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O RISCO DE EMPRESTAR VEÍCULO AUTOMOTOR

É importante lembrar o proprietário de veículo automotor, sobre as consequências ao permitir que outra pessoa sem habilitação dirija o seu veículo.

Dessa maneira, mesmo que só exista um resultado negativo no pensamento, deve-se observar o que estabelece a Súmula 575 do STJ:

“Constitui crime a conduta de permitir, confiar ou entregar a direção de veículo automotor a pessoa que não seja habilitada, ou que se encontre em qualquer das situações previstas no art. 310 do CTB, independentemente da ocorrência de lesão ou de perigo de dano concreto na condução do veículo.”

Em tal caso, o risco de emprestar veículo automor é previsto pelo Código de Trânsito Brasileiro, que estipula a seguinte sanção:

 “Art. 310. Permitir, confiar ou entregar a direção de veículo automotor a pessoa não habilitada, com habilitação cassada ou com o direito de dirigir suspenso, ou, ainda, a quem, por seu estado de saúde, física ou mental, ou por embriaguez, não esteja em condições de conduzi-lo com segurança:

        Penas – detenção, de seis meses a um ano, ou multa.”

Nesse sentido, há quem sustente que o crime é de perigo concreto, a pessoa não habilitada deve expor a integridade física ou o patrimônio alheios a risco efetivo para que seja possível a responsabilização criminal daquele que lhe entregou o veículo.

Em suma, Indubitavelmente, o crime do art. 310 é diferente da direção de veículo sem habilitação, que pressupõe o efetivo perigo de dano (requisito expresso no tipo). A entrega da direção de veículo automotor a pessoa não habilitada é crime independentemente da conduta desempenhada pelo motorista inabilitado, pois se trata de crime de perigo abstrato, segundo o entendimento do Superior Tribunal de Justiça.

ANTONIO CARLOS VICENTE DE OLIVEIRA é Graduado em Direito, Mediador Judicial habilitado pelo CNJ, Instrutor de Trânsito e Diretor de Ensino-CFC conforme Resolução nº 358/10 CONTRAN.

Cachoeiro de Itapemirim, cidade cidadã

Cachoeiro foi a primeira cidade brasileira a ter um dia da cidade – 29 de junho. Esta efeméride vem ocorrendo todo ano desde 1939. Para a celebração da data é escolhido o Cachoeirense Ausente Número Um, que representa todos os demais.Tive a alegria de ser Cachoeirense Ausente Número Um em 1985. É título que considero muito mais importante do que se tivesse ingressado na Academia Brasileira de Letras ou recebido o Prêmio Nobel de Literatura. Quem não é cachoeirense, pensa que estou exagerando. Quem é cachoeirense subscreve esta declaração.Os princípios, que orientaram minha vida de Juiz de Direito, foram princípios que bebi e sorvi em Cachoeiro de Itapemirim.Cachoeiro sempre foi e continua sendo uma escola de cidadania e dignidade humana.Quais foram as figuras mais importantes de Cachoeiro, ao longo da História? Os poderosos, os ricos, os senhores deste mundo? De forma alguma.Em Cachoeiro, as figuras mais importantes e amadas sempre foram aquelas pessoas que serviam de exemplo ao povo, por sua coerência ética, por sua capacidade de zelar pelo bem coletivo, por sua firmeza em abominar todos os preconceitos.Que povo elegeria como símbolo de sua cidade um Poeta?Que povo ergueria, na Praça, não apenas o busto deste Poeta, mas transformaria este Poeta em síntese da alma coletiva?Que povo faria de Newton Braga sua senha de identificação?Ou faria da condição de cachoeirense o passaporte para entrar no Céu, paráfrase de uma crônica de Rubem Braga?A alma cachoeirense tem várias características que a singularizam:a) ninguém precisa demonstrar ao cachoeirense que ele tem uma alma própria; este sentimento é intuitivo;b) cachoeirense quando encontra outro cachoeirense, em qualquer país do mundo, reconhece no conterrâneo um irmão;c) ser cachoeirense fica acima de diferenças religiosas, políticas ou ideológicas; em tempos de ditadura no Brasil, cachoeirense politicamente proscrito compareceu a sepultamento de ente querido em Cachoeiro, protegido pela fraternidade dos conterrâneos, de modo a não ser preso.

