem sequer se dará conta de que nós existimos. O Universo não saberá que o Homero escreveu a Ilíada”.

[1] Graduando em Letras na Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara.

Cinco qualidades da arte

O poeta português Fernando Pessoa, na “Nota Preliminar” de seu célebre livro ‘Mensagem’, aponta que “o entendimento dos símbolos e dos rituais (simbólicos) exige do intérprete que possua cinco qualidades ou condições, sem as quais os símbolos serão para ele mortos, e ele um morto para eles.”

 

A primeira qualidade que Pessoa aponta é a simpatia. Ele a considera a mais simples e consiste no observador “sentir simpatia pelo símbolo que se propõe interpretar”. A segunda é a intuição, que define como “aquela espécie de entendimento com que se sente o que está além do símbolo, sem que se veja”.

 

A terceira é a inteligência. Ela “analisa, decompõe, reconstrói noutro nível o símbolo”. Cria-se aqui um desafio maior, pois esta habilidade decorre das duas  primeiras.  Compreensão é a quarta qualidade considerada por Pessoa. É definida como “o conhecimento de outras matérias, que permitam que o símbolo seja iluminado por várias luzes, relacionado com vários outros símbolos, pois que, no fundo, é tudo o mesmo”.

 

A quinta qualidade pessoana é, segundo ele mesmo, “a menos definível”. Chama-a de “graça”, “mão do Superior Incógnito” ou “Conhecimento e a Conversação do Santo Anjo da Guarda”. Não a explica, mas se faz entender. É aquele algo a mais que exige as qualidades anteriores, separando o artista, autêntico criador, do mero reprodutor de conceitos.

 

Oscar D’Ambrosio, Doutor em Educação, Arte e História da Cultura e Mestre em Artes Visuais, atua na Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp.

As estranhas conspirações na Venezuela

Carolina Silva Pedroso[1]

Após um ataque com granadas e tiros, disparados de um helicóptero, contra a sede do Tribunal Superior de Justiça, ficaram ainda mais evidentes as disputas pelo poder na Venezuela. Um pouco antes do ocorrido, o presidente Maduro havia temerosamente afirmado que se não pudesse manter a Revolução Bolivariana com votos, o faria com armas. Tal declaração rendeu críticas duras de muitos setores chavistas, que desde a decisão da Justiça de tomar para si o poder Legislativo, controlado pela oposição, vem se distanciando da liderança de Maduro, acusando-o de estar destruindo o legado de Hugo Chávez.

O governo vem perdendo apoios importantes, como o da Procuradora Geral da República, Luisa Ortega, que declarou que na Venezuela o terrorismo advém do próprio Estado. Como represália, a Justiça, assim como fez com o Parlamento, tomou para si as funções da Procuradoria Geral e determinou o congelamento dos bens de Ortega, bem como a proibição de que saia do país. Outro nome histórico do chavismo que se apresenta como um novo opositor a Maduro é seu ex-ministro do Interior, Miguel Rodríguez. Ele dirigiu por muitos anos os órgãos de inteligência do país e, após romper com o governo, tornou-se um novo alvo de perseguições. Seu nome foi relacionado ao de Oscar Pérez, o piloto do helicóptero que realizou os ataques e que, posteriormente, publicou um vídeo reclamando a autoria do atentado e se apresentando como um líder de insurgentes civis e militares, desvinculados de qualquer grupo político-partidário. Maduro, em sua declaração acerca dos acontecimentos, alegou que Pérez havia sido o piloto que transportava Rodríguez quando este era ministro.

A história fica ainda mais estranha ao analisar a biografia de Pérez, conhecido no país por estrelar um filme baseado em sua atuação como membro da polícia científica. Toda a ação do helicóptero foi filmada por pessoas próximas à área atacada e relatos dão conta de que os disparos ocorreram por quase duas horas. Ora, é de se questionar como a aeronave não foi interceptada ou mesmo abatida, considerando que, ao menos em tese, as Forças Armadas ainda se apresentam como um dos pilares mais sólidos de sustentação desse frágil governo. Por isso, tem surgido muitas interpretações, que vão desde uma ação mal calculada da oposição, até uma insurreição dentro do chavismo ou um auto golpe, à la Erdogan na Turquia, para justificar medidas de encurralamento de todos os que se levantem contra o regime. Dado o grau de incertezas atual, tudo é possível.

