Artigos

Boas notícias para Carapicuíba

Foi com essa frase incisiva que durante o ato de lançamento da programação do aniversário de Carapicuíba, realizado dia 7 deste mês, o prefeito Marcos Neves convidava cada um dos dez deputados presentes ao evento.

“Venha fazer uso da palavra e anunciar boas notícias para Carapicuíba” dizia o prefeito convidando, nominalmente, cada deputado. Neste ato, somados os valores das emendas destinadas ao município pelos parlamentares presente, a cidade receberá investimentos de mais de R$ 10 milhões de reais para obras de infraestrutura, segurança no trânsito e saúde.

Outra notícia importante revelada pelo prefeito, deputados e o vice-governador Marcio França, também presente ao evento, foi a inauguração da primeira Policlínica de Carapicuíba, dia 24 deste mês, no parque Santa Tereza.

Neste florescer de acontecimentos e boas notícias, vale destacar dois fatos relevantes que concretizam compromissos de campanha do prefeito Marcos Neves. Primeiro: em 2016, durante a campanha eleitoral, com o intuito de enfraquecer sua candidatura, os adversários diziam que Carapicuíba não podia perder seu único deputado.

Com habilidade, Marcos Neves se defendia dizendo que, com a sua eleição para prefeito, Carapicuíba teria não apenas um, mas dezenas de deputados que investiriam na cidade. Essa projeção está sendo cumprida diante de inúmeros parlamentares que estão disponibilizando recursos financeiros para a cidade.

Segundo fato: a destinação do prédio construído com recursos federais para abrigar a unidade de pronto atendimento à saúde, abandonado há vários anos no parque Santa Tereza. Depois de um ano de avaliações e planejamento, o prefeito Marcos Neves decidiu implantar no local a primeira Policlínica de Carapicuíba, que contará com 18 especialidades médicas e equipamentos modernos para realizar diversos exames.

Que venham mais “boas notícias”! Carapicuíba e a população merecem.

 

Luiz Gonzaga de Oliveira é secretário de Desenvolvimento Econômico, Social e Trabalho de Carapicuíba.

1968 e o intolerável sofrimento humano

No conjunto das experiências históricas concretas, na década de 1960, destaca-se com nitidez a percepção e a rejeição social ao sofrimento humano. Duas Guerras Mundiais aterrorizaram o mundo, na primeira metade do século XX, com a matança programada de grupos sociais e a destruição material sem precedentes na história. Esta cruel combinação atingiu o ápice na emblemática associação proporcionada pelas bombas atômicas e o seu lançamento pelos norte-americanos sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, em 1945. O cenário de dor e de sofrimento completava-se com o morticínio nos campos de batalha e o extermínio massivo e sistemático de ciganos, deficientes físicos, doentes mentais, homossexuais, judeus, militantes anarquistas, comunistas e socialistas nos campos de concentração e de trabalho forçado.

A paz não representou o fim das causas e de supostas e alegadas necessidades de sofrimento humano. Na década de 1960, o sofrimento humano tornara-se intolerável. No ano 1968, ele foi rechaçado com clareza, vigor e criatividade em diferentes partes do globo. De um lado, a tecnologia dos meios de comunicação e de transporte aproximaram países e pessoas. As visões do sofrimento humano foram conhecidas, registradas, reproduzidas e difundidas com maior escala, rapidez, intensidade e carga dramática. De outro lado, repórteres, cinegrafistas, fotógrafos, jornalistas, escritores, artistas, poetas, cantores, turistas, radialistas e publicitários varreram o mundo e alimentaram a opinião pública com imagens, alegorias, trabalhos artísticos, gestos, atitudes, frases, observações, comentários e testemunhos de situações sociais inaceitáveis, algumas,inimagináveis.

A intolerância ao sofrimento humano e a sua percepção em escala mundial deram impulso a sentimentos humanos universais, fortalecidos pelo senso de injustiça, o desejo de sua superação e a defesa de valores e atos humanitários. A Declaração Universal dos Direitos Humanos tornara evidente esta angústia no seio da Organização das Nações Unidas, já em 1948. Em escala regional, imagens e relatos da guerra no Vietnã, da pobreza na África, da discriminação racial nos EUA, da opressão às liberdades intelectuais no bloco soviético, do desemprego e dos danos à saúde nas sociedades industriais, da repressão e da tortura sob regimes ditatoriais na América Latina, surgiam como afronta. Em escala mundial, as constantes ameaças à paz e o risco da guerra nuclear, a explosão demográfica e a poluição do meio ambiente eram resultados incontestáveis da Guerra Fria e da interdependência econômica internacional.