João Baptista Herkenhoff é Juiz de Direito aposentado (ES), palestrante e escritor.

Sobre articulação do tornozelo

É comum atletas de elite terem que fazer a substituição das articulações do joelho ou quadril por próteses devido ao desgaste. Em 2013, o ex-tenista Gustavo Kuerten fez uma cirurgia para colocar uma prótese no quadril. No mesmo ano, a ANVISA autorizou a comercialização das próteses de tornozelo no Brasil.

A substituição total do tornozelo já está disponível há mais de 30 anos, mas os projetos iniciais foram fracassados. Na década de 70, as substituições de tornozelo foram apontadas como promissoras, mas raramente foram realizadas devido à sua elevada taxa de insucesso na década de 80. Recentemente, as substituições de tornozelo voltaram definitivamente.

Segundo a Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (AAOS), os primeiros projetos de substituição de tornozelo tinham apenas dois componentes e cimento ósseo era necessário para mantê-los na posição correta. Projetos mais recentes não necessitam de cimento, em vez disso, o osso cresce na prótese do tornozelo, semelhante às do joelho e do quadril.

Quais as indicações para fazer a prótese do tornozelo?
Casos graves de artrite e artrose, de origens traumáticas, reumatológica ou até mesmo degenerativas com dor e evolução avançadas sem melhora com os tratamentos convencionais e conservadores. A outra opção cirúrgica é a fusão do tornozelo (artrodese), com a qual perde-se os movimentos.

A vantagem da substituição do tornozelo pela prótese é que permite manter a mobilidade e o movimento articular no tornozelo. A desvantagem é que nem todo paciente é um candidato apropriado para a substituição do tornozelo.  Colocar a prótese não é a opção ideal para pacientes com tornozelos severamente deformados ou instáveis. Discuta as opções com seu médico.

Para o atleta, a vantagem da substituição sobre a fusão é a preservação do movimento do tornozelo. No entanto, uma substituição do tornozelo não deve, de forma alguma, ser comparada a uma substituição do joelho, que é uma das operações mais bem-sucedidas em cirurgia ortopédica.

As próteses para esta operação passaram por uma grande evolução ao longo dos anos. Alguns implantes mais antigos foram retirados do mercado pelo FDA, devido à preocupação de afrouxamento dos implantes. Os implantes mais novos não têm os defeitos dos produtos anteriores. No entanto as preocupações sobre a longevidade destes implantes ainda existem, e não há estudos a longo prazo para demonstrar a longevidade do procedimento. Portanto, as atividades esportivas após uma cirurgia como a de substituição do tornozelo estão liberadas, de preferência as sem impacto – como a natação, hidroginástica, pilates e bicicleta – pois ainda não há como fazer o prognóstico de durabilidade das mesmas.

Ana Paula Simões é Professora Instrutora da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e Mestre em Medicina, Ortopedia e Traumatologia e Especialista em Medicina e Cirurgia do Pé e Tornozelo pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. É Membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia; da Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé, da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte; e da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte.

Exemplo de estratégia

A dança é uma linguagem toda peculiar, que nem sempre é de fácil interpretação para quem não conhece a área. No entanto, ela é plena de sentido e dramaticidade no sentido de apresentar soluções impactantes, que surgem com muita força quando atingem os arquétipos e a universalidade.

Esse é o caso de cenas coreografadas por Ohad Naharin que são utilizadas pelo diretor brasileiro José Padilha no filme “7 Dias em Entebbe”, que toma como eixo o episódio verídico em que um grupo guerrilheiro pró-Palestina sequestrou um avião em 1976, com o objetivo de trocar passageiros israelenses por prisioneiros políticos palestinos.