 

[1] Mestre e doutoranda pelo programa de pós-graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas (UNESP, UNICAMP e PUC-SP) e atualmente está como pesquisadora visitante do Instituto de Estudos Latino-Americanos e Caribenhos (ISLAC) da University of South Florida (USF).

Você trabalha com o que realmente gosta?

Beto Santos

Caro leitor…. Quando falamos em carreira e escolhas profissionais, pensamos logo no caminho padrão imposto pela sociedade. Primeiro prestamos vestibular para aquela área com a qual nos identificamos e daí aguardamos o resultado para saber se passamos ou não em alguma das universidades escolhidas. E, então, concluída a faculdade, começamos a trabalhar no mercado formal.Mas poucas pessoas se atentam para a importância de uma pergunta: esse seu trabalho é a sua arte? Afinal de contas, você vai passar longos anos da sua vida fazendo e ganhando dinheiro com isso e, se no fim das contas seu trabalho não te dá uma significância maior, você está indo para o lado oposto do sucesso. Pois, se você ganha dinheiro fazendo aquilo que gosta, suas chances de obter sucesso têm um aumento significativo, porque o seu trabalho se transforma em sua arte! No sentido que vamos aplicar nesse artigo e, segundo o Dicionário Aurélio, arte é:“Capacidade humana de criação e sua utilização com vistas a certo resultado, obtido por diferentes meios (arte de caça; arte de dominar o fogo; arte de compor poemas; etc.)”Trazendo isso para a prática, fica claro que a arte vai muito além de trabalho. Dá para perceber o sentido de resultado. É trabalhar no que se gosta todos os dias, viver do seu ofício porque você simplesmente ama o que faz e ponto final.Buscar isso é difícil, pois trabalhar no que gosta (ou com o que gosta) não é uma simples obra do acaso. Tem muito a ver com momento e propósito. Acredite em você mesmo e busque essa excelência, pois, não há nada melhor do que se fazer aquilo que gosta, com prazer e alegria!

Beto Santos é Especialista em Gestão Estratégica de Pessoas e Palestrante.

Dia de decisão!

Jorge Cantagessi (Poio)

Imagine quantas decisões Deus tem que tomar a cada minuto acerca de nossa vida… Numa final de campeonato, aliás, o mais importante daquela cidade, aos 45 minutos do segundo tempo, uma cobrança de pênalti pode definir o grande vencedor daquela partida. O goleiro, por sua vez, eleva seus olhos ao céu pedindo à Deus que ele seja feliz em agarrar a bola, pois seus filhos, sentiriam orgulho dele, o campeonato lhe renderia um bom dinheiro e, ainda, o manteria empregado, por mais uma temporada. O batedor, ajeita a bola na marca da cal, pedindo a Deus que reconhecesse a sua crença, pois sempre foi um bom homem, justo com as pessoas, e por ser arrimo de família, a conquista daquele título traria um conforto necessário para seus dependentes. Ambos têm motivos para terem seus pedidos atendidos por Deus…. Humanamente, é inimaginável nos colocarmos no lugar do supremo neste momento! Mas quem merece tal feito? Certamente, aquele que se preparou melhor para aquele momento, treinando, se dedicando, chegando mais cedo aos treinos e saindo mais tarde, chegando à exaustão e entregue aos ralados e machucados do seu corpo durante toda a semana. Deus sempre vai nos abençoar naquilo em que formos mais dedicados e fiéis aos propósitos d’Ele. Não importa o quanto sejamos bons em quase tudo, se não formos bons o suficiente para cumprir o propósito que nos foi determinado!

Jorge Cantagessi (Poio) é Técnico em Meio Ambiente e Gestor Político

Nome Social e Outras Ações: Direito à Dignidade

A Unesp aprovou, no Conselho Universitário de 29 de junho, Resolução, pioneira em diversos aspectos, que assegura a inclusão, quando requerida por docentes, servidores e discentes, do nome social de travestis e transexuais, para fins de adequação de gênero, nos registros funcionais e acadêmicos da Universidade.

Entre os atributos que definem o perfil de identidade há o sexo e o   gênero. O sexo é um atributo biológico dado pela genética, e se classifica em masculino, feminino e intersexo. O gênero tem escopo pscico-social, e representa como nos reconhecemos e como somos reconhecidos. Há uma associação cultural padrão entre sexo e gênero. Entretanto, não são para todos que o sexo corresponde a associação padrão de gênero. Tais indivíduos são assim denominados transgêneros. Travestis e transexuais são transgêneros  no qual o sexo é o oposto ao gênero vivenciado.