A intolerância ao sofrimento humano e a sua percepção em escala mundial sugeriam uma erosão do futuro. A sua retomada requeria que o mundo fosse mais humanitário. E não só, tratava-se de alcançar este ideal aqui e agora, sem contar ou esperar pela iniciativa de empresários, de homens de negócios e de governos, entregues aos seus interesses lucrativos, particulares e de poder. Em pouco tempo elevou-se a temperatura política da condenação aos padrões de sociabilidade e aos valores da sociedade industrial e de suas estruturas políticas. Trabalhadores urbanos lesados em suas condições de vida e bem estar manifestaram-se em passeatas, greves e ocupações de fábricas. Estudantes lesados em seus sonhos, comportamentos e no acesso ao mercado de trabalho reuniram-se em assembleias, festivais culturais e ocuparam escolas, universidades e as ruas.

Condenada nos corações e mentes, a sociedade industrial exibia sinais de fadiga e de esgotamento. Os impactos sobre o meio ambiente, as consequências na vida urbana, na saúde humana e nas espécies silvestres, tornavam-se evidentes. Emergiam vínculos entre interesses econômicos e violações de direitos humanos, desenvolvimento industrial no hemisfério norte e subdesenvolvimento no hemisfério sul, ostentação e arrogância dos ricos, miséria e sofrimento dos pobres.

Em 1968, conscientes de seus interesses e necessidades imediatas e futuras, senhores do dinheiro, do poder e da cultura, avaliaram as perspectivas do mundo. O relatório Limites do crescimento apontava riscos e potencialidades de reprodução social da economia industrial. Por razões distintas daquelas que debatemos hoje, constatava-se a inviabilidade e a insustentabilidade, sem mudanças drásticas no padrão de crescimento econômico mundial. Este deveria ser “congelado”, logo, de impossível realização, ou arcaríamos com o ônus de seus limites estruturais. Vivemos, nos últimos cinquenta anos, sob os altos custos sociais e ambientais desta perseverança. O lançamento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), pela ONU, em 2015, atesta o prolongamento histórico dos sofrimentos humanos, da dor e da angústia que acarretam em todo o planeta.

 

Paulo Henrique Martinez, professor no Departamento de História da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp de Assis.

Lembra do Menino Maluquinho?

Lembra do menino Maluquinho? Criado por Ziraldo em 1980, o livro é um marco com mais de 2,5 milhões de exemplares vendidos. Mas o que ele te a nos ensinar hoje? A ultima frase traz uma chave: “E foi aí que todo mundo descobriu que ele não tinha sido um menino maluquinho. Ele tinha sido um menino feliz”.

Parece que a sociedade perdeu essa capacidade de preservar a felicidade mental. É claro que problema não faltam nas nossas mentes, casas, famílias, país e mundo, mas, acima de tudo, há a ausência de encantamento no cotidiano. E cada um de nós pode retomar essa fantasia.

A proposta pode parecer ingênua – e certamente é em diversos aspectos, mas busca apontar para um dos grandes fascínios do personagem de Ziraldo, a capacidade de inventar. O polêmico filme ‘A vida é bela’, por exemplo, de Roberto Begnni, tangencia a questão de uma outra forma, é claro.

Mas existe em comum a preservação do sorriso no rosto e do coração, a capacidade de manter o deslumbramento da infância para sempre dentro de nós e a convicção de que crescer e ter dificuldades são questões que, sim, podem nos impedir de voar. A capacidade de ser felizes, mesmo quando tudo parece conspirar contra, nos salva, como aponta Ziraldo.

Oscar D’Ambrosio é Doutor em Educação, Arte e História da Cultura e Mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, onde atua na Assessoria de Comunicação e Imprensa. 