O filme mostra a motivação dos terroristas, assim como a dos políticos israelenses que defendem uma ação militar rápida e precisa, cirúrgica, que não só obteve sucesso como resultou na perda de apenas um soldado no aeroporto de Uganda, onde os sequestradores foram recebidos pelo ditador local Idi Ami Dada.

A ação foi um marco no sentido de comprovar a eficácia e eficiência israelense em ações contra o terrorismo mesmo fora de suas fronteiras. Um ponto importante está em mostrar também as motivações e pontos de vista também dos sequestradores, com suas dúvidas existenciais.

O filme merece destaque por mostrar como a operação foi urdida em termos estratégicos. Independentemente de opções políticas. A obra, ainda mais quando traz à tona as citadas cenas de dança contemporânea, aponta como a organização é essencial para atingir os mais variados objetivos, sejam eles militares, políticos, empresariais ou pessoais.   

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Administrar é a melhor forma de combater a corrupção

A temática da corrupção infelizmente consome diariamente boa parte do noticiário político brasileiro, ultrapassando em alguns momentos, até o noticiário policial. Há um discurso comum de que corrupção é cultural, ou ao menos endêmica e está arraigada em todas as esferas da máquina pública. Nesse contexto surge como grande esperança o futuro ministro da justiça, por seu histórico e experiência em combate à corrupção. O tema é complexo e envolve vários pontos de vista, mas está evidente a predominância de uma visão legalista, com proposta de criação de novas leis ou mesmo o endurecimento das atuais, com maior punição, colocando no cerne da questão que a impunidade é o grande mal que estimula a corrupção.

Essa visão e as soluções baseadas nela, são legítimas e absolutamente necessárias, porém, em si só, correm grande risco de serem ineficazes por não tratarem a raiz do problema, que está diretamente ligada à gestão pública.

O Estado tem uma estrutura complexa e altamente burocrática, mas a burocracia é necessária para seu funcionamento e para seus processos. Esse é o ponto onde a discussão é de suma importância, pois criar mecanismos de controle, novas regras e normas para combater a corrupção, sem minimamente rever os processos e a estrutura burocrática do Estado, pode até dificultar ocorrências dessa natureza, mas mantém um terreno fértil para que voltem a ocorrer, daí a importância de tratar a causa e não apenas a consequência.

Temos vários princípios legais que regem a administração pública, dentre eles o princípio da moralidade, o princípio da eficiência e o princípio da responsabilidade, que em tese, devem nortear a atuação dos entes ligados à administração pública direta e indireta. Ocorre que, na prática faltam ferramentas de gestão para que um suposto ato ilícito possa ser identificado, rastreado e que se chegue ao seu responsável, de forma rápida e eficaz.

Neste sentido é necessário à gestão pública: 1) repensar o tamanho de suas estruturas e reduzi-las; 2) rever e simplificar seus processos, diminuindo a burocracia; 3) empregar maciçamente tecnologias que propiciem aumentar a eficiência, viabilizando transparência e rastreabilidade. Todas essas ações podem pautar-se, além dos princípios já descritos, por conceitos amplamente usados em empresas privadas como de compliance e accountability.

No caso específico da administração pública há vários órgãos de fiscalização que zelam pelo cumprimento das regras e a prestação de contas, porém, o compliance vai além disso, e é justamente nisso, que esses órgãos precisam melhorar e passar de meros aprovadores, reprovadores de contas ou emissores de parecer, para uma atuação preventiva e propositiva, com ações concretas que evitem que atos ilícitos ocorram e uma vez ocorridos, que possam ser detectados rapidamente e as punições sejam aplicadas.

Normal e grosseiramente traduzido como responsabilização, a accountability, termo utilizado na governança corporativa é muito mais abrangente, pois engloba a avaliação, acompanhamento e a responsabilização do gestor ou agente público no exercício de sua função. Para que isso ocorra é indispensável a adoção de critérios claros e indicadores de desempenho, que sejam transparentes e possam ser acompanhados por qualquer cidadão, se possível em tempo real ou em curto espaço de tempo.