Os nomes na nossa cultura possuem binaridade de gênero. Ele é atribuído no nascimento, com o pleno conhecimento do sexo, e não pode ser legalmente mudado, mesmo havendo uma discrepância no gênero esperado para o sexo. Por representar um elemento de grande destaque de gênero, o nome civil constitui um profundo sofrimento para os travestis e transexuais.

O nome é a nossa primeira identidade. A primeira apresentação e o que nos diferencia em público. E ter um nome que não condiz com seu gênero é muito difícil no dia a dia dos travestis e transexuais. O nome civil representa uma pessoa que ela não é mais. Além disto, para um travesti ou transexual, o nome civil original remete a uma época de intenso conflito interno. Por tudo isto, ser chamado pelo nome civil, para um travesti ou transexual, pode ser entendido como uma espécie de violência. Da mesma forma, ser obrigado a escrever ou pronunciar o nome civil, é para o travesti ou transexual, uma auto agressão.

Além da parte psicológica, na parte social, para um travesti ou transexual é vexatório ser chamado pelo nome civil em público. Fica destacado para todos que se trata de um travesti ou transexual. E por conta desta, e outros tipos de humilhações e violência, os travestis e transexuais têm quatro vezes mais chances de desenvolver depressão e dez vezes mais de ideação suicida. No destaque do nome civil de travestis e transexuais em público, estamos dando oportunidade  e talvez incentivando a acontecerem outras agressões contra eles. E há possibilidade de estarmos dando um alvo para pessoas que são violentas contra as minorias.

Com isto, o nome social é uma questão de dignidade humana. Portanto, hoje há legislações referente ao nome social por todo país. É algo simples, porém de suma importância para que travestis e transexuais possam existir em espaços públicos, sendo reconhecidos pelo gênero que se reconhecem. Além disto, a adoção do nome social não traz nenhum prejuízo institucional ou à terceiros, não cria privilégios.

Na universidade, o nome social pode representar uma importante condição de permanência estudantil, pois eles passarão a se sentir respeitados, como iguais. Formar travestis e transexuais em nossa universidade, dando-os a oportunidade de entrar no mercado e na academia, ajudará a mudar a forma negativa que são vistos na sociedade, combatendo o preconceito. Logo, a implementação do nome social, como a UNESP passa agora a dar como direito, é uma resposta que podemos dar contra o preconceito, não só na universidade, bem como na sociedade.

Internamente, a adoção do nome social, transparecesse aos funcionários, professores e alunos que recebemos e respeitamos travestis e transexuais a sua orientação de gênero. Ou seja, que eles também têm espaço na universidade, como qualquer outro cidadão. De certa forma, mostrar a todos que o travestis e transexuais têm direito ao nome social, também é uma forma pedagógica de se chamar a atenção para a transgeneridade na universidade, suscitar o assunto e assim erradicar o preconceito.

Porém, há outros aspectos que envolvem os travestis e transexuais no ambiente universitário em que a UNESP pode contribuir e servir de exemplo para outras instituições.

É importante o levantamento da população transgênera na UNESP, como forma de dirigir políticas que se fizerem necessárias. Campanhas de esclarecimento sistemáticas, sobre estas e outras minorias, seriam a melhor forma de contribuir com a erradicação da violência. A segunda mais frequente doença entre travestis e transexuais se refere ao trato urinário, principalmente devido a situações vexatórias e violência. O uso do banheiro de acordo com sua orientação de gênero significa o direito de travestis e transexuais de existirem em espaços públicos. Ações de esclarecimento neste tema são fundamentais na convivência de travestis e transexuais na UNESP.  No fundo, bastaria adotar e divulgar a Resolução Federal 12 de 16 de janeiro de 2015, que dá direito ao uso do banheiro de acordo com a identidade de gênero em todas as instituições de ensino.

No papel econômico-social, cerca de 90% dos travestis e transexuais são expulsos de casa, assim, mesmo alguns alunos que tenham família abastada podem ter sido expulsos e assim necessitar de apoio, da mesma forma que os outros alunos que necessitam de assistência.