Realidade dos Direitos Humanos

O Brasil chega ao século XXI com realidades sociais que são vistas como meras abstrações. As ficções jurídicas são tidas como verdades sólidas e reais. Enquanto isso, ao passo que se luta por um equilíbrio social, com relações menos conflituosas, encontramos um cenário caótico na cidade São Paulo, a mais rica da América do Sul, uma das maiores do planeta. Na mesma região sul da cidade, encontramos o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) variando entre 0,944 – Moema, comparável à Noruega (primeiro país no ranking global) e 0,651 – Engenheiro Marsilac, similar ao Iraque (121° colocado); dados esses aferidos em 2010. Porém, de Moema a Marsilac, são cerca de 50km de distância; da Noruega ao Gabão são pouco mais de 6.800km.

Nesse contexto abissal, encontramos ainda a dificuldade em se compreender quê pessoas são amparadas pelos Direitos Humanos, que atribuem humanidade aos direitos, ao invés de serem direitos para seres humanos. Essa aparente ironia expõe uma realidade muito dispare na qual alguns pouquíssimos são tidos e tratados como sujeitos de direitos, que possuem e usam os direitos que asseguram o desenvolvimento e qualidade humanas e a casta das multidões: alheios, esquecidos e alienados dos mesmos direitos. Tais serão os que receberão a mera percepção de serem personagens de direitos: são figurantes nas relações sociais e no sistema econômico e dinâmica atuais, o ter estará à frente do ser, resultando em multidões de sub-humanos.

Mas falamos até esse ponto daqueles que a própria Constituição Federal (1988) trata como sendo humanos. Segundo seu artigo 5°, inciso I diz com clareza: “homens e mulheres são iguais […]”. Há os que defendem que o documento legal foi elaborado na ampla concepção de que ao se referir aos homens e mulheres, englobar-se-iam todas as pessoas. Não obstante, o documento que, em teoria, serviu como uma inspiração para a mesma, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, fala sempre em seres humanos e pessoa, jamais sobre homem ou mulher. O que não foi captado pelos constituintes em 1988 é atualmente uma causa de severas disputas, violências físicas, simbólicas e morte de pessoas que não estão enquadradas.

Na verdade, a pluriculturalidade brasileira é tão extensa quanto seu território e, no embate entre os interesses da indústria da cultura, das culturas de massa e da cultura popular, cabendo-nos questionar por quê motivos o Brasil segue tão apensado aos padrões arcaicos, que tiveram seu tempo e contexto, mas que não encontram mais espaço na sociedade pós-moderna. Aliás, precisamos buscar uma definição do que é cultura ou do que são as culturas que definem a identidade do povo brasileiro e de suas inúmeras populações.

Considerando o que é exposto pela teoria psicanalítica de Jung, o que poderíamos esperar de pessoas que exaltam pessoas historicamente conhecidas pelas suas práticas de abusos e violência contra pessoas durante os anos de colônia que o Brasil viveu? Na verdade, o pensamento social brasileiro está adaptado à violência, assim como estamos adaptados ao respirar, alimentar e hidratar do dia a dia. Essas necessidades inerentes ao ser humano se entrelaçam hoje com as perturbantes taxas de violência criminosa.  Os arquétipos a que Jung fez referência são basicamente as estruturas inatas que servirão de matrizes na expressão e desenvolvimento da psique humana. Mesmo sendo sistemas dinâmicos e autônomos, em alguns casos, são considerados como sistemas separados da personalidade. Assim, embora não se possa perceber precisamente a origem de certos comportamentos, pode-se perceber pelo comportamento a existência dos arquétipos. Ou seja, um país que é fundado sobre um sistema de dominação violento, transmitirá, ainda que inconscientemente esse tipo de comportamento às suas gerações.

Portanto, não é algo incomum que pessoas não ajustadas à linearidade ou homogenia sejam estrategicamente extirpadas do corpo social. Não fazem parte daquele sistema por não estarem ajustadas ao senso comum.
Dado o fato de que há uma relação quase simbiótica do Direito e todas as suas áreas com a filosofia Kantiana, não é algo incomum que mesmo os Direitos Humanos sejam seletivos quanto a que humanos ele pode atender. As questões morais se sobrepõem às relevantes proposições éticas e a consequência disso é termos, ao invés do Imperativo Categórico de Kant, o atual imperativo categorizante, que classifica e separa as pessoas segundo padrões normativos específicos e excludentes. Como são pessoas que não se enquadram na possibilidade do lobby político e econômico, sofrem as constantes violações de direitos, se é que algum dia tiveram acesso a tais. A ideologia da violência, sempre presente, desde a infância com suas imposições condicionantes, cerceiam a liberdade, exterminam a fraternidade e exaltam que só há igualdade para os iguais porque onde há diferentes, não é possível admitir os não iguais.
Consolida-se, portanto, a nossa sustentação de que os chamados Direitos Humanos atenderão apenas os que estiverem conformados às concepções sociais do que é considerado plausível ou não.