A melhoria da gestão pública, passando por uma revisão da estrutura do Estado, seus processos, ampliando o uso de tecnologia e implementando mecanismos eficazes de controle, contribuem sobremaneira para reduzir as condições que propiciem a prática de atos ilícitos.  

Por mais apregoado que seja, o Estado, com sua complexidade, não é passível de ser gerido como uma empresa, mas é imprescindível que sejam adotadas ações de profissionalização da gestão e de seus processos, pois somente assim, a administração pública poderá cumprir o seu papel, garantindo os serviços essenciais e com qualidade aos cidadãos, coibindo a corrupção.

(*) Alexey Carvalho é administrador, Doutor em Educação, diretor executivo da Universidade Anhanguera de São Paulo – Campus Osasco e coordenador e pesquisador, no Brasil, da Rede de Estudos Organizacionais na América Latina, Caribe e Ibero-América.

Morte assistida

Vale a pena ter a vida prolongada quando alguém deseja morrer? Essa é a questão central do ótimo filme ‘Euphoria’, dirigido pela sueca Lisa Langseth, com duas das melhores atrizes de sua geração: Alicia Vikander, já premiada com Oscar de Atriz Coadjuvante e também produtora deste filme, e Eva Green.

A irmã mais velha, com câncer, após diversas cirurgias e desesperançada pelos médicos, leva a sua irmã, fotógrafa de sucesso, mas em baixa na carreira, para uma espécie de spa na Europa, onde pessoas pagam para passar seus últimos momentos da forma que desejarem antes de tomarem uma bebida que as mata.

Separadas por muito tempo, mas com memórias em comum, as moças travam diálogos poderosos que dizem muito sobre aquilo que somos ou o que julgamos ser. Isso inclui a presença iminente da morte, batendo à porta como convidada de uma vida que não é exatamente uma festa.

Personagens coadjuvantes do local, também passando seus últimos dias de existência, também ajudam a pensar melhor sobre a morte física e mental, sobre os excessos cometidos em nossa jornada e sobre o papel da arte no lidar com o direito de viver e de morrer. O excelente trabalho das atrizes e a densidade das perguntas levantadas faz valer a pena mergulhar numa atmosfera densa no conteúdo, mas tratada com admirável delicadeza e sensibilidade.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

O desafio de amar

Já faz algum tempo, difícil precisar quanto, que o cinema se tornou um local para erguer as mais variadas bandeiras, desde as políticas e sociais às de gênero. E isso não constitui mal nenhum. Pelo contrário, a arte é um local onde todos devem ter voz. A única questão que surge nesse processo é que as narrativas de amor estavam meio esquecidas.

Mais uma vez, o cinema argentino dá uma prova de vitalidade com “Um amor inesperado”. O ator Ricardo Darín (sempre ele!) e Mercedes Morán interpretam um casal demais de 20 anos de casados que, vivendo um vazio existencial com a ida do filho para estudar na Europa, decide se separar.

Sem saber muito bem o que fazer com a liberdade, cada um se envolve em diversos relacionamentos, satisfatórios por pouco tempo. Mas o que está em xeque na história é o significado do amor nos anos 2000. Em tempos de Instagram e de amplas discussões sobre o corpo e o espírito, parece haver pouco espaço para o toque do abraço e do riso.

Embora possa ser considerado conservador por alguns, a proposta do diretor Juan Vera é bastante clara. Discutir relações humanas heterossexuais na faixa dos 50 anos na arte contemporânea é quase um ato revolucionário. Na verdade, o filme fala de amor. E esse tema independe do sexo e da idade de quem está amando. Nesse sentido, a obra atinge seu objetivo de mostrar que amar e conviver são desafios permanentes e que exigem capacidade de diálogo a todo momento.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Atenção na hora de escolher seu médico

Na medicina, não basta sonhar em ser, mas, sim, em sempre ser. Esse “ser” abrange muitas virtudes: ser honesto, ser cuidadoso, ser estudioso, ser atualizado, ser atencioso, ser educado, ser pontual e ser HUMANO! Ser médico vai além de ser qualquer outra coisa. Quem é ou pratica outra coisa, mesmo com CRM, pode ser tudo, menos médico. A essência (positiva ou negativa) ninguém tira e nada muda, muito menos a profissão.