Como travestis e transexuais são vítimas de violência, basta lembrar que 85% não terminam o ensino médio, seria importante ter em todas unidade um professor ou funcionário treinado que pudesse exercer papel de tutor. Este tutor faria o acolhimento, colocaria a UNESP como ambiente seguro e receberia eventuais problemas de discriminação e violência. Por fim, políticas voltadas a minoria tem de ser integradas, neste ponto sugiro a criação de uma espécie de Núcleo de Pesquisa e Extensão, similar ao que é feito em outras universidades. Este Núcleo deve ser integrados aos coletivos e outras organizações estudantis. Tendo em vista da forma como a violência vem aumentando, não somente contra transgêneros, seria interessante que houvesse uma espécie de centro de atendimento à vítimas de violência.

Atualmente, travestis e transexuais, assim como outras minorias, têm chegado a Universidade, e as instituições de ensino, secretarias e dirigentes de ensino vêm desenvolvido políticas para adaptar as instituições para esta população. Estas políticas visam terminar a violência e discriminação. Integram os travestis e transgêneros no ambiente social, dando-os perspectivas além da situação marginalizada que vinham sendo inexoravelmente.

O reconhecimento do nome social pela UNESP é um grande marco em  reconhecimento aos direitos humanos. A implementação do nome social mostra que a Universidade não aceita a discriminação e que está atenta às minorias.
Entre os atributos que definem o perfil de identidade há o sexo e o   gênero. O sexo é um atributo biológico dado pela genética, e se classifica em masculino, feminino e intersexo. O gênero tem escopo pscico-social, e representa como nos reconhecemos e como somos reconhecidos. Há uma associação cultural padrão entre sexo e gênero. Entretanto, não são para todos que o sexo corresponde a associação padrão de gênero. Tais indivíduos são assim denominados transgêneros. Travestis e transexuais são transgêneros  no qual o sexo é o oposto ao gênero vivenciado.

Os nomes na nossa cultura possuem binaridade de gênero. Ele é atribuído no nascimento, com o pleno conhecimento do sexo, e não pode ser legalmente mudado, mesmo havendo uma discrepância no gênero esperado para o sexo. Por representar um elemento de grande destaque de gênero, o nome civil constitui um profundo sofrimento para os travestis e transexuais.

O nome é a nossa primeira identidade. A primeira apresentação e o que nos diferencia em público. E ter um nome que não condiz com seu gênero é muito difícil no dia a dia dos travestis e transexuais. O nome civil representa uma pessoa que ela não é mais. Além disto, para um travesti ou transexual, o nome civil original remete a uma época de intenso conflito interno. Por tudo isto, ser chamado pelo nome civil, para um travesti ou transexual, pode ser entendido como uma espécie de violência. Da mesma forma, ser obrigado a escrever ou pronunciar o nome civil, é para o travesti ou transexual, uma auto agressão.

Além da parte psicológica, na parte social, para um travesti ou transexual é vexatório ser chamado pelo nome civil em público. Fica destacado para todos que se trata de um travesti ou transexual. E por conta desta, e outros tipos de humilhações e violência, os travestis e transexuais têm quatro vezes mais chances de desenvolver depressão e dez vezes mais de ideação suicida. No destaque do nome civil de travestis e transexuais em público, estamos dando oportunidade  e talvez incentivando a acontecerem outras agressões contra eles. E há possibilidade de estarmos dando um alvo para pessoas que são violentas contra as minorias.

Com isto, o nome social é uma questão de dignidade humana. Portanto, hoje há legislações referente ao nome social por todo país. É algo simples, porém de suma importância para que travestis e transexuais possam existir em espaços públicos, sendo reconhecidos pelo gênero que se reconhecem. Além disto, a adoção do nome social não traz nenhum prejuízo institucional ou à terceiros, não cria privilégios.

Na universidade, o nome social pode representar uma importante condição de permanência estudantil, pois eles passarão a se sentir respeitados, como iguais. Formar travestis e transexuais em nossa universidade, dando-os a oportunidade de entrar no mercado e na academia, ajudará a mudar a forma negativa que são vistos na sociedade, combatendo o preconceito. Logo, a implementação do nome social, como a UNESP passa agora a dar como direito, é uma resposta que podemos dar contra o preconceito, não só na universidade, bem como na sociedade.

Internamente, a adoção do nome social, transparecesse aos funcionários, professores e alunos que recebemos e respeitamos travestis e transexuais a sua orientação de gênero. Ou seja, que eles também têm espaço na universidade, como qualquer outro cidadão. De certa forma, mostrar a todos que o travestis e transexuais têm direito ao nome social, também é uma forma pedagógica de se chamar a atenção para a transgeneridade na universidade, suscitar o assunto e assim erradicar o preconceito.