Renan Antônio da Silva: É doutorando do Programa de Pós-Graduação em Educação Escolar da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, UNESP – Araraquara. Realizou estágio doutoral com bolsa CAPES/PDSE junto ao Centro em Investigação Social (CIS/ISCTE-IUL), em Lisboa/Portugal, na linha temática Gênero, Sexualidades e interseccionalidade (2015-2016), sob processo de número 99999.006746/2015-02. É mestre em Desenvolvimento Regional, na linha temática Políticas Públicas (2014). É Cientista Social (2012), com ênfase em pesquisas antropológicas.

Como tirar suas ideias do papel e empreender ?

Muita gente quer empreender e tem várias ideias, mas inventa uma série de desculpas para não colocá-las em prática. Por que isso acontece? Quando se trata de abrir um negócio, tirar os planos do papel nem sempre é uma tarefa fácil, mas, se feito da maneira correta, pode render boas experiências.
Fazer as ideias acontecerem requer diversas considerações, porém quero elencar aqui as que considero mais importantes:
– Avalie se você tem a solução de um problema: Se o produto ou serviço que você está disposto a oferecer não resolve algum problema, ninguém compra. Empresas mundialmente reconhecidas já lançaram produtos com boas propostas, mas que não foram sucesso de vendas simplesmente porque não eram necessários para ninguém. Em casos assim, as pessoas podem até achar sua ideia legal, mas não aderem a ela. O primeiro passo, então, é encontrar uma ideia que resolva um problema e transformá-la em oportunidade.
– Divida suas ideias em partes menores: Muitas vezes, as pessoas querem fazer coisas demais. Suponhamos que alguém queira começar um negócio que produz comida para cachorro: essa ideia pode ser útil para muita gente. Mas, nessa situação, não adianta começar com dez sabores diferentes. A princípio, produzir um ou dois e trabalhar para aperfeiçoá-los é o ideal. O mesmo se aplica a diversos outros produtos e serviços.
– Faça uma pesquisa de mercado: Antes de colocar qualquer coisa no mercado, é importante conversar com seus potenciais consumidores e entender se eles realmente precisam desse negócio, se têm sugestões. Assim você refina o seu produto antes mesmo de começar a fazer e erra menos, pois já tem uma noção do que o seu consumidor precisa de verdade.
– Crie um plano de execução: Para que as coisas aconteçam de verdade, é importante encontrar pessoas que te ajudem e para as quais você possa delegar tarefas. Criar um protótipo mínimo e levantar um índice de satisfação de um grupo por meio de pesquisa são, a princípio, ações fundamentais.
– Gere tração com o público-alvo: Isso tem a ver com “empurrar” o seu produto, pensar em estratégias para vendê-lo. A maioria das empresas, especialmente as startups, não morre por falta de boas ideias, mas por falta de vendas.
Ideias, por melhores que sejam, não rendem bons resultados sem uma boa execução. Se você quer estar à frente de um empreendimento de sucesso, prepare-se para dar o primeiro passo.

Christian Barbosa é o maior especialista no Brasil em administração de tempo e produtividade e CEO da Triad PS