Portanto, existem bons e maus profissionais em todas as áreas. Nessa semana quis falar sobre isso, pois cabe à população saber discernir o joio do trigo. O exercício da medicina é, antes de tudo, um sacerdócio! Fez parte de um juramento! Faz parte da vida e da convicção dos que a exercem com dignidade e respeito!

Sou feliz e grata pela sorte de encontrar bons e maus exemplos no meu caminho, desde o primário até a pós-graduação, e também no esteio da família. Porém mais feliz ainda por poder escolher ao lado de quem quero sempre estar e continuar aprendendo cada vez mais sobre o dom de ser médico!

O cirurgião é o mais clínico dos médicos, pois tem que diagnosticar e, se não der certo clinicamente, agimos e operamos. Somos aquele que precisa ter o discernimento de avaliar com precisão a real indicação de um evento cirúrgico e só indicá-lo quando tivermos certeza. E ainda usar os materiais que são imprescindíveis e necessários para nos auxiliar, no caso das próteses, na fixação e correção dos ossos, até mesmo sua substituição.

A trajetória como especialista em ortopedia e traumatologia deve ser, sempre foi e sempre será pautada na avaliação multidisciplinar e na indicação de um procedimento cirúrgico como última alternativa, após todas as etapas de um tratamento.

Portanto, leitor, questione caso receba indicação cirúrgica em uma primeira avaliação. Obviamente, existem os casos agudos e traumáticos que merecem intervenção imediata, mas mesmo assim questione.

Infelizmente, muitos pacientes procuram os especialistas após já terem sidos operados e apresentando “cicatrizes” irreversíveis, de difícil resolução. Por isso, mais uma vez cabe ao paciente discutir com seu médico de confiança qual o melhor tratamento, o tipo das próteses e materiais ortopédicos, e a real necessidade do uso.

Enfatizo que os métodos cirúrgicos de tratamento são importantes, sim, e necessários, desde que sejam corretamente indicados, e que o sejam somente pelas circunstâncias clínicas que os envolvem.

Desejo que os bons, aqueles que têm aquele antigo juramento em seu alicerce, consigam se sobressair e se diferenciar, e que realmente os honestos permaneçam.

Atenção nas escolhas!

Ana Paula Simões é Professora Instrutora da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e Mestre em Medicina, Ortopedia e Traumatologia e Especialista em Medicina e Cirurgia do Pé e Tornozelo pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. É Membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia; da Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé, da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte; e da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte.

Saiba por que as articulações estalam

As articulações podem fazer uma variedade de sons: estouro, estalo, crepitações, moagem, e às vezes parecem desencaixar. Já sentiu isso? Ocorre frequentemente de perguntarem no consultório o que significa. As que estalam mais comumente são as dos dedos, joelhos, tornozelos, costas e pescoço. Existem diferentes razões pelas quais essas articulações fazem esses barulhos. Aqui descreveremos as três causas mais comuns:

1 – Escapando gases/vácuo: Os cientistas explicam que temos nas articulações o líquido sinovial que age como um lubrificante. O fluido articular contém o gás oxigênio, nitrogênio e  o dióxido de carbono. Quando você estala ou dobra uma articulação, você estica a cápsula articular. O gás é liberado rapidamente já que forma bolhas com esse movimento. A fim de quebrar a mesma bolha de novo, tentamos estalar seguidamente e não conseguimos pois você tem que esperar até que os gases retornem ao líquido sinovial.