Porém, há outros aspectos que envolvem os travestis e transexuais no ambiente universitário em que a UNESP pode contribuir e servir de exemplo para outras instituições.

É importante o levantamento da população transgênera na UNESP, como forma de dirigir políticas que se fizerem necessárias. Campanhas de esclarecimento sistemáticas, sobre estas e outras minorias, seriam a melhor forma de contribuir com a erradicação da violência. A segunda mais frequente doença entre travestis e transexuais se refere ao trato urinário, principalmente devido a situações vexatórias e violência. O uso do banheiro de acordo com sua orientação de gênero significa o direito de travestis e transexuais de existirem em espaços públicos. Ações de esclarecimento neste tema são fundamentais na convivência de travestis e transexuais na UNESP.  No fundo, bastaria adotar e divulgar a Resolução Federal 12 de 16 de janeiro de 2015, que dá direito ao uso do banheiro de acordo com a identidade de gênero em todas as instituições de ensino.

No papel econômico-social, cerca de 90% dos travestis e transexuais são expulsos de casa, assim, mesmo alguns alunos que tenham família abastada podem ter sido expulsos e assim necessitar de apoio, da mesma forma que os outros alunos que necessitam de assistência.

Como travestis e transexuais são vítimas de violência, basta lembrar que 85% não terminam o ensino médio, seria importante ter em todas unidade um professor ou funcionário treinado que pudesse exercer papel de tutor. Este tutor faria o acolhimento, colocaria a UNESP como ambiente seguro e receberia eventuais problemas de discriminação e violência. Por fim, políticas voltadas a minoria tem de ser integradas, neste ponto sugero a criação de uma espécie de Núcleo de Pesquisa e Extensão, similar ao que é feito em outras universidades. Este Núcleo deve ser integrados aos coletivos e outras organizações estudantis. Tendo em vista da forma como a violência vem aumentando, não somente contra transgêneros, seria interessante que houvesse uma espécie de centro de atendimento à vítimas de violência.

Atualmente, travestis e transexuais, assim como outras minorias, têm chegado a Universidade, e as instituições de ensino, secretarias e dirigentes de ensino vêm desenvolvido políticas para adaptar as instituições para esta população. Estas políticas visam terminar a violência e discriminação. Integram os travestis e transgêneros no ambiente social, dando-os perspectivas além da situação marginalizada que vinham sendo inexoravelmente.

O reconhecimento do nome social pela UNESP é um grande marco em  reconhecimento aos direitos humanos. A implementação do nome social mostra que a Universidade não aceita a discriminação e que está atenta às minorias.

Daniela Cardozo Mourão é docente da Faculdade de Engenharia da Unesp de Guaratinguetá.

O valor da obra de arte

Há aproximadamente quatro anos, em maio de 2013, a tela ‘Onement VI’, do pintor americano Barnet Newman (1905 – 1970), foi vendida por US$ 43,84 milhões em um leilão da Casa Sotheby’s de Nova York. A obra mostra dois retângulos de azul intenso divididos por uma linha em tom mais claro da mesma cor.

Em maio de 2016, ‘Black Fire I’, do mesmo artista, atingiu US$ 84,16 milhões Não foram poucos os que ficam surpresos com esses números do mercado de arte. Cabe lembrar que, na avaliação de uma obra, dois elementos são essenciais: o componente técnico e o simbólico.

O primeiro diz respeito ao dialogo do artista com seus recursos técnicos. O segundo volta-se para as relações entre a arte, o sujeito e a sociedade, o que inclui o currículo do artista, a presença ou não de suas obras no mercado e o momento histórico que representa. A obra de Newman expressa uma pesquisa visual de cor em que associa um pensar com um fazer.

Seu trabalho é exemplar no expressar percepções de estar e sentir a existência. O resultado dessa forma de conhecer o mundo é consequência de todo um processo mental e plástico. O montante financeiro depende de muitos outros fatores, mas algo é certo: nada substitui o prazer de contemplar uma obra de arte ao vivo, o que está acima dos cifrões que atinge.

Oscar D’Ambrosio, Doutor em Educação, Arte e História da Cultura e Mestre em Artes Visuais, atua na Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp.