Intolerância nega a Democracia

Joao Baptista Herkenhoff
Não concordo com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte o vosso direito de dizê-la. (Voltaire).
François Marie Arouet, mais conhecido como Voltaire, foi um filósofo humanista francês, um dos maiores vultos do Movimento Iluminista. Amante da polêmica, algumas de suas frases, propositadamente radicais, como a que abre este texto, tornaram-se célebres.
A advertência de Voltaire é bastante oportuna no Brasil de hoje, que apresenta o quadro a seguir descrito.
Partidários de uma determinada corrente de pensamento supõem deter a verdade. Quem diverge está errado.
Os seguidores da corrente contrária também acreditam que são titulares do bom caminho, motivo pelo qual etiquetam como réprobos os divergentes.
Através da internet formam-se grupos de pressão virtual. Isto é democrático.
Quando a divergência mantém-se no debate verbal – eu sei, você não sabe – está em bom tamanho, sem maiores consequências.
Pior é a situação que ultrapassa a tertúlia da discussão civilizada.
O oponente é inimigo da Pátria, um traidor, um abutre, deve ser silenciado por bem ou por mal.
Algumas vezes, dentro de uma mesma família, ou entre vizinhos, ou entre frequentadores de uma mesma igreja, explode a ira, que não é nada santa.
Nesse clima de intolerância, está fazendo falta, na atualidade, um líder como Tancredo Neves, capaz de colocar lado a lado dois inimigos históricos, ou duas facções extremas, para celebrarem o abraço da paz.
Tancredo foi o principal protagonista da passagem da ditadura para a Democracia, no Brasil contemporâneo.
Mas, se não temos Tancredo, estamos perdidos?
Creio que não. Existe a opinião pública que pode pressionar e exigir o entendimento.
A opinião pública somos todos nós.
Podemos juntar nossas vozes, de norte a sul do território brasileiro, para expressar em pequenas reuniões (de bairros, de grupos profissionais) e através da coluna de cartas dos leitores dos jornais ou de cartas endereçadas a parlamentares, que não queremos um Brasil fratricida, mas sim um Brasil fraterno.
A fraternidade não exige a identidade de pensamento, mas sim a compreensão e o respeito entre as pessoas.
Divergência democrática é uma coisa. Fúria quase homicida, furor sem limites é outra.
A liberdade de expressar o pensamento, sem censura, sem perseguição, foi uma conquista do povo, após a longa ditadura que se abateu sobre o pais, a partir de 1964.
Deveremos celebrar a liberdade reconquistada, sem desvio de rota, ou seja, podemos opinar sem amarras mas devemos reconhecer no outro, no oposto, a mesma franquia.
João Baptista Herkenhoff, magistrado aposentado (ES) e professor.

A POLIVALÊNCIA DO CORRETOR DE IMÓVEIS

A considerável redução da quantidade de Corretores de Imóveis nos plantões de lançamentos, aguardando clientes para negociar uma proposta e servir um café, no momento é comum. Nesse sentido, com foco no empreendedorismo, a categoria tem o conhecimento que está superado à possibilidade de alguma empresa do seguimento imobiliário limitar suas atividades.

Desse modo, segundo o artigo 3º e seu parágrafo único da Lei nº 6.530, de 12 de maio de 1978, como podemos refletir:

“Art 3º Compete ao Corretor de Imóveis exercer a intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis, podendo, ainda, opinar quanto à comercialização imobiliária.

Parágrafo único. As atribuições constantes deste artigo poderão ser exercidas, também, por pessoa jurídica inscrita nos termos desta lei.”

Dessa maneira, a profissão possui amplo campo para atuação, os inscritos no CRECI podem trabalhar por conta própria ou prestar serviço em imobiliária, construtora, empresa de loteamento, banco, órgão público e judiciário. Na realidade, diante deste mercado cada vez mais competitivo, a polivalência do corretor de imóveis impulsiona o profissional da corretagem a se especializar em mais de uma das áreas disponíveis da intermediação imobiliária, podendo atuar na compra, venda, permuta, locação, administração de condomínio, avaliação e consórcio.

Cuida-se de analisar o artigo 728 da Lei nº  10.406, de 10 de janeiro de 2002, a saber:

“Art. 728. Se o negócio se concluir com a intermediação de mais de um corretor, a remuneração será paga a todos em partes iguais, salvo ajuste em contrário.”

É importante considerar a preocupação da entidade que disponibiliza inúmeros cursos e palestras aos inscritos, com o proposito de auxiliar no desenvolvimento da categoria conforme dispõe a Resolução do COFECI n.º 326/92, em especial o disposto no artigo 2º:

“Art. 2°- Os deveres do Corretor de Imóveis compreendem, além da defesa do interesse que lhe é confiado, o zelo do prestígio de sua classe e o aperfeiçoamento da técnica das transações imobiliárias.”

Portanto, como empreender faz parte do dia a dia do Corretor de Imóveis, o interessado em aprimorar o conhecimento pode participar dos eventos oferecidos gratuitamente pelo Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de São Paulo, disponíveis em sua Sede, Delegacias, TV CRECI e canais através das Redes Sociais pela internet.