2 –  Movimento das articulações, tendões e ligamentos: quando uma articulação se move (como uma dobradiça),  algumas vezes muda o curso de algum tendão ou ligamento dependendo da angulação. Você pode ouvir um estalo quando o tendão retorna à sua posição original. Além disso, seus ligamentos podem apertar quando você mover suas articulações. Isso normalmente ocorre em seu joelho ou no tornozelo, e pode fazer um estalo.

3 – As superfícies ásperas: articulações artríticas fazem sons causados ​​pela perda de cartilagem lisa e devido a rugosidade da superfície articular começa a crepitar. Conhecemos esse processo como condropatia e, em alguns casos, o não tratamento podem evoluir para um desgaste articular severo gerando dor.

Os estalos são prejudiciais?
Se você estiver sentindo dor quando suas articulações estalam, então você deve procurar um profissional de saúde. Em termos de articulação os estalos por mais altos ou frequentes que sejam não tendem a ser ou desenvolver sinal de danos graves. Mas sabemos que todo excesso por mais que não seja doloroso pode eventualmente causar algum dano ao tecido mole da articulação devido a repetição do movimento pela articulação, mas não temos comprovação.

Portanto estalar desde que não tenha dor não é prejudicial, mas se isso for de alguma forma um vício ou válvula de escape para alguma tensão ou preocupação, devemos nos atentar sim a outras causas e procurar um especialista assim como se a sua articulação doer e inchar juntamente com os barulhos.

Ana Paula Simões é Professora Instrutora da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e Mestre em Medicina, Ortopedia e Traumatologia e Especialista em Medicina e Cirurgia do Pé e Tornozelo pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. É Membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia; da Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé, da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte; e da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte.

Descanso para os cansados

Em suas pregações Jesus convida todos que estão cansados e oprimidos a achegarem-se a Ele, para tomarem sobre si o Seu jugo e aprender com Ele, dizendo: Eu te louvo, Pai, Senhor dos céus e da terra, porque escondeste estas coisas dos sábios e cultos, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, pois assim foi do teu agrado. Todas as coisas me foram entregues por meu Pai. Ninguém conhece o Filho a não ser o Pai, e ninguém conhece o Pai a não ser o Filho e aqueles a quem o Filho o quiser revelar. Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu darei descanso a vocês. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve. (Mateus 11:25-30)

Esse convite enseja entender Jesus e sua mensagem inovadora que atualizou a lei e os profetas ao ensinar que tudo pode ser resumido na prática do amor        – amando a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo – e na imortalidade da alma, contextualizando, assim, uma perspectiva de esperança futura.

Procurar entender as lições de Jesus – sobretudo seus atos, os quais guardaram plena convergência com suas falas -, enseja uma nova expectativa existencial, pois há a superação da angústia decorrente da limitada noção de vida futura. Aquele que analisa os fatos do cotidiano sob o ponto de vista espiritual – e não meramente material – tem uma visão mais ampla, tal qual aquela pessoa que sobe uma montanha – e pode vislumbrar outros horizontes – em relação àquele que ficou fixo ao seu pé.

Procurar entender Jesus possibilita o fortalecimento da fé, que deve ser raciocinada e não simplesmente um sentimento inato, e alivia os sofrimentos da matéria porque, além de trazer consolação aos corações, gera confiança na justiça divina.

Procurar entender Jesus, tanto no aspecto moral como espiritual, ajudará no enfrentamento das vicissitudes da vida material que, aliás, nos trazem valiosos ensinamentos, bem como fortalecerá nosso espírito, porque fará de nós pessoas melhores e, portanto, mais próximas de Deus.

Enfim, aceitar o convite e procurar entender Jesus implica no fortalecimento e no entendimento da fé – reconhecida como a mãe de todas as virtudes – e, como consequência, oferece esperança no futuro e a caridade, pois encontraremos paz, sobretudo, de espírito e seremos capazes de transformar nossas vidas ao elevarmos nossos corações.

Paulo Eduardo de Barros Fonseca é vice-presidente do Conselho Curador da Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, mantenedora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.