Sem determinação, é mais difícil concretizar projetos

Por Kie Kume*

 

Deus ajuda a quem cedo madruga. Este dito popular abriga um dos mais preciosos ensinamentos que recebemos de nossos pais ainda na infância – o de lutar e trabalhar muito para conquistar o que desejamos. Carregamos em nossa vida uma dimensão que vai além de nossa existência terrena e, ao mesmo tempo, temos a liberdade de definir o rumo de nossa caminhada. Contamos com a presença de Deus em nossas vidas, mas é nossa a determinação de enfrentar com coragem as batalhas do dia a dia que nos tornará vencedores – ou perdedores.

 

Esse espírito de luta, sem ambições desmesuradas, deve ser a marca de nossas vidas. Sem ele, não conseguiremos avançar nos estudos, na vida profissional e na construção de uma vida realizada e feliz. Sem determinação, é sempre mais difícil concretizar projetos. E nossas conquistas serão limitadas. É a força de vontade que nos permite enfrentar e vencer os desafios, como os atletas que usam toda a sua energia para pular obstáculos e chegar à vitória final.

 

E o que fazem os atletas? Constroem seu talento para uma boa corrida por meio de exercícios diários. Não há cansaço que os detenha no esforço para conquistar um campeonato ou uma medalha olímpica. Assim é em qualquer atividade de nossas vidas. Como sugere o dito popular, somente conseguiremos concretizar nossos sonhos se trabalharmos com seriedade e ocuparmos bem o nosso tempo, do acordar ao adormecer.

 

Na infância, nos primeiros anos de escola, pais e professores são os grandes responsáveis por incutir esse espírito de luta nas crianças, essa consciência de que nada se consegue de mão beijada, de que é o tamanho do empenho que vai determinar o grau de sucesso nos estudos. Damos muito mais valor àquilo que nos custou suor e luta – “eu consegui”. Presentes e mimos em excesso em nada contribuem para moldar o espírito de luta das crianças. Elas precisam, desde cedo, apreender a dar valor ao que têm.

 

Felizes os pais que conseguirem criar nos filhos essa consciência de que Deus ajuda a quem cedo madruga. É a melhor das heranças, pois eles terão em mãos a ferramenta necessária para serem bem-sucedidos nos estudos e na vida profissional. Valorizarão ainda mais o esforço dos pais por lhes dar uma vida digna e de sucesso. Um jovem recém-egresso de uma universidade, que à especialização adquirida juntar essa consciência e determinação, não terá grandes problemas para entrar no mercado de trabalho.

 

Aos que quiserem se aprofundar nesse tema recomendo a leitura do autor japonês Ryuho Okawa. Suas ideias estão expressas em livros como “As Leis da Invencibilidade – Como desenvolver uma mente estratégica e gerencial”; “Trabalho e AmorComo construir uma carreira brilhante” e “Think BIG – O poder para criar o seu futuro” (IRH Press do Brasil). Para ele, “a vida é uma sequência contínua de batalhas”. No ambiente competitivo deste século 21, há cada vez menos espaço para os que não lutam.

 

A dedicação ao trabalho, no entanto, somente nos deixará plenamente realizados se estiver alinhada com a construção de nossa felicidade. Não podemos perder o rumo e esquecer nossa espiritualidade. Deus garante sua parte para guiar nossa caminhada para além deste mundo. “Você precisa usar o poder da sabedoria para descobrir o caminho do meio e seguir por ele, vivendo sempre dentro dos limites da sua capacidade. Tanto o desejo excessivo como a falta de desejo podem destruí-lo. Aqueles que não têm desejo nem força para viver não sobrevivem, mas tampouco sobreviverão aqueles que se mostrarem ambiciosos demais”, diz Okawa.

 

O mundo moderno, consumista e em constante mutação, multiplica a oferta de facilidades e tende a nos empurrar para o marasmo e para o ócio. Para toda uma geração, há coisas demais chegando prontas, destruindo em muitos jovens o espírito de luta, o envolvimento com uma família, com o crescimento da empresa em que trabalham e com os destinos do país. “As limitações de pensamento de uma pessoa irão se manifestar nos resultados. Os pensamentos têm poder”.

Estamos entrando na segunda metade do ano. É um momento ideal para realimentar sonhos e avaliar até onde chegamos no cumprimento das metas e promessas definidas para 2017. Ainda dá tempo de correr atrás delas.

 

* Kie Kume é gerente da editora IRH Press do Brasil, que publica em português as obras de Ryuho Okawa. Um dos autores mais prestigiados no Japão, Okawa tem mais de 2.200 livros publicados, ultrapassando 100 milhões de cópias vendidas, em 28 idiomas.