ANTONIO CARLOS VICENTE DE OLIVEIRA
Perito Avaliador de Imóveis
CNAI-COFECI nº 7.225
CRECI-SP nº 69.455-F

Conselho a um ex-aluno

João Baptista Herkenhoff

 

Professor não se aposenta. Ainda que seja declarado como aposentado, legalmente aposentado, para o ex-aluno será sempre um professor.

Daí que, com frequência, este articulista, que já está na reserva há muito tempo, seja procurado por ex-alunos desejosos de uma orientação.

O mais recente pedido de ajuda veio de um brilhante ex-aluno, cujo nome omito porque não fui autorizado a registrar sua identidade.

Tendo em vista que sua dúvida é comum, decidi responder seu questionamento através de um artigo, cuja leitura possa ser útil para muitos.

Perguntou o ex-aluno se advogados e juízes são regidos pelo mesmo código ético.

Respondo pela negativa.

Há deveres que incumbem ao barrete do advogado e à toga do juiz: amor ao trabalho, cortesia, honestidade, zelo pelo contínuo aprimoramento cultural, aprumo no vestir-se, ainda que se vista com humildade.

Noutras rubricas, os deveres não são coincidentes: o juiz deve ser imparcial, o advogado é sempre parcial.

Juiz parcial não é juiz, envergonha seu ofício. O juiz é o fiel da balança. O pêndulo da toga não pode pender para um lado, em prejuízo do lado contrário. A imparcialidade deve estar acima de qualquer suspeita, de modo que o magistrado faça jus ao respeito da parte que é derrotada num julgamento.

Numa determinada situação, o juiz parcial pode receber palmas de quem se beneficiou de sua parcialidade. Na euforia da vitória, o vencedor aplaude. Mas depois que serenam as paixões do embate, aquele mesmo vencedor agradecido despreza o juiz parcial que enlameou seu sagrado ofício.

O advogado é sempre parcial, daí que se chama “advogado da parte”. Deve ser fiel a seu cliente e leal na relação com o adversário.

O juiz deve ser humilde. A virtude da humildade só faz engrandecê-lo. Não é pela arrogância que o juiz conquista o respeito da comunidade. Angaria respeito e estima na medida em que é digno, reto, probo.

O juiz deve ser humano, cordial, fraterno. Deve compreender que a palavra pode mudar a rota de uma vida. Diante do juiz, o cidadão comum sente-se pequeno. O humanismo pode diminuir esse abismo, de modo que o cidadão se sinta pessoa, tão pessoa e ser humano quanto o próprio juiz.

A função de ser juiz não é um emprego. Julgar é missão, empréstimo de um poder divino. Tenha o juiz consciência de sua pequenez diante da tarefa que lhe cabe.

As decisões dos juízes devem ser compreendidas pelas partes e pela coletividade. É perfeitamente possível decidir as causas, por mais complexas que sejam, com um linguajar que não roube dos cidadãos o direito de compreender as razões que justificam as conclusões.

 

João Baptista Herkenhoff é magistrado aposentado (ES) e escritor. Tem proferido palestras e ministrado seminários em faculdades, seccionais da OAB, igrejas etc.

Imaginem

Imaginem um candidato ideal para os dias atuais… Quais seriam as credenciais desejadas? Casado? Com filhos? Bem formado? Bem sucedido? Honesto? Solidário? Prestativo? Trabalhador? Compromissado com o seu eleitorado? Sim, essas são algumas características que provavelmente imaginamos sobre um candidato.

Poucos meses atrás um candidato com características desejáveis poderia ser o ex-procurador do Ministério Público Federal, Marcelo Miller. Isso mesmo, aquele procurador envolvido no caso JBS, agora investigado por obstrução às investigações e exploração de prestígio. Atuante até o início do ano no Ministério Público Federal de Brasília, o doutor provavelmente reunia boas credenciais para ser um bom candidato nas próximas eleições. Distante de ser um político profissional e sem um histórico de envolvimento em atitudes ilícitas, ele poderia ser considerado por muitos como uma pessoa acima de qualquer suspeita. Um bom salvador para a nossa pátria.

Agora, voltando para a realidade, qualquer pessoa é honesta até ser corrompida. Casos de corrupção envolvendo o Legislativo e Executivo estamos cansados de assistir nos noticiários. O destaque, então, é que estamos descobrindo casos de corrupção envolvendo outro poder da república, o Judiciário. Começam a brotar nos noticiários relatos de comportamentos suspeitos ou crimes cometidos por alguns de seus membros.

Diante de todos esses fatos, começo a perceber que mesmo com uma boa reforma política ou outras reformas essenciais, ainda teremos dificuldade em melhorar o país. Mesmo com um congresso renovado com as eleições de 2018, ainda podemos ver cenas de corrupção como as atuais. Isso porque o nosso sistema atual é, infelizmente, corrupto. O mocinho pode ser tornar bandido em um piscar de olhos.
Assim, o nosso problema é mais complexo do que imaginamos.

Uma solução para o crime de corrupção que esfola o nosso país seria não só a criação de leis mais rígidas para esse tipo de crime, mas principalmente a execução dessas leis de forma rápida e exemplar. Ilustrando, para crimes de corrupção envolvendo valores astronômicos a aplicação de pena máxima seria pertinente. Para a maioria da população os milhões de reais escondidos em apartamentos ou contas no exterior seriam mais bem aproveitados se fossem utilizados para salvar milhares de vidas nas filas dos hospitais públicos.

José Renato Campos é aluno de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica da Unesp e professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo.

 

Geddel roubou nosso futuro e matou a nossa alma

Hoje o Brasil acordou com um novo recorde: a apreensão feita ontem pela Polícia Federal em Salvador, BA, após contabilizada, revelou um número fabuloso: R$ 42.643,500 (quarenta e dois milhões, seiscentos e quarenta e três mil e quinhentos reais). Isso mesmo. Esse foi o total de reais apreendidos em um apartamento supostamente mantido pelo ex-ministro Geddel Vieira. E, se não bastasse essa alta soma, foram ainda apreendidos US$ 2,688,000.00 (dois milhões, seiscentos e oitenta e oito mil dólares).
Para o cidadão comum, como eu, o primeiro grande desafio quando escuto notícias como essa é pensar em quanto dinheiro isso representa. Mas ontem, com a divulgação da foto daquela sala cheia de malas e caixas (caixas!) de dinheiro vivo, pude ter uma vaga ideia.

Mas, o que leva um político a roubar desse jeito? Em “House of Cards”, seriado produzido e exibido pela Netflix, Frank Underwood, o congressista inescrupuloso, protagonista da série, logo nos primeiros episódios revela: “Certos políticos escolhem dinheiro, outros, poder”. E o caso de ontem deixa claro que Geddel é do primeiro tipo: aceita o calvário do poder para desviar um dinheiro que muitos acreditam ser público, mas que não é. Cada real daqueles mais de 42 milhões apreendidos saiu da mesa de um brasileiro em forma de imposto, e o que resta ao nosso povo sofrido, é na semana do pagamento refletir sobre seus esforços e concluir que é quase tudo em vão, pois somos sugados por políticos mesquinhos. Não nos falta a capacidade de produzir riqueza, de buscar viver dignamente e almejar a tranquilidade para pagar as contas, nos faltam meios.

Assim que li as notícias sobre o volume de dinheiro apreendido, me peguei pensando em números. Nós, brasileiros, carentes de tudo, poderíamos ver quantas famílias darem adeus ao aluguel ao serem contempladas com casas populares construídas com o montante apreendido? Cerca de 800? Um pouco mais? Um pouco menos? Quantos professores ou policiais com os salários atrasados, como os do Rio de Janeiro, poderiam ser pagos com esse montante, que representa quase 45 mil salários mínimos? Quantos pacientes com artrite reumatoide poderiam ter seus tratamentos com adalimumabe garantidos por um período de um ano, somente com os reais apreendidos no tal apartamento em Salvador? É isso que políticos como Geddel nos tiram, habitação, educação, segurança e saúde, e não dinheiro…

Episódios como o de ontem, não apenas roubam nosso futuro, mas matam nossa alma, fazendo com que o povo brasileiro deixe de acreditar que será possível sair dessa, de que será possível virar a página e evoluir como nação. Episódios como o de ontem só revelam o quanto somos desvalidos e o quanto a impunidade é o câncer que está matando o Brasil.

Que Deus nos proteja.

João Paulo Vani é Presidente da Academia Brasileira de Escritores, Mestre em Teoria Literária e Doutorando em Letras pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Unesp de São José do Rio Preto. Contato: jpvani@editorahn.com